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Análise: Homefront - The Revolution (Multi) não é um shooter revolucionário

Segundo jogo da série Homefront possui uma bela ambientação, porém não agradará aos fãs.


Após mais de cinco anos de espera e um adiamento desde Homefront (Multi), finalmente Homefront: The Revolution (Multi) veio à tona. Para quem não conhece a criação original da THQ, é um shooter em primeira pessoa que se passa em futuro distópico, no qual os EUA são dominados pela Coreia unificada (ou somente Coréia do Norte na nova versão).

Quem quer ficar com Homefront

Como outras propriedades intelectuais que pertenciam à falecida THQ Studio, a série Homefront passou por muitos momentos de incerteza até ser comprada pela Crytek. A partir daí o jogo foi desenvolvido pela sua subsidiária, que começou a desenvolver Homefront: The Revolution, mas problemas financeiros forçaram a franquia a ser vendida novamente, agora para a Deep Silver. Complicado, não?

A razão de eu ter resgatado todo este assunto é mostrar o trajeto conturbado pelo qual a série passou, explicar algumas mudanças, como a extinção do modo PvP e, enfim, como isso pode ter afetado desenvolvimento do jogo, que provavelmente não agradará a todos, principalmente aos fãs do primeiro título, devido a essa exclusão.

The American Way of War

 Os acontecimentos de Homefront: The Revolution se passam no ano de 2029, quatro anos depois da ocupação dos EUA pela Coreia. A cidade da Filadélfia, uma vez berço da independência dos Estados Unidos, tornou-se um ambiente fortemente policiado e opressor. Os civis vivem com medo