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Prévia: Observer (Multi), o horror do futuro

Terror e cyberpunk se encontram em Observer.

A desenvolvedora polonesa Bloober Team alcançou a atenção do público com o terror psicológico Layers of Fear (Multi), a primeira aposta da companhia no gênero terror. Agora, a produtora almejou patamares mais altos ao mesclar os gêneros cyberpunk e terror em um único produto audiovisual interativo, seu novo título em primeira pessoa Observer (Multi).

Herança de Blade Runner

Observer é um survival horror cyberpunk em primeira pessoa. O jogo se localiza na Polônia de 2084, na qual uma praga digital matou milhares de pessoas e resultou em guerra e uso de drogas. O jogador é o protagonista Daniel Lazarski, um detetive neural conhecido como Observador, encarregado de apagar a memória e os medos de seus alvos através do hackeamento dos implantes cerebrais que a população utiliza.


Com arte e design arquitetônicos inspirados nas distopias cinematográficas dos anos de 1980 e 1990. Observer bebe de várias fontes do período, como RoboCop: O Policial do Futuro (Paul Verhoeven, 1987) e Os 12 Macacos (Terry Gilliam, 1995), porém sua maior influência vem do clássico cyberpunk Blade Runner, o Caçador de Andróides (Ridley Scott, 1982), adaptação do conto do escritor de ficção científica Philip K. Dick, chamado Andróides Sonham com Carneiros Elétricos?

Outro fato que contribui para a forte presença do legado de Blade Runner é a escalação do ator britânico Rutger Hauer, conhecido por seu icônico papel do robô replicante Roy Batty, antagonista de Harrison Ford na trama dirigida por Ridley Scott. O ator dá vida ao protagonista, o detetive Dan Lazarski, parte da unidade policial intitulada Observadores.


Escuridão e neon

A ambientação distópica de Observer está impressionante. Caminhando pelos cenários futuristas nos deparamos com anúncios de comércio e avisos governamentais feitos pela Chiron, a megacorporação que ascendeu ao poder na Polônia após a guerra e a praga matar milhões de pessoas. Nesse sentido, o jogo equilibra muito bem os tons escuros das sombras e a falta de luz com a luz em neon de placas e maquinários.

Como detetive, seu trabalho é analisar cenas de crimes e para isso o jogador conta com a Electromagnetic Vision, para escanear dispositivos eletrônicos, e a Bio Vision, que busca evidências biológicas de assassinatos ou acidentes. A mecânica destes modos funciona literalmente como modo detetive para reunir pistas das missões as quais você é designado pela polícia, bem como tramas paralelas.


Em Observer, cômodos repletos de sangue, cadáveres, móveis quebrados e pessoas feridas à beira da morte reforçam o tom sombrio de lugares destruídos ou abandonados. Repentinas aparições holográficas e alarmes deixam seus nervos à flor da pele enquanto caminha por corredores claustrofóbicos e de pouca iluminação. Uma aterrorizante experiência distópica.

A mente no comando

Mais uma vez, a Bloober Team não deixa o aspecto psicológico de lado e traz uma trama que discute a essência da humanidade. O que nos diferencia das máquinas? Onde começa e onde termina a humanidade? Qual a diferença entre usar a tecnologia como ferramenta ou usá-la como arma? Essas e outras perguntas são constantemente questionadas e desenvolvidas ao longo do jogo, principalmente através dos pensamentos e comentários de Dan Lazarski.


A jogabilidade em primeira pessoa auxilia na sensação de terror, bem como o fato do protagonista precisar tomar pílulas para manter sua sanidade sobre controle. Ao mesmo tempo, o jogador tem a chance de interrogar civis e suspeitos com uma variedade de diálogos que determinarão o rumo da história.

Observer é um jogo promissor para aqueles que curtem narrativas de terror psicológico, entusiastas do cyberpunk e fãs de tramas profundas e intrincadas. Sem dúvida, mais um excelente trabalho da Bloober Team e que tem tudo para dar certo.

Observer — PC/PS4/XBO
Desenvolvedor: Bloober Team
Gênero: Survival horror
Lançamento: 15 de agosto de 2017
Expectativa: 5/5

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt, Wattpad ou Twitter ela aparece.

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