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Análise: The Final Station: The Only Traitor (PC) reformula o original sem perder qualidade

O DLC lançado nos últimos meses para The Final Station (PC) consegue agregar novas narrativas ao jogo, quase como um spin-off.

The Final Station (PC) é um jogo independente focado em ação e sobrevivência no estilo 8-bits lançado no ano passado pela parceria entre a Do My Best Games com a já conhecida Tiny Build, responsável por títulos como Speed Runners (Multi). O jogo chamou atenção por conseguir, com um visual simples e excelente jogabilidade, fazendo com que o jogador passe por tensões interessantes em um mundo pós-apocalíptico que lembra bastante a ambientação de The Last of Us (PS3/PS4), mesmo que o enredo seja totalmente diferente.

Neste primeiro semestre, as empresas lançaram então um DLC para o título batizado de The Only Traitor, que traz a jornada de outro personagem que não o maquinista que protagoniza o título original. Com um novo personagem como principal, novas mecânicas e novas histórias aparecem, complementando e melhorando algumas experiências de quem já conhece sua base.


Enredo mais aberto e exploratório

Este novo capítulo se passa pouco tempo depois dos acontecimentos de The Final Station, entretanto, com um foco totalmente diferente. Se antes nós víamos a história através da visão do maquinista que completava missões para o conselho da cidade, agora estamos na pele de um sobrevivente que viaja de cidade em cidade buscando mantimentos e esbarrando ora em aliados ora em perigos bem mais variados do que seu antecessor. E isso modifica alguns elementos tanto da narrativa quanto da jogabilidade.

Pra inicio de conversa, se antes o protagonista tinha uma pistola como arma principal já nas primeiras missões, aqui nosso mais fiel companheiro é um taco de beisebol que nos permite sobreviver bem mais contra os dois primeiros monstros que encontramos no jogo. Além disso, nossas missões não são mais sobre encontrar os códigos para as próximas localidades. No lugar dessa mecânica, temos a busca por três itens de sobrevivência: gasolina, água e comida.



Isso faz com que a exploração se torne muito mais complexa pois, além do fato de estarmos procurando não um mais três itens por fase, ainda acontece de todas as fases se expandirem para ambos os lados da tela, aumentando ainda mais as possibilidades. Para enriquecer um pouco mais a exploração, a narrativa do jogo se focou naquilo que o título original fazia de melhor: contar a história através de pistas.

The Final Station tem uma narrativa que nos coloca para obedecer ordens da cidade ou do conselho, de modo a completar determinadas missões. Entretanto, para que tivéssemos uma compreensão mais completa da história, precisávamos vasculhar materiais ao longo das fases para ler partes de históricos de conversa em computadores, bilhetes deixados em mesas e até quadros em paredes que falavam algo sobre o enredo principal.


 Agora, em The Only Traitor, não existem ordens a serem cumpridas. Seu personagem vaga pelo mundo e, somente através desses dados coletados através de “pistas” ao longo das fases é que podemos entender em que ponto da história ele se encontra, para onde está indo e qual a sua ligação com a história do jogo original. Além de ser uma forma muito interessante de contar uma história, isso conquista o jogador principalmente pelo tom de mistério que possui, o que faz todo sentido pela posição que o personagem se encontra neste mundo.

Escolha bem seus aliados

Outra mecânica que o DLC modificou bastante é a dos sobreviventes. Se antes os sobreviventes só serviam para acrescentar alguma coisa na narrativa e dar bastante trabalho para, só no final, recebermos algum tipo de recompensa pelo seu resgate, agora os “transeuntes” são totalmente descartáveis. Pelo menos até certo ponto. Como o foco nesta experiência está em um sobrevivente independente, sua ética gira em torno de ajudar quem pode ajudá-lo, e não simplesmente salvar todo e qualquer indefeso por aí.
 


