#Persona20th — Persona 4 Arena & Ultimax (PS3/X360)

A Atlus e a Arc System Works se juntaram para produzir esse misto de spin-off e crossover de luta.

Com a crescente popularidade, a série Persona recebeu vários spin-offs. Boa parte desses jogos foi lançada somente para celulares japoneses e consistiam em aventuras simples ou puzzles dentro da temática do universo da franquia, ou seja, nada muito elaborado ou importante. Isso mudou com o lançamento de Persona 4 Arena: o título, que funciona como uma continuação de P4, é um jogo de luta elaborado que conta também com personagens de Persona 3. Lançado inicialmente para Arcades, o jogo também chegou ao PlayStation 3 e Xbox 360, e depois recebeu uma continuação de nome Arena Ultimax.

Mudando de estilo

P4 Arena surgiu do desejo da equipe de desenvolvimento de Persona de fazer um outro jogo baseado na franquia que não fosse um RPG. Katsura Hashino, o diretor de Persona 4, sempre quis produzir um título de luta baseado na série. Sendo assim, ele entrou em contato com a Arc System Works para propor uma parceria. Hashino escolheu essa desenvolvedora principalmente devido à qualidade da franquia BlazBlue. Dessa forma, uma parceria entre as duas companhias foi formada e Persona 4 Arena foi produzido. A Atlus ficou responsável por construir a trama, enquanto a Arc System Works cuidou dos sistemas de jogo.


Arena é um spin-off por ser um jogo de luta, entretanto, sua história é considerada como parte da saga principal. Os eventos desse jogo se passam logo após o final de Persona 4 (porém, antes do epílogo), quando Yu Narukami retorna a Inaba para visitar seus amigos durante o feriado nipônico da Golden Week. Chegando lá, há um boato de que o Midnight Channel voltou a aparecer. Os personagens decidem verificar se isso é verdade e, para o espanto de todos, realmente o canal voltou.

Para piorar as coisas, no dia seguinte, Rise, Kanji e Teddie desaparecem. Yu e os outros decidem entrar na TV para investigar e acabam presos em um torneio no qual eles têm de lutar entre si. Para deixar as coisas ainda mais estranhas, há uma garota misteriosa e três desconhecidos com a capacidade de usar Personas. Sendo assim, Yu e seus amigos terão de lutar para tentar descobrir o que está acontecendo.


Além de ser um spin-off, P4 Arena é também um crossover, pois traz personagens e conceitos de Persona 3. Os três “desconhecidos” são, na verdade, Akihiko Sanada, Mitsuru Kirijo e Aigis, heróis do terceiro jogo. É interessante ver qual o caminho que cada um seguiu após a conclusão de suas aventuras. Além disso, boa parte da trama gira em torno da androide Labrys, que tem origens na empresa de Mitsuru. Isso tudo, somado aos menus estilosos e à trilha sonora já conhecida, torna P4 Arena bem familiar aos fãs da série.

Personas no mundo da luta

O sistema de luta de Persona 4 Arena pega emprestado conceitos de outros jogos da Arc System Works, o que faz com que o combate seja fluido, rápido e com ênfase em sequências de ataques. Como é de costume dessa desenvolvedora, P4A apresenta gráficos 2D com sprites detalhados e bem animados, o que combina muito bem com a direção de arte estilosa da série. Há quatro botões de ação e as mecânicas foram construídas para agradar vários tipos de jogadores: novatos podem executar combos ao apertar um único botão em sequência, já veteranos podem aproveitar técnicas avançadas como cancelamento de ataques.


Vários detalhes diferenciam P4A de outros jogos do gênero, em sua maioria características dos RPGs da série que foram adaptados para o sistema de luta. O principal deles é a mecânica de Personas, que funcionam como um avatar dos lutadores. Assim como nos RPGs, as Personas só aparecem em ataques específicos, normalmente um golpe mais forte ou lento. A questão importante é que as Personas são bastante vulneráveis: caso o lutador ou a entidade sejam atacados durante a execução de algum golpe, o personagem em questão perderá uma carta de tarô. Cada competidor começa a partida com quatro cartas e sem elas é impossível invocar Personas por algum tempo, o que limita as opções de ataque.

