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Análise: Spark the Eletric Jester (PC): novidade e nostalgia correndo juntas

Trazendo todo o clima dos jogos da era 16-bit, Spark é um trabalho competente, mesmo com algumas escorregadas.

Você, amigo leitor, viveu a época dos jogos de plataforma dos anos 1990, ou então, mesmo que não seja do seu tempo, é fã desse gênero? Se sua resposta é sim, tenho um jogo deveras interessante. No caso de, além disso, você ser um grande fã de Sonic, ai sim trago um título aqui que bebe muito do estilo e de algumas mecânicas dos jogos do ouriço da Sega.


Spark the Eletric Jester foi desenvolvido pela Feperd Games que, na verdade é um exército de um homem só, o brasileiro Felipe Ribeiro Daneluz, que já tem certo destaque no cenário de desenvolvimento de jogos criados por fãs por desenvolver alguns títulos não oficiais de Sonic. Nessa empreitada, Felipe cria um jogo 100% autoral, mas que ainda bebe muito da fonte do ouriço azul da Sega.



Como todo bom jogo de mascotes do anos 90, o plot de Spark não tem nada de absurdo. Um certo dia nosso protagonista foi substituído em seu emprego por um robô. Logo após isso, todos os robôs resolvem atacar para controlar o mundo. Nosso herói, claro, vai atrás desse sujeito em busca de alguma satisfação, e recuperar o trabalho. Ao longo do jogo, o plot se.abre um pouco, nada demais. Os diálogos entre os personagens por vezes trazem algumas passagens engraçadas, mas são detalhes dentro do contexto do game.

Toda essa trama é contada ao longo de 16 níveis, na maior parte das vezes divididos em dois atos, tornando Spark um jogo bem extenso, já que cada nível é consideravelmente grande. Contudo, esse tamanho exagerado acaba sendo perdido, pois o jogo não possui nenhum tipo de extra, como itens especial ou fases bônus. Só há uma coisa a fazer, que é chegar ao final da fase. Em alguns momentos era cansativo jogar por horas seguidas pois, de certa forma, é sempre a mesma coisa, mesmo que alguns mapas tenham algumas pequenas mecânicas específicas, é muito pouco.

Olha esse climão de Sonic em todos os cantos!
Falando em cenários, todos eles são bonitos e bem coloridos. Graficamente, você com certeza achará jogos com uma arte mais refinada, e sinto isso como um problema para Spark, com seu visual tirado exatamente de algum ponto entre o Super Nintendo e o PlayStation. Já quanto à construção das fases, pegue todos os loopings, retas, molas e momentos de velocidade intensa dos jogos do Sonic e os multiplique por 10. Essas serão as fases de Spark, em que correr loucamente é extremamente intenso e divertido. Mas como mencionei acima, a falta de extras deixa tudo muito simplório, apenas ir do ponto A ao ponto B.

Se por um lado, Spark carece de mais detalhes nas fases, não se pode dizer o mesmo dos seus modos de combate. Espalhado pelas fases existem diversos power-ups que mudam os ataques do protagonista, alterando inclusive seu visual. Desde o poder de um mago até de elementos como vento ou fogo, cada um tem suas habilidades próprias, adicionando variações ao gameplay. Existe até mesmo uma prancha de bodyboard, no melhor estilo Sonic Riders (e particularmente as fases que ela aparece são muito divertidas). Essas mudanças constantes ajudam a deixar o jogo sempre com um ar fresco, de novidades. Por outro lado, em nenhum momento o jogo lhe obriga a usar item A ou B, é uma decisão exclusiva do jogador.

Espere por muitos momentos de velocidade intensa
Toda essa variação de modos de combate, infelizmente, esbarra no baixo nível de dificuldade do jogo. Morrer para outros inimigos é praticamente impossível se você tiver o mínimo de cuidado, especialmente no começo da aventura. Em chefes genéricos (e existem vários deles), o único desafio é colar no inimigo e descer o dedo no botão de ataque, para explodir a barra de vida do oponente. Os chefes relacionados à história tem uma inteligencia artificial melhor e variações de movimento mais elaboradas, oferecendo maior desafio, mas os outros são meros sacos de pancada.

Agora, se existe algo que Spark acerta em cheio é em sua trilha sonora. Claramente influenciada pelos jogos da série Sonic, temos um grande leque de estilos, todos executados de forma primorosa. Variando entre o eletrônico ao rock, todas as faixas são excelentes composições que empolgam por si só, e junto com as fases, ajudam muito a criar um clima divertido, casando com a proposta do cenário: uma luta com chefe, um local mais desértico ou um laboratório cheio de corredores.

Por fim, só gostaria de citar um problema quanto a taxa de quadros, que apresentou quedas bruscas nos últimos três estágios do jogo, o que me deixou surpreso e chateado, pois elas dão um “freada” no ritmo do jogo.



Spark the Eletric Jester pega muito dos elementos dos jogos clássicos do Sonic e trabalha com eles de maneiras variadas, com erros e acertos. O game se propõe a trazer muito conteúdo na forma de fases gigantes e mesmo em campanhas com outros personagens, que são liberadas ao terminar o jogo uma vez. Contudo, sinto que se o escopo fosse menor, haveria mais tempo para dar um maior refinamento ao material. Fases menores, mas mais bem amarradas, por exemplo.

Ainda assim, há alguma magia em Spark que faz com que o conjunto da obra seja maior do que a pura soma de suas partes. O protagonista possui um carisma a sua volta muito legal, a sensação de sair correndo pelos cenários é muito boa (o controle preciso ajuda bastante nisso) e a trilha sonora impecável nos trazem ótimos momentos, especialmente se você for fã de Sonic. Os diferentes tipos de armas e movimentos são bem interessantes e podem trazer variações bacanas ao gameplay, se o jogador assim o quiser.

Prós

  • Trilha sonora;
  • Gráficos com um estilo anos 1990;
  • Controles precisos;
  • Sensação de velocidade;
  • Diversas opções de modos de ataque.

Contras

  • Baixo nível de dificuldade;
  • Falta de extras dentro das fases;
  • Falta de polimento no produto final;
  • Inteligência Artificial não muito inteligente;
  • Problemas de performance em alguns pontos do jogo.

Spark the Electric Jester — PC — Nota 8.0

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Flávio Augusto Priori é formado em design de jogos e tenta ganhar a vida com esse negócio chamado video game. Para ele Metal Gear é a melhor série já feita e ainda acredita na volta da SEGA. Escrevia para o saudoso Minha Tia Joga LoL e hoje pode ser achado no Facebook e no Twitter.

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