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Análise: de Blob (PC/Wii) soa fantástico e lambuza sua tela

de Blob sacode o gênero de plataforma 3D, fundindo-o com música e arte.




Originalmente para o Wii, de Blob (PC/Wii) chega aos computadores com seu estilo todo único. Seu visual fora polido e suas cores ganharam toda a força que o console não podia lhe proporcionar. Sua transição da televisão para os monitores tem seus tropeços, mas sua musicalidade e energia continuam pulsantes como sempre.

Uma cidade e a sua bolha

A correria de nosso herói, Blob, para livrar Chroma City das garras da terrível corporação INKT não mudou: você guiará essa carismática pelota de tinta ambulante por ruas e avenidas para devolver a vida a uma comunidade literalmente desprovida de cor. Com a ajuda dos membros da Revolução Colorida, uma variedade de missões lhe aguardam para pintar os prédios, pisos e pôsteres, manchando a reputação da ditadura monocromática. Destruindo robôs sugadores de tinta para ganhar corpo e misturar cores, Blob e a gangue recuperam a vida e independência dos habitantes um bairro por vez.

A habilidade de roubar tinta também faz-se um aspecto importante, pois ela é ao mesmo tempo sua barra de vida e sua “munição”. Rolar pelos telhados e lançar-se contra inimigos, entre outras atividades, gastam seu estoque constantemente. Isso faz manter-se seguro enquanto cumprindo metas um desafio por si só, especialmente quando pintando na presença de inimigos. Controlar seu tamanho tem seu valor: estar cheio de vida faz o corpo de Blob também crescer, o que facilita pintar em massa, mas andar por aí com pouca vida na forma de uma gotinha ajuda em trabalhos de precisão, como evitar armadilhas e poças de tinta negra.


O jogo é inegavelmente repetitivo e formulaico: Uma “coletatona”, isso é, uma maratona atrás de colecionáveis. De Blob te aponta o que fazer nos mínimos detalhes, sem deixar muito espaço para descobrir o mundo por conta própria, mas isso não o faz menos divertido. Cada tipo de missão está codificada em cores para sua conveniência e representada por cada um dos quatro membros da Revolução.

Zip lhe serve de escolta e guia pelos complexos da cidade com suas missões de corrida; Arty lhe apontará para trazer cores específicas para cada quarteirão; Bif lhe arremessa contra hordas e mais hordas das patrulhas inkistas; e Professor lhe ajudará a restaurar os monumentos históricos de Chroma City, que são imunes a métodos comuns de pintura.

Cada objetivo se mescla ordenadamente com o outro na medida em que o local em que você termina um quase sempre está de cara com o próximo, deixando a progressão pelos mapas extremamente fluida.

Creio que isso tudo se dá tão bem, mesmo em sua previsibilidade, pelo seu ritmo. A não ser que você esteja brincando no modo de pintura livre que é desbloqueado sempre que termina um dos mapas, cada bloco da aventura tem um limite de tempo para ser concluído. Esse senso de urgência acaba tornando a mão amiga e invisível dos desenvolvedores um guia mais que bem-vindo. Como o principal “colecionável” do jogo também é seu próprio objetivo, isso é, percentual de objetos pintados, a satisfação em colorir um quarteirão todo é mais imediata que ver quantos anéis, moedas ou bananas consegui ao fim da sessão.


O mais importante em de Blob, porém, é sua trilha sonora e como ela se integra perfeitamente com o jogo. O amor com qual foi trabalhada a fusão de jazz, funk, bossa nova e hip-hop que se encontra aqui é admirável e deliciosamente urbano. Cada estágio começa em perfeito silêncio, mas, ao grafitar sua primeira parede do dia, a melodia começa. Toda vez que você toca em algo e o enche de cor, uma nota é tocada, dando à aventura o ritmo dos seus feitos. A música ganha corpo na medida em que você pinta mais e mais, narrando a o resplandecer e revigoração de Chroma City. Ao abrir um setor novo os sons se reduzem, dando um sinal claro para abrir os olhos: há mais trabalho a ser feito e esses prédios não vão se embelezar sozinhas.

A transição entre os estágios é boa, sempre adicionando novos tipos de desafios, e a variedade do que fazer fora do modo de campanha é farta. Mapas com missões extras e difíceis são liberados a cada fase concluída, assim como um punhado de modos de múltiplos jogadores estão aí para competir com os amigos.

Pixaram o grafite

As marcas negativas em de Blob são, ao menos em sua versão de PC, bem evidentes. A versão original já possui as clássicas e já quase negligenciáveis questões de câmera em posições desconfortáveis.

O mapeamento básico para o teclado não está nem um pouco ergonômico: toda a movimentação está alocada na configuração WASD e na barra de espaço para saltar, porém comandos especiais como travar em um alvo, usar uma plataforma ou ajustar a câmera estão distribuídos majoritariamente entre ambos botões Ctrl e a tecla Shift, como que simulando um Wiimote ligado ao Nunchuk. Não é possível mudar essas configurações de dentro de jogo, o que descobri muito tarde uma vez que a ferramenta de assistência para isso é externa. A primeira coisa que peço-lhes é que abram o jogo não pelo atalho e sim pelo menu do Steam para trocarem as letras pelas setas, se não a experiência se torna intragável a partir do terceiro estágio.

Um dos elementos mais interessantes em de Blob acaba tornando às vezes os controles irresponsivos. Uma das habilidades de nossa bolha é a de grudar em paredes, o que pode ser usado para deslizar e quicar por elas, mas quando você está tentando fazer um pulo preciso as vezes isso mais atrapalha que ajuda. Muitos saltos acabaram reduzidos a tropeços, assim como vários segundos preciosos para cumprir missões se perderam por um erro de cálculo que me arremessou para longe.

E em notas mais leves mas também preocupantes, a localização para o português possui um inconveniente em sua escolha de fontes de texto. No original, palavras relacionadas às tropas inkistas e tudo que leva a cor negra são escritas em um cinza claro, mas por motivos quaisquer decidiram que aqui essas palavras viriam em letras brancas. Em jogo isso faz pouca diferença, uma vez que as caixas de diálogo são transparentes, mas nos menus, em que elas são brancas, as palavras simplesmente desaparecem.



Um lindo quadro em tinta fresca

Longe de ser perfeito, de Blob ainda sim é uma daquelas pequenas pérolas que precisam de uns anos para serem apreciadas por completo. É um jogo rejuvenescedor de todos os ângulos que posso dar á palavra: ele dá vida nova à experiência de aventura 3D e te enche de energia, também revitalizando a si mesmo ao finalmente mostrar sua verdadeira cara com toda a força de uma plataforma mais potente. Coloque os fones de ouvido e curta o som, pois Blob e a gangue vieram para ficar.

Prós

  • Trilha sonora divina;
  • Fluidez ideal para jogatina casual;
  • Dificuldade justa na campanha e desafiadora nos extras;
  • Boa rejogabilidade.

Contras

  • Moderadamente repetitivo.
de Blob — PC/Wii — nota: 7.5 
Plataforma usada: PC

Revisão: Vitor Tibério

Alexandre Oliveira escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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