#StreetFighter30thAnniversary: Street Fighter no cinema, de Jackie Chan à Jean-Claude Van Damme

Da comédia à ação em cinco filmes.

Adaptações cinematográficas de jogos eletrônicos nunca foram bem aceitas pelos fãs, devido à falta de fidelidade com as obras originais, e com a série de luta Street Fighter não foi diferente. Entre comédias, lutas e filmes policiais, não é difícil imaginar que M.Bison certamente decidiu destruir o mundo após assistir as catastróficas versões live action de Street Fighter.

Wong Jing e as comédias chinesas

O primeiro filme com atores reais a ter os personagens de Street Fighter em sua trama foi a comédia policial O Caçador de Encrencas (Wong Jing, 1993), adaptação do mangá City Hunter, de Tsukasa Hojo. Estrelado pelo ator e lutador de artes marciais chinês Jackie Chan, o filme narra a história do investigador particular Ryo Saeba, contratado para encontrar a filha de um influente empresário japonês.

O Caçador de Encrencas não se propõe a adaptar a história de Street Fighter para as telas do cinema, mas faz claras referências aos personagens ao longo de sua trama, a qual faz uma paródia bem-humorada dos lutadores. Em uma das cenas, Ken, E. Honda (E. Honde no filme, devido ao patrocínio da Mitsubishi), Guile, Dhalsim e Chun-Li aparecem em suas versões live action durante uma luta contra Ryo Saeba.



No mesmo ano, o diretor Wong Jing lançou a comédia de ficção científica Future Cops (Wong Jing, 1993). Desta vez, a produção se voltou a adaptar Street Fighter para uma versão com elenco real. Estrelado pelo ator chinês Andy Lau, o filme se passa em 2043, quando o senhor do crime M. Bison está tentando dominar o mundo, mas é preso pelo Juiz. Na tentativa de evitar a prisão de seu líder, Ken, E. Honda e Sagat viajam no tempo para 1993 com o objetivo de matar o Juiz antes que ele prenda M. Bison. Ao descobrir a trama dos vilões, os Policiais do Futuro Ryu, Guile, Vega e Dhalsim são enviados ao passado para impedir que os planos de M. Bison se concretizem.

O segundo longa-metragem de Wong Jing é uma paródia de Street Fighter, bem como faz brincadeiras com personagens de outros universos como os mangás Doraemon (Fujiko F. Fujio, 1969) e Dragon Ball (Akira Toriyama, 1984). Na época de sua produção, a produtora Fantasy Productions não conseguiu autorização da Capcom para usar os nomes dos personagens de Street Fighter. Por conta disso, os nomes dos lutadores foram alterados, mas o visual permaneceu o mesmo.


Entre o sucesso e o fracasso de bilheteria

Embora críticos e fãs reclamem de más atuações, péssimos diálogos, lutas enfadonhas e adorem colocar o filme de aventura e artes marciais Street Fighter: A Última Batalha (Steven E. de Souza, 1994) nas listas de piores adaptações de games de todos os tempos, a verdade é que o filme foi um sucesso absoluto nas bilheterias. O longa-metragem protagonizado pelo ator e lutador belga Jean-Claude Van Damme arrecadou quase 100 milhões de dólares mundialmente, o triplo do orçamento usado em sua produção.

Street Fighter: A Última Batalha também foi o último filme do ator porto-riquenho Raúl Juliá, intérprete do vilão Bison, que faleceu de câncer de estômago dois meses antes da estreia no cinema. O estúdio tinha planos para uma sequência, mas em respeito à morte do ator, o projeto foi cancelado e Street Fighter: A Última Batalha dedicado ao ator.



Apenas 15 anos depois seria lançado um novo longa-metragem de Street Fighter, o filme de ação policial Street Fighter: A Lenda de Chun-Li (Andrzej Bartkowiak, 2009). A película foca na história de vida da lutadora Chun-Li, após ter seu pai sequestrado pelos homens de Bison quando pequena, ela cresce e decide se vingar do vilão.

Protagonizado pela atriz canadense Kristin Kreuk ao lado do renomado ator estadunidense Michael Clarke Duncan, Street Fighter: A Lenda de Chun-Li foi um fracasso nas bilheterias e sequer conseguiu pagar os custos de sua produção. Apesar de se dar mal nos cinemas, o filme figurou entre os DVDs mais vendidos na época de seu lançamento. O filme foi duramente criticado pelo roteiro mal elaborado e as cenas de luta precárias.


Fãs, os melhores produtores

Em meio a tantas adaptações mal recebidas de grandes estúdios cinematográficos, o melhor filme de Street Fighter veio do trabalho dos fãs ingleses Joey Ansah e Christian Howard, o curta-metragem intitulado Street Fighter: Legacy (Joey Ansah, Owen Trevor, 2010). O filme foi produzido pelo estúdio independente britânico Streetlight Films e recebeu o aval da própria Capcom para usarem os personagens do videogame.

Street Fighter: Legacy narra a história de Ryu, que após acordar de um pesadelo com Akuma, precisa enfrentar seu amigo Ken em uma luta na floresta. O filme agradou aos fãs pela fidelidade com os jogos de Street Fighter, bem como por abordar os golpes e técnicas de combate mais famosos da dupla de lutadores japoneses.


Certamente é gratificante perceber que o trabalho realizado pelos próprios fãs de Street Fighter é o que possui maior aceitação e destaque no cenário sempre conturbado da relação entre cinema e videogame. Cada filme produzido possui sua proposta, enquanto os chineses focaram na comédia e na paródia, os estadunidenses deram espaço para a ação policial, mas quem realmente ganhou os fãs foi a fidelidade dos britânicos.

Revisão: João Paulo Benevides
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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