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Prévia: Call of Duty WWII (Multi) — um passo na direção certa

O novo capítulo de Call of Duty tem lançamento marcado para 3 de novembro e promete ser a tão necessária revitalização da franquia.


A franquia Call of Duty é veterana no mundo dos FPS, sendo uma das mais respeitadas e “temidas”. É difícil bater de frente com CoD, que detém um público fiel e extremamente exigente. É válido dizer, porém, que exigência não é algo exclusivo de fãs de CoD, mas de gamers em geral, que cada vez mais anseiam por jogos de qualidade impecável, refinados de acordo com seus gostos. A Activision, dona da franquia, estava se desviando dos caminhos apontados por grande parte dos fãs, que desejava um retorno às origens da série, e acabou tendo de lidar com reações muito negativas após o lançamento de Call of Duty Infinite Warfare (Multi), cuja temática futurista e embasada em ficção científica não foi bem recebida. Após todo o criticismo dos fãs, a produtora deu um passo em direção ao passado e decidiu levar Call of Duty de volta para os tempos da Segunda Guerra Mundial, incumbindo a Sledgehammer Games de cumprir tal tarefa. Call of Duty WWII chega em 3 de novembro deste ano para Xbox One, PlayStation 4 e PC e promete uma repaginada em todos os aspectos da franquia, desde sua campanha, passando pelo famoso multiplayer e o amado modo zombies.

A realidade transposta

Nosso protagonista é Ronald “Red” Daniels, um texano de apenas 19 anos de idade, tendo de se tornar um soldado para servir seu país na Segunda Guerra Mundial em confrontos como a Batalha da Normandia. É tido como o “coração do esquadrão” e repousa sua confiança e lealdade no melhor amigo, Robert Zussman, este disposto a proteger e cobrir Red e os outros da maneira que for possível com seu espírito de guerreiro. Temos também no esquadrão o Sargento Pierson, que segue à risca o manual de campo e não permite que ordens sejam desrespeitadas. O líder do esquadrão é o Tenente Joseph Turner, e inspira lealdade e camaradagem entre seus soldados.



A equipe de Call of Duty WW2 dedicou muito tempo em pesquisas históricas e contou com auxílio de historiadores para que não retratassem nenhuma das batalhas utilizadas no game de forma banal ou errônea. Muito mais do que a fidelidade dos conflitos brutais e crus que o mundo viu naquele período negro da década de 40, há uma importância em passar a realidade dos soldados que tiveram de entregar suas vidas em campos banhados de sangue e pólvora. Prova disso é o tom cinematográfico que os trailers passam para o espectador, contando com atuações de alto calibre e focando em características pessoais e íntimas dos personagens.

Um dos temas mais importantes e delicados que ainda não foi tratado da maneira devida em Call of Duty, é o Holocausto. Em um dos trailers divulgados, é possível ver o esquadrão de Red alinhado em um grande espaço nevado com cercas de arame farpado ao fundo, como um campo de concentração. Soldados nazistas vigiam e enquanto um dos oficiais passa olhando um por um e pergunta se os soldados são judeus. Para quem não sabe, o Holocausto foi marcado pela caça aos judeus e a subversão de outras raças, algo colocado em prática por Adolf Hitler, líder da ascensão nazista que idealizava um mundo regido por uma raça superior, a raça branca germânica. Hitler assumiu que os judeus trouxeram uma concepção de um deus que via a todos como iguais, indo contra seus ideais de que apenas a raça superior deveria governar e regir as outras por dominação.

O tema do Holocausto é sim muito delicado, mas não pode ser deixado de lado em algo que busca retratar a Segunda Guerra Mundial. Sabemos da importância dos jogos eletrônicos como mídia de massa, e tratar temas delicados é seu papel também ao permiti-los levar ao amplo público grandes histórias ao mesmo tempo que os ensina um pouco sobre um dos períodos mais marcantes e sombrios da história recente da humanidade.

Guerra Mundial online

Call of Duty é uma franquia extremamente conhecida e amada por seu modo multiplayer, permitindo que jogadores se enfrentem em partidas dinâmicas e rápidas em combates principalmente à curta e média distância. Neste ano com WWII, os jetpacks e habilidades tecnológicas dão espaço aos rifles M1 Garand e botas no chão, correndo por trincheiras e bunkers em mapas inspirados em localidades reais.

O âmago que faz os jogadores se apaixonarem (e às vezes se irritarem) com o multiplayer de Call of Duty ainda é o mesmo, permitindo os veteranos se sentirem em casa quando iniciam uma partida pela primeira vez. Ainda assim, algumas mudanças foram feitas para refrescar o jogo e garantir uma sensação de novidade juntamente com a familiaridade proporcionada.

