Blast Test

Gwent (Multi) é jogo de cartas estratégico e divertido

“Filhote” de The Witcher 3: Wild Hunt se torna jogo próprio, mas não exclui aqueles que não conhecem a série.

Na E3 desse ano tivemos a grata surpresa que a CD Projekt Red irá tornar Gwent, jogo de cartas do universo de The Witcher, em um título independente. Após alguns meses de espera, no último dia 24 de outubro finalmente teve início o período de Beta fechado, para PC e Xbox One. O jogo também será lançado para PlayStation 4, onde só estará disponível a partir da fase aberta da versão Beta.


Tendo acesso a essa fase de testes fechado, durante essa última semana tive a oportunidade de conferir os primeiros momentos do card game da CD Projekt. Já devo avisá-los que não cheguei a jogar The Witcher 3: Wild Hunt, por isso, esse é meu primeiro contato com Gwent. Dessa forma, não poderei dizer muito das diferenças da primeira versão para essa. Minhas impressões são as de alguém novo na área. E já adianto que, mesmo não conhecendo muita coisa do universo de The Witcher, tive uma boa experiência com o jogo de cartas.

Tabuleiro de Gwent, no começo de uma partida
Mesmo ainda em fase de beta fechado, a primeira impressão com Gwent é a de um jogo já bem acabado e polido. Ao iniciá-lo pela primeira vez, você é conduzido ao tutorial, o que recomendo muito a ser feito, já que as regras deste título são diferentes do tradicional “bater no inimigo”, como acontece em jogos como Magic ou Hearthstone, por exemplo.

Com um baralho que pode ter entre 25 e 40 cartas (isso você irá definir ao montar o deck), seu objetivo é juntar mais pontos no seu lado do tabuleiro do que seu oponente em uma série melhor de três rodadas. Esses pontos são a somatória das forças individuais de todas as criaturas que você tiver em campo. Não existe ataque direto a pontos de HP.

Nessa hora você me pergunta: “Mas quando a rodada acaba?”. É aíque está a essência da estratégia de Gwent. Cada jogador inicia a partida com 10 cartas. No começo da segunda rodada, se recebe mais duas cartas e, no começo da terceira, só mais uma. Assim, não adianta gastar todas suas cartas para vencer a primeira rodada e não ter o que usar na sequência do jogo. A qualquer momento você pode passar sua vez, abdicando de jogar cartas até o final da rodada. Quando ambos os jogadores passam ou ficam sem cartas, acaba a rodada.

Ter a noção de quando parar é essencial em Gwent. É preciso equilibrar suas jogadas com as do seu oponente, e saber a hora de forçar a mesa ou não. Você pode ter um começo forte, para garantir um ponto ou forçar seu oponente a gastar mais cartas; por outro lado, se estiver perdendo é preciso pensar se vale a pena buscar a virada ou desistir de uma rodada para conservar mais cartas para a sequencia da partida. Tudo depende da sua leitura do confronto. Outro detalhe importante: ao final de cada rodada, as cartas do tabuleiro são descartadas.

Nesse ponto, joguei uma carta de Geada, que afeta a fileira corpo a corpo. As cartas do oponente tiveram sua força reduzida para 1. Já as minhas, como já possuíam 1 de força, não foram afetadas. 
Falando no tabuleiro, cada lado da mesa é dividido em três fileiras: corpo a corpo, longa distância e cerco. Via de regra, cada carta só pode ser colocada em uma única fileira (existem algumas exceções). O grande impacto dessa mecânica são as jogadas que podem afetar um setor inteiro. Posso citar aqui as cartas de clima, por exemplo. Ao jogar Névoa, tanto minha fileira de longa distância quanto a do oponente são afetadas (no caso, todas as criaturas têm sua força reduzida para um ponto). Posso tirar proveito disso se meu deck tiver um foco maior em criaturas de cerco e corpo a corpo, ou tenha criaturas que se beneficiem desse status.

Gwent traz quatro facções, que simbolizam quatro tipos diferentes de baralho: Skellige, Monstros, Reinos do Norte e Scoia’tael. Cada uma delas tem habilidades e cartas específicas. Cada baralho tem uma carta de "herói", que sempre tem habilidade única. Na imagem abaixo, por exemplo, Eredin comanda meu deck de monstros, mas eu poderia trocá-lo por outro personagem, desde que eu tenha a carta específica. Uma quinta facção, Nilfgaard, deverá vir no futuro, mas ainda não há previsão de data.

Interface de criação de decks. Como as compras de cartas são limitadas durante a partida, um baralho menor aumenta a chance de conseguir uma carta.
Como citei no começo do texto, Gwent já tem um aspecto de jogo bem finalizado. Em seus modos, é possível buscar partidas on-line (algo que funcionou sem problemas para mim), jogar com amigos ou treinar contra o computador. Também é possível montar seus próprios decks e criar cartas através de materiais que você ganha ao final de cada partida. Para os interessados, a loja interna do jogo já está funcionando, sendo possível comprar pacotes de cinco cartas com dinheiro real (somente na versão PC), ou com minério, a moeda interna do jogo. No site oficial, a desenvolvedora afirmou que, caso seja necessário reiniciar os servidores, pacotes comprados serão devolvidos aos jogadores na mesma quantidade.

Um detalhe que merece destaque é que o jogo está todo em português do Brasil, inclusive com vozes dubladas. O trabalho, pelo que notei nesses primeiros dias, está muito bom.

Os pacotes de cartas são chamados aqui de Barris. Além da localização, os preços já estão na nossa moeda.
Minha única crítica até o momento fica por conta de alguns aspectos da interface da partida. Um histórico das últimas cartas jogadas ajudaria bastante em alguns momentos, principalmente quando o oponente joga algum feitiço. Outra observação é logo no começo da partida, na fase de descarte. Acredito que seria melhor visualizar todas as cartas ao mesmo tempo, como acontece em Hearthstone, ao invés de ir passando por elas.

De qualquer forma, Gwent como um jogo por si só tem um início bastante promissor. Ele não traz mecânicas triviais, exigindo um pouco mais do jogador para entender o funcionamento da partida, mas isso não é ruim. Após se entender o básico, ele é um jogo bem divertido, com um leque bem grande de estratégias e diferente de outras opções que existem por aí.
Por estar em Beta fechado, é preciso receber uma chave para ter acesso ao Gwent. O registro para tentar receber uma key pode ser feito no site oficial do jogo.
Revisão: Pedro Vicente
Flávio Augusto Priori é formado em design de jogos e tenta ganhar a vida com esse negócio chamado video game. Para ele Metal Gear é a melhor série já feita e ainda acredita na volta da SEGA. Escrevia para o saudoso Minha Tia Joga LoL e hoje pode ser achado no Facebook e no Twitter.

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