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Análise: Wolfenstein II: The New Colossus — acabar com nazistas pode ser brutal e divertido

Forte candidato a shooter do ano, The New Colossus é a experiência completa para quem deseja uma boa história com belos gráficos e excelente jogabilidade.


Wolfenstein The New Order (Multi) trouxe para o público uma linha do tempo alternativa na história da humanidade, em que os nazistas venceram a segunda guerra mundial e estão rumo à dominação global. O novo capítulo de Wolfenstein, The New Colossus, expande a loucura aplicada em The New Order com personagens malucos, brutalidade e uma pitada de seriedade.

Billy, o Terrível e companhia

B.J. Blazkowicz está de volta como protagonista. Tendo derrotado a principal mente por trás dos experimentos e avanços tecnológicos nazistas, ele se junta à sua esposa Anya e a outros sobreviventes e montam base em um submarino alemão roubado. Os Estados Unidos da América foram tomados e estão sob a tutela da ditadura nazista, e cabe a Blazkowicz e seus parceiros reacenderem a vontade de lutar do povo americano e buscar a libertação da crueldade germânica. Prepare-se para visitar territórios americanos devastados como Nova Orleans e Manhattan, em uma década de 1960 quando tanques de guerra são praticamente substituídos por naves de guerra imensas e robôs armados com extremo poder de fogo.

Blazkowicz é um protagonista de certa forma introspectivo. Ainda que se comunique com certa facilidade com os membros de sua equipe, ele se perde em seus pensamentos mais profundos em diversos momentos, e são neles que somos apresentados ao seu passado cruel. O pai de B.J. era antissemita e racista, e o game toca em tais assuntos de forma verdadeira, sem parecer gratuita ou forçada. As atitudes de seu pai visavam à formação de um B.J. “másculo e corajoso”, visto que ele o enxergava como alguém fraco e que dependia demais de sua mãe para sobreviver às dificuldades da vida. O arco sobre o passado de B.J. nos faz entender algumas razões que o levaram a ser quem é e, principalmente, quem ele quer ser e o futuro que quer construir para seus filhos.



Frau Engel, uma das antagonistas de The New Order, volta com seu rosto deformado como antagonista principal e nos faz odiá-la desde o primeiro momento em que aparece na tela. Desvairada, ela leva sua lealdade pela crença nazista ao limite, pensando em passar por cima até mesmo de sua filha, Sig, que não compactua com os mesmos ideais que a mãe. The New Colossus, apesar de lidar com temas como racismo e antissemitismo, abraça personagens histéricos e malucos para contar sua história. Não chegam a ser cômicos, mas ver em tela um viciado em narcóticos conversando com uma lagartixa imaginária e uma mulher grávida explodindo um grupo de nazistas e um cão-robô com uma granada é no mínimo inesperado.

Com elenco e premissa inusitados, eu já esperava que a história de The New Colossus fosse entregar algo fora da curva. O que eu não esperava era que o game tivesse algumas reviravoltas e momentos na história que fossem me fazer ficar com cara de incrédulo e uma bela expressão de “quê?” na testa. E são esses acontecimentos que fazem a história de Wolfenstein II ser tão incrível e tão merecedora de ser jogada.

Seja discreto ou desça o tiro em todo mundo

Assim como seu antecessor, The New Colossus permite ao jogador escolher a maneira como quer prosseguir em seus combates. Os cenários, apesar de não serem totalmente abertos, oferecem rotas distintas para que o jogador o percorra, dando oportunidades de derrotar os inimigos na surdina com ataques letais e silenciosos ou, caso a intenção seja explodir tudo e todos, sempre haverá locais para se esconder e flanquear os nazistas que estão prestes a morrer. Qualquer decisão tomada, no entanto, levará a um banho de sangue dos inimigos. Desmembramentos e quantias altas de sangue na tela são comuns, principalmente nas execuções corpo a corpo.

Wolfenstein II oferece uma bela seleção de armas, indo desde pistolas e submetralhadoras a canhões de laser que desintegram o inimigo. Cada uma das armas pode ser modificada ao comprar melhorias com peças de armas, que podem ser encontradas em certos locais durante as fases. Os upgrades oferecem novas variações para cada arma, como causar mais dano ao atirar três cartuchos simultâneos com a escopeta ou utilizar silenciador com a submetralhadora, dando ainda mais opções para que o jogador decida como superar os obstáculos do jogo.