Temos a adição de classes no game, chamadas de Divisions, sendo elas Infantry, Airborne, Armored, Mountain e Expeditionary. Cada uma é voltada para um estilo de combate diferente. A Mountain, por exemplo, é focada em armas de longo alcance e a Expeditionary em combate de proximidade, utilizando escopetas e balas incendiárias. Embora seja possível usar qualquer arma com qualquer classe, os perks, habilidades especiais que são característicos da série são divididos e restritos por classes. Para se ter um soldado mais eficiente com a classe Mountain, é indicado utilizar rifles de precisão que combinam mais com os perks desbloqueados para tal classe. Para desbloqueá-los, basta subir de nível com a classe e serão ativados automaticamente.



Em adição a clássicos modos como Team Deathmatch e Domination, temos o inédito modo War. Aqui os jogadores são divididos em dois times: ataque e defesa. Os atacantes devem cumprir uma série de objetivos dentro de um limite de tempo para que possam avançar para a próxima porção do mapa. Os objetivos variam, podendo ser desde a simples captura de um ponto específico até a construção de uma ponte para que um tanque aliado possa avançar. Os defensores, por sua vez, devem impedir de qualquer maneira que os atacantes cumpram seus objetivos. Este modo traz uma dinâmica nova e divertida para as partidas de Call of Duty. Não basta apenas correr e atirar; é preciso pensar e jogar em equipe, avaliando as melhores maneiras de se cumprir um objetivo e se adaptando ao escolher classes e armas de acordo com a missão a ser cumprida.

Nazi Zombies: experiências que deram errado

Esta é a chance da Sledgehammer Games produzir o modo zombies de Call of Duty aplicando sua visão particular no modo. Em Call of Duty Advanced Warfare (Multi), a empresa dividiu a produção do modo Exo Zombies com a Raven Software. Desta vez, coube a Sledgehammer desenvolver suas ideias e colocá-las em prática.



Teremos um foco maior na história do modo. O vilão, Doutor Skraub, recebeu a tarefa de utilizar os corpos de soldados mortos e criar um exército que pudesse ser facilmente substituído. Sua mente insana, porém, não deixou que ele parasse apenas na “reanimação” de cadáveres, fazendo modificações em seus corpos, como implantes de lâminas como armas. Podemos esperar criaturas horripilantes e completamente desfiguradas e modificadas para aumentar a tensão durante a matança de zumbis nazistas, com os jogadores tendo a oportunidade de controlar um elenco estelar composto por nomes famosos como David Tennant (de Doctor Who e Jessica Jones) e Elodie Yung (a Elektra de Demolidor, da Netflix).

Uma das visões da Sledgehammer Games para o modo zombies é trazer um pouco mais de terror para os jogadores, fazendo-os se sentirem acuados e amedrontados em alguns momentos, obrigando-os a diminuir o ritmo por temer o que virá adiante. Não se engane, porém. O coração do modo zombies ainda bate forte, e muitas das mecânicas originais. Podemos esperar a presença de habilidades especiais, armas excêntricas e muitos easter eggs, ao mesmo tempo que teremos uma história mais densa e uma pitada a mais de terror. Em uma entrevista para a Game Informer Cameron Dayton, Diretor Criativo, e Jon Horsley, Diretor Sênior de Desenvolvimento, disseram que Nazi Zombies é a versão mais acessível e ao mesmo tempo mais hardcore do modo zombies de Call of Duty.

Call of Duty WWII é a chance de redenção da franquia com os fãs. Sabemos que muitos acabam retornando à série ano após ano, mas isso não significa que haja descontentamento. Os desenvolvedores sabem disso e parecem ter levado em consideração o feedback que receberam durante os últimos anos. Retornar à Segunda Guerra Mundial não significa que o jogo será um sucesso, mas é um passo na direção mais correta considerando o desejo dos fãs. Sabemos da capacidade de Call of Duty de contar boas histórias (Modern Warfare e Black Ops são bons exemplos), e os modos multiplayer e Nazi Zombies estão recebendo um tratamento revitalizador; tudo isso dá um sopro de expectativa em nós, jogadores, mesmo que tal expectativa seja relativamente controlada graças ao recente histórico de games “decepcionantes” da série. Aguardamos (controladamente) ansiosos.

Revisão: Leon Costa

Call of Duty WWII  — XBO/PS4/PC
Desenvolvedor: Sledgehammer Games
Gênero: FPS
Lançamento: 03/11/2017
Expectativa: 4/5

Francisco Camilo é formado em Serviço Social pela PUC-MG e até hoje não entende a verdadeira razão de ter feito tal curso. Apaixonado pelo mundo dos jogos eletrônicos, tem em sua mente um futuro ideal cuja existência é incerta e o leva a questionar se o que imagina é parte de um sonho ou ilusão. Pode ser encontrado aqui principalmente em análises e buscando troféus na PlayStation Network.

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