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Análise: God Eater 2: Rage Burst (Multi) — É um raso e divertido jogo de caça

Monstros, armas gigantes e muita caça.


Tento sempre dizer que sou um desses entusiastas de jogos de caça, e como God Eater 2: Rage Burst (Multi) pareceu um jogo com potencial, resolvi dar uma chance. Arrumei outros dois amigos, parti para caçar monstros gigantes e descobrir se o negócio funcionava tão bem quanto parecia mesmo.

Devorando Aragamis

A premissa do jogo é bem simples, você é um membro de uma organização que se dedica a matar Aragamis (os monstros), e como tal, deve partir em diversas missões para interromper ameaças. Sendo um jogo de caça, você pode se juntar com até 3 amigos (com um máximo de quatro pessoas) e partir em aventuras para coletar partes de Aragami e ficar cada vez mais forte. Além do óbvio de prosseguir na história.

Há 15 ranks de caça que você pode subir e obviamente, quão maior, mais difícil o desafio será. Como é um jogo de caça, pode esperar várias classes de armas e customizações para deixar o seu personagem tal qual seu estilo de jogo. Eu particularmente adorei usar a espada longa e o martelo, sendo respectivamente, uma arma cortante e outra contundente.



Por falar nisso, há toda essa profundidade atrelada ao combate. Alguns inimigos são fracos contra cortes, outros contra contusões, além de aos outros quatro elementos do jogo: fogo (blast), gelo (frost), raio (spark) e divino (divine). Isso cria toda uma gama de preparação antes de entrar na missão, qual arma devo usar, quais melhorias, e assim vai. Tornando as coisas mais dinâmicas.

Tendo jogado com mais dois amigos, toda essa sensação de progressão na caçada foi bem divertida e desafiante. Apesar do seu início lento e fácil, após o rank 6 o jogo dificulta um pouco e torna tudo muito melhor. Há mais Aragamis no cenário, as missões são maiores e principalmente, as recompensas são melhores. Meu time sempre tentava se adaptar aos desafios que o jogo propunha e tudo era muito bacana, fazendo realmente valer ainda mais a pena jogar com um grupo de amigos.
Há uma tonelada de equipamentos cosméticos.




O jogo também oferece uma gama bem grande de bestas derrotáveis, desde os mais simples aos mais imponentes. Por sinal, uma das coisas que mais gosto do jogo são os designs de criaturas, pois mistura de certa forma uma fantasia medieval com futurista, trazendo monstros bem legais e únicos.

Para além disso, cada um exige certa estratégia para ser caçado, e em grandes dificuldades, quando aparecem dois ou três ao mesmo tempo, exigindo coordenação e boas táticas, ou então a falha do grupo é certa. As mecânicas acabam funcionando muito bem. Outra coisa que devo citar é a qualidade do Online do jogo. Ele simplesmente não trava, não há lag, é excelente. Pelo menos a minha experiência com ele foi assim, e olhe que minha internet não é lá das melhores.


Narrativa (ou a falta dela)

Já que joguei o God Eater original no PSP há eras atrás e me lembro de ter gostado razoavelmente de sua história, que era um pouco mais sombria do que a maioria dos jogos desse gênero, esse era um ponto que eu estava curioso.

Basicamente, seu personagem é membro da Unidade Sangue (Blood Unit), um grupo afiliado à Fenrir, a organização central de pesquisa e caça de Aragami. Seu objetivo é descobrir o que está causando uma pandemia fatal chamada Peste Negra (Black Sickness) e além de você, outros 5 membros compõem a unidade: Gil, Nana, Ciel, Romeo e Julius. Membros estes que você pode levar também em missões.



Desde personagens à suas histórias de origem sem graça, o jogo falha em mostrar momentos em que eu realmente me importasse com o que estava acontecendo, apesar de gritar na minha cara isso o tempo todo. Eram cenas forçadas de mortes de personagens sem uma boa escrita e boa atmosfera por trás, péssimos diálogos e interações, e por aí vai. Eu realmente não conseguia me importar com a história, talvez por ser apenas pano de fundo para a intenção real do jogo, que é a caça e grind (jogabilidade).

De qualquer forma, o primeiro jogo da série no PSP tinha personagens muito mais cativantes e interessantes, além de uma narrativa bem mais convincente. Então é algo que realmente deixou a desejar, mas também não posso dizer que é uma surpresa, dado os jogos do gênero.


Gráficos e música

Sendo algo mais estilizado e voltado para um estilo anime, God Eater possui visuais muito bons para um tipo de jogo que faz de sua casa os portáteis. Claro, os gráficos não são dos mais bonitos da indústria, mas para seu nicho, agradam. Porém, uma das coisas que me incomodaram bastante, mas que eu até entendo o porquê, é a qualidade de certas texturas e a falta de novos cenários, pois pasmem, há cenários no jogo atual iguais aos que eu joguei no primeiro jogo no PSP. Pois é.

Já na parte das texturas, é exatamente o que parece. Por ser uma versão expandida de um jogo já lançado no Japão para portáteis, muitas texturas estão em baixa qualidade, o que constrasta muito mal com outras texturas melhoradas e isso tira um pouco a consistência da beleza dos mapas. Em um lugar a grama é legal, mas o chão não, em outro a parede é legal mas a pilastra não e assim por diante. Há sempre essa inconsistência.

Para além de um reuso de cenários, isso também acontece com os monstros. Claro, isso não é tão cansativo pra mim, que não joguei até a exaustão o primeiro título, mas imagino que possa afastar um jogador mais veterano na franquia. O que é por si só um problema, há menos conteúdo realmente novo do que deveria.

A música e sons no geral possuem outro problema muito grave: são de baixíssima qualidade. Quando digo qualidade, não é num sentido de gosto, e sim na qualidade em si do áudio, que em momentos parece mais aquele somzinho saído da caixinha de som do meu PSP de seis anos atrás. Isso ocorre principalmente em CGs e diálogos em missões, e é perceptível que o áudio não foi melhorado da edição comum de God Eater 2 (PSV), para o Rage Burst (Multi) em plataformas atuais. Algo bem incômodo.


Veredito

Se você gosta de jogos de caça e tem apenas um PC ou plataformas PS, eu altamente recomendo God Eater 2: Rage Burst, principalmente para jogar com amigos. O jogo possui mecânicas de combate e customização profundas o suficiente para manter o jogador engajado e suas falhas são meio que relativizadas perto da diversão do produto num geral.

Basta ter a noção de que por ser um port de um jogo de portátil para plataformas com potenciais gráficos melhores, existem suas imperfeições. O jogo sofre de problemas em texturas e áudio, mas é algo que incomoda apenas em momentos isolados da jogatina. Um jogador que procura um jogo mais voltado para o que ele oferece dificilmente não vai se sentir convidado e satisfeito.

Prós:

  • Várias missões;
  • Grande quantidade de equipamentos para customização;
  • Design de monstros é bem legal;
  • Jogar com os amigos é super divertido;
  • Modo online funciona muito bem;
  • Boas mecânicas de combate.

Contras:

  • Problemas de texturas e áudio;
  • Muita reutilização de conteúdo do primeiro jogo;
  • Narrativa e personagens rasos.
God Eater 2: Rage Burst (Multi) — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PS4  
Pedro Gusmão aprecia bons jogos independente de plataforma e gênero, mas tem um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Aficionado por temas fantásticos, adora passar seu tempo livre escrevendo e enfrentando seres mitológicos em videogames.

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