Ao realizar certas ações contra os inimigos, podemos ganhar habilidades passivas extras. Derrotar nazistas utilizando armas duplas gera habilidade de carregar mais munição, e derrotá-los arremessando machadinhas furtivamente nos permite carregar mais machadinhas. O game não exige que o jogador desbloqueie todas as habilidades extras para progredir, mas dá uma razão para variar seu estilo de jogo e experimentar novas maneiras de enfrentar os inimigos.

The New Colossus oferece um sistema de recuperação mais “à moda antiga”, com HP e armadura tendo de ser coletados pelo cenário e em inimigos derrotados. Seus oponentes, por sinal, são letais e precisos e farão suas defesas caírem ao zero com facilidade se o jogador ficar parado. Caso os enfrente de peito aberto, a melhor estratégia é se manter em movimento. Os combates parecem mais difíceis que no game anterior, e mesmo que possamos avançar boa parte do game em stealth, há trechos contra chefes e subchefes que são de arrancar os cabelos, mesmo na dificuldade padrão. Ainda assim, são excelentes desafios para testar as habilidades do jogador como B.J. Blazkowicz.

Razões para explorar

Se você é aficionado em coletar todos os segredos de um jogo, prepare-se para retornar para passear bastante pelas fases de Wolfenstein II em busca de suas artes conceituais, barras de ouro, áudios secretos, brinquedos, cartas e cartões postais. Os colecionáveis de The New Colossus vão além de simplesmente aumentar as horas necessárias para finalizar o game por completo. Cartas e cartões postais, principalmente, oferecem pontos de vista e novas perspectivas e informações sobre o mundo dominado pelos nazistas. É a oportunidade perfeita de conhecer tal mundo e um pouco mais sobre o povo que reside nele, seja do lado opressor, seja do lado oprimido.

É possível revisitar as áreas das missões principais ao realizar missões de liberação de distritos, que consistem na eliminação de um comandante nazista em uma determinada área. Apesar de serem legais de se realizar e até mesmo desafiadoras, tais missões pecam por apenas repetirem os cenários já visitados na aventura principal. Poderiam ter oferecido novas áreas para complementar o que já havíamos visto, mas pelo menos oferecem oportunidade de coletar upgrades e novas habilidades para Blazkowicz.

Turismo e quedas de fps

Wolfenstein II: The New Colossus oferece belos cenários a serem visitados. Como cartões postais temos uma Manhattan destruída e infectada por radiação, fortalezas nazistas vigiadas por robôs bípedes de médio e grande porte, uma Nova Orleans em chamas causadas por cães-robô cuspidores de fogo e até mesmo uma Roswell com membros da Ku Klux Klan.



Os personagens são carismáticos e bem modelados, e não percebi as demoras de carregamento de texturas típicos de jogos da Bethesda. Vez ou outra, quando os combates estão em alta intensidade e temos explosões por todos os lados, o game tende a ter pequenas quedas de frames por segundo, mas é algo que pode passar despercebido pelos mais desatentos.

Outro ponto que pode soar artificial é a maneira como Blazkowicz corre. No geral, as animações de Wolfenstein II são fluidas e bem produzidas, mas a corrida de B.J. parece acelerada demais e passa a impressão de que ele está deslizando no chão. Detalhes, eu sei, mas é válido dizer que me incomodou.

Wolfenstein II: The New Colossus reúne a trindade que torna um game uma experiência prazerosa e divertida: uma boa história, belos gráficos e uma jogabilidade simples e ao mesmo tempo desafiadora. O jogo é totalmente para um jogador, e foi pensado como tal, então se você procura uma experiência única, brutal e de explodir a cabeça com suas maluquices, este é o seu game perfeito. Com toda certeza um dos melhores do ano.

Prós

  • História é maluca e marcante;
  • Personagens que se encaixam bem no que a história propõe;
  • Excelente jogabilidade, seja em stealth ou em combates diretos;
  • Belos gráficos;
  • Dificuldade desafiadora.

Contras

  • Missões secundárias poderiam oferecer novas localidades para visitarmos.
Wolfenstein II: The New Colossus — XBO/PS4/PC — Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Vitor Tibério
Francisco Camilo é formado em Serviço Social pela PUC-MG e até hoje não entende a verdadeira razão de ter feito tal curso. Apaixonado pelo mundo dos jogos eletrônicos, tem em sua mente um futuro ideal cuja existência é incerta e o leva a questionar se o que imagina é parte de um sonho ou ilusão. Pode ser encontrado aqui principalmente em análises e buscando troféus na PlayStation Network.

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