Em Persona 3 e 4, o All-Out Attack é um movimento especial no qual todo o grupo de heróis ataca os inimigos. Uma variação desse golpe aparece em P4A na forma do All-Out Rush, que é uma técnica poderosa capaz de lançar oponentes para longe ou para o ar. O visual tem a tradicional nuvem com onomatopeias e é possível conectar um combo ao final dele sob certas condições. Por fim, alguns ataques especiais podem conferir certos status negativos, como veneno, paralisia e congelamento, o que traz mais opções de estratégia aos embates.


P4 Arena conta com 12 lutadores: Yu, Yosuke, Chie, Yukiko, Kanji, Teddie, Naoto, Aigis, Mitsuru, Akihiko, Elisabeth (de Persona 3), Labrys e Shadow Labrys. Cada um deles tem um modo história próprio com vários finais diferentes de acordo com as escolhas feitas.
Persona 4 Arena é um título peculiar por vários motivos. Este foi o primeiro jogo da série Persona a não receber “Shin Megami Tensei” em seu nome — a Atlus justificou a mudança dizendo que era melhor que ele fosse curto. Esta também foi a única aparição da franquia em um console Microsoft até o momento. Por fim, P4A foi o único jogo de PS3 a ter trava de região por questões comerciais.

Continuação significativa

Persona 4 Arena foi sucesso de crítica e público, chegando a vender quase todo o estoque japonês no seu lançamento. Sendo assim, a Atlus preparou uma sequência, que no Ocidente ficou conhecida como Persona 4 Arena Ultimax. A trama do novo jogo se passa logo após os fatos de P4A e tem como premissa uma estranha névoa vermelha que cobre Inaba. Yu e seus amigos acabam se envolvendo em outro torneio de luta dentro do mundo da TV e, dessa vez, eles terão que derrotar Sho Minazuki, um novo personagem que está coletando fragmentos de Personas.


A base do sistema de luta em Ultimax não foi alterada, contudo, vários balanceamentos e novidades foram adicionados, como a possibilidade de carregar ataques especiais por meio do sistema S-Hold. A maior adição foi o sistema Shadow Types, que traz as versões alternativas dos personagens baseados em suas Shadows. Estes lutadores sombrios têm os ataques alterados, menos opções de defesa e contam com golpes mais fracos. Em contrapartida, há mais opções de ataques e de combos, o que é perfeito para jogadores agressivos. As alterações são bastante significativas, o que tornam os personagens bem diferentes.

Falando em personagens, Ultimax adicionou vários novos lutadores. De Persona 3, tivemos o retorno de Yukari (que agora parece uma Power Ranger), Junpei e Ken & Koromaru (a dupla funciona como um único personagem). Do lado de Persona 4, foram adicionados Rise, Adachi, Marie e Margaret — os três últimos podem ser adquiridos via DLC pago. Sho Minazuki é o único personagem completamente novo e tem uma versão que luta sem Persona.


Um spin-off bem feito

Não é à toa que Persona 4 Arena e sua continuação Ultimax foram um grande sucesso. Ambos os jogos têm inúmeras qualidades e conseguem agradar tanto aos jogadores dos RPGs da série quanto aos fissurados por títulos de luta.

Alguns fãs da franquia provavelmente só jogaram esses títulos por conta do crossover entre Persona 3 e 4. É muito interessante ver como os heróis de P3 mudaram após a história do seu jogo, assim como ver como eles se encaixam no universo de P4. Tudo foi bem pensado e a atmosfera da franquia está bem retratada, com uma história no estilo que já é conhecido pelos fãs.


Como jogo de luta, P4A é excepcional, o que era de se esperar da produtora Arc System Works. Os títulos, principalmente a sua continuação, apresentam inúmeros sistemas e detalhes, o que nos permite montar combinações interessantes, principalmente nas mãos de veteranos de jogos de luta. É notável também o fato de existirem recursos para quem não tem habilidade com o gênero, como o auto combo — basta apertar alguns botões para conseguir executar combos estilosos.

Muitos jogadores ficam preocupados quando são anunciados spin-offs de franquias consagradas. Entretanto, Persona 4 Arena e Persona 4 Arena Ultimax provaram que basta ter cuidado e esmero para produzir uma experiência de qualidade.

Revisão: Érika Honda
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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