Assim, os sobreviventes passam a ter três barrinhas de habilidades: sociabilidade, habilidade para confecção de balas e habilidade para primeiros socorros. Isso porque enquanto o protagonista dirige seu carro de cidade em cidade, seus aliados resgatados trabalham para produzir kits de primeiros socorros ou munições para suas armas, utilizando recursos básicos, de acordo com o nível de habilidade de cada um. Isso dá maior relevância para os sobreviventes, além de acrescentar certa estratégia na hora de escolher ajudá-los ou não.

Viagens muito mais dinâmicas

Um dos poucos pontos negativos do título original eram as partes nas quais éramos obrigados a administrar o trem e, consequentemente, os aliados resgatados. As funções se tornavam bastante repetitivas e dependendo da viagem, por bastante tempo, ficávamos sem fazer nada apenas olhando o tempo passar. Isso foi outro elemento que foi bastante modificado no DLC do jogo. 
 


Com um carro nas mãos, as viagens são bem mais rápidas e temos constantemente coisas para fazer, como as mecânicas de confecção de itens que falamos agora há pouco. Além disso, os diálogos entre o protagonistas e seus aliados sempre acrescentam alguma coisa à história. Porém, caso você esteja ávido por apenas passar pelas fases ou já esteja jogando uma segunda vez, o DLC conta com um botão de “pular” a parte da viagem, indo diretamente para o início da próxima fase. Algo que sentia-se bastante falta nos trens do jogo original.

Mais recursos e mais ameaças

Se os combates iniciais se tornam relativamente mais fáceis em The Only Traitor por um motivo: as ameaças rapidamente se multiplicam de modo não visto no The Final Station original, tendo em vista que novos monstros foram incluídos, com habilidades a distância e maior resistência do que antes. Além disso, personagens humanos também aparecem como inimigos em determinadas fases, sendo muito mais perigosos do que a maioria das criaturas negras.
 


Isso serve para balancear a relativa facilidade com a qual conseguimos munições e kits de primeiros socorros no DLC, se comparado à evolução de tais recursos no jogo principal. Em determinados momentos, não adianta muita coisa possuir 16 balas na sua pistola, pois a dificuldade vai exigir muito mais criatividade do que poder de fogo do jogador. E isso torna tudo muito mais interessante, mantendo o ar de tensão característico do título principal.

Uma aventura independente do jogo principal

Mesmo que funcione como um DLC, sua história é totalmente paralela ao jogo original. Em um formato muito semelhante ao capítulo Left Behind introduzido em The Last of Us (PS3/PS4). Desse modo, não é necessário zerar o jogo principal ou sequer começar um save nele para iniciar as aventuras no DLC, o que deixa tudo mais interessante pois a jogatina se comporta em dois saves diferentes sem ligação direta alguma. Assim, seu jogo pré-existente não é afetado pela nova aventura, caso isso seja um problema.
 


Mesmo com tantas modificações, The Only Traitor ainda mantém tanto o ar de tensão como a jogabilidade base do título original. Repleto de desafios e momentos interessantíssimo, o jogo ainda consegue traduzir bem o ar dos games de terror e sobrevivência para as mecânicas e aparências em 8-bits. O ponto negativo fica por conta da duração da aventura, cerca de três horas apenas. Mas a Do My Best Games e a Tiny Build estão de parabéns pelo material e, claro, ficamos na espera de um possível novo título baseado nesse universo tão cativante.

Prós

  • Maior liberdade de exploração;
  • Enredo mais misterioso que o jogo original;
  • Nova arma corpo-a-corpo facilita o início da jogatina;
  • Novos inimigos acrescentam maior desafio;
  • Mecânica de busca de suprimentos enriquece a jogabilidade;
  • Bom uso para aliados resgatados;
  • Viagens mais dinâmicas e passíveis de serem puladas;
  • Funciona de forma independente do jogo original;
  • Mantém o melhor das mecânicas originais.

Contras

  • Cerca de 3 horas de jogatina a mais apenas.
The Final Station: The Only Traitor — PC — Nota: 9.0
 Revisão: Ana Krishna Peixoto
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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