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Sundered (PC/PS4) esbanja arte no estilo metroidvania

Do mesmo estúdio criador de Joten, Sundered aproveitou os pontos do "antecessor" para criar uma experiência genuína no gênero metroidvania



Ainda lembro de quando esbarrei com Jotun no Steam. Aquele visual desenhado à mão, mitologia nórdica e jogabiliidade me fizeram colocar o game diretamente no carrinho. O responsável por tal criação é o estúdio indie Thunder Lotus Games. Dois anos depois, a equipe está lançando Sundered, jogo que aproveita os melhores pontos de Jotun, mas em uma perspectiva totalmente diferente.

Ops, tropecei e achei um mundo em ruínas corrompido pela ganância


Jotun teve uma boa história, até porque houve um plano de fundo nórdico, ou seja, muito material que pôde ser acrescentado. Sundered não tem uma mitologia ao seu favor, entretanto possui elementos lovecraftianos. H. P. Lovecraft foi um escritor que ousou misturar terror com fantasia e ficção científica. Suas obras viraram sucesso e influenciam músicas, filmes, séries e jogos; como Alan Wake, Terraria, Bloodborne, Fallout 3 e, agora, Sundered.

Sundered começa com a personagem Eshe tentando andar contra uma ventania de areia em um deserto. Sua caminhada é atrapalhada quando ela chega a um determinado ponto e uma criatura surge do chão e a puxa. Quem nunca, né?

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Eshe cai em uma caverna e conhece um cristal, Trapezoedro Brilhante. Ele acredita que Eshe não foi parar ali por acaso, então concede poderes a ela para que escape do lugar e sobreviva. O progresso do jogo não precisa ser linear, então a história não é contada de modo exatamente cronológico.

Existem determinadas salas de cristais nas quais o Trapezoedro conta alguns fatos ocorridos. Esclarecerei a você o enredo. Era um mundo repleto de vida e diversidade biológica. Então chegaram os humanos, pedindo por tudo que aquela terra estranha possuía. Com astúcia, covardia e muita violência, os muros da cidade foram furados. A ganância humana não é um oponente fácil. Assim, tudo o que Eshe encontrou foi ruínas de um mundo impregnado de criaturas hostis e mistérios.


O ponto alto de Sundered pode não ser a história, mas ela tem um papel importante. Todo o enredo, focado em destruição, é perfeitamente refletido nos ambientes e inimigos. Domínio, Histeria e Rivalidade são alguns dos chefes a ser enfrentados. O jogador, inevitavelmente, encontra-se imerso nesse plano repleto de decadência e sentimentos perigosos.

Apesar disso, Eshe não tem história. Sem qualquer fato sobre a personagem, ela tornou-se somente um boneco que usamos para destruir os inimigos e explorar o cenário. Eshe não tem um gênero especificado, com um corpo neutro, pele negra e cabelos longos, é triste que tenha sido ignorada a possibilidade de saber mais sobre a personagem. O cristal Trapezoedro Brilhante é uma divindade, sempre acompanhando Eshe, mas também não há relatos diretos de sua história. Essas falhas deixaram uma lacuna no enredo. Quando acabamos a aventura, a primeira coisa que vem à cabeça é que faltou saber mais sobre as duas figuras.

Resista ou renda-se



Essa é uma frase que aparece no jogo e na divulgação do mesmo. Ela é bastante clara, mas, para entender melhor, é preciso passar pelos desafios de Sundered. No começo, o combate pode parecer simples, consistindo apenas de atacar e rolar. Explorando o mapa, é possível ter mais habilidades, que servem para possibilitar acesso a outros locais ou para batalha também. As habilidades vão desde pulo duplo, até planar no ar como morcego.

Criaturas destruídas deixam cair estilhaços, que permitem upgrades no santuário, a partir da Árvore do Trapezoedro. Visitar o cristal é perfeito para melhorar a Eshe, pois há mais de 100 melhorias disponíveis. Nada é melhor do que a sensação de que seu personagem está evoluindo e ficando mais forte. Os upgrades focam no que realmente interessa, como aumento da armadura e chance de dano crítico, tendo até aprimoramento da sorte para achar mais estilhaços e outros itens importantes.

Tudo isso tem um propósito. São 3 ambientes, cada um com suas singularidades e obstáculos. Os inimigos não pegam leve. Sundered coloca verdadeiras hordas contra o jogador. Quando menos se espera, uma sirena soa e um grande número de inimigos surge. Com o aumento da diversidade de criaturas, tudo só fica mais difícil. Muitos podem reclamar do quão isso é desleal, mas se lembre, "resista ou renda-se". A morte não é tão ruim. Você volta para o santuário com uma boa quantidade de estilhaços e, após upgrades, estará com sangue nos olhos para dizimar as hordas. Só não tente decorar os locais, porque os mapas mudam toda vez que você renasce. As mudanças não são drásticas, há um padrão.

Jogar Sundered é aprender a ser ágil, aguentar o combate frenético, ter a destreza de ver espaço para atacar e morrer para os inimigos, porque faz parte. A jogabilidade é uma evolução constante que ajuda e deixa as batalhas ainda mais emocionantes. Além disso, os upgrades oferecidos dão um fôlego a mais à Eshe, nessa dureza que é resistir a um mundo tão cheio de perversidade. Sundered realmente oferece uma experiência divertida, desafiadora e natural no gameplay.

O primor da arte desenhada à mão

Como eu disse anteriormente, o que me chamou tanto atenção em Jotun assim que eu o vi foi sua arte. O visual de Jotun é belíssimo com desenhos feitos à mão. Sundered, obviamente, não rejeitou tal destaque. Toda a arte do jogo é desenhada e atribui um visual de naturalidade. Matar um "rastejante" e ver seus fios do corpo se despedaçando é no mínimo gratificante.

Morri bastante para o chefe da primeira região, mas eu não fiquei frustrado ou com raiva. Muito pelo contrário. Eu adorava enfrentá-lo, porque ele era muito bonito, assim como todo o caos que ele fazia na minha tela. Em um jogo que causa esse sentimento, sua arte não deve ser ignorada, mas sim exaltada.

Há um porém. O contra do desenho é que sua resolução pode não sair como o ideal. Eu mandei algumas screenshots de um chefe a um amigo e ele chegou a perguntar se eu não estava rodando na configuração gráfica máxima, pois dava para ver a baixa definição principalmente nas linhas de contorno, gerando um borrão para esconder a falha. Estava no máximo.

O som é perfeito. Cada um dos três ambientes possui sonorização própria e adequada. Há uma forte presença de violino, deixando tudo mais dramático. Nos chefes e mini-chefes toda a tensão é aumentada pelo áudio. Tem momentos com tambor que aumenta o ritmo causando tremor, ou com instrumentos tocando notas agudas para aumentar a agonia. Quando tudo parece estar no ápice, o chefe evolui e o som também. Tudo em um tom épico, para quando você dar o golpe final, soltar um grande suspiro. Novamente a Thunder Lotus Games faz bonito, literalmente, na arte de seu jogo.

Para jogar de olhos e ouvidos abertos

Sundered é um pacotinho de 1,5 GB que garante mais de 15 horas de jogabilidade envolvente. A jogabilidade é dinâmica, evolutiva e divertida. Os inimigos não deixam a desejar, pela grande variedade e desafio, seja sozinhos ou aglomerados em dezenas. A morte é inevitável, mas é necessário entender sua naturalidade e identificar a justificativa para evitá-la o quanto puder.


A arte é de tal beleza que me envolveu ao ponto de não ligar por morrer várias vezes para um chefe. O visual desenhado à mão dá um toque mais natural, como se tudo estivesse exatamente no seu lugar, e cada evento ocorreu porque deveria acontecer assim. Por exemplo, as mortes não fazem os inimigos simplesmente sumirem, sim definharem no ar. Natural. Porém, o preço para o desenho à mão foi a baixa definição dos chefes, justo eles que dão um show a parte. Enquanto isso, o som é fluído e aparece nos momentos certos, com a missão perfeitamente cumprida de deixar o jogador imerso.

A história foi outro ponto essencial, que torna Sundered mais interessante. Um mundo em ruínas, destruído pela ganância humana. O enredo é explorado até o ponto ideal e reflete perfeitamente na construção dos inimigos. Infelizmente, os desenvolvedores não apresentaram histórias da protagonista e do cristal divino, fazendo com que eles fossem menos interessantes do que são.


No final de tudo, Sundered mostrou como o trabalho da Thunder Lotus Games é sério, sendo um jogo tão bom quanto Jotun. Se você está interessado no jogo, saiba que será uma ótima adição à sua biblioteca, mesmo que seja novato no gênero metroidvania.

Prós

  • Enredo bem refletido nos locais e inimigos;
  • Jogabilidade dinâmica e evolutiva;
  • Belo visual desenhado à mão;
  • Som com tom certo e momentos épicos;
  • Chefes proporcionam grandes batalhas;
  • Muitas habilidades úteis a se conquistas e mais de 100 upgrades;
  • Inimigos variados e desafiantes.

Contras

  • Eshe e Trapezoedro Brilhante não possuem espaço na história;
  • Desenhos à mão têm baixa definição em chefes.
Sundered — PC/PS4 — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Renan Greca
Janderson Oliveira ainda não chegou ao patamar de universitário por estar no Ensino Médio, entrou no GameBlast com o intuito de unir o que aprendeu em sala com o que andou jogando enquanto deveria estudar para Química. Tem Facebook caso queiram catalogar a espécie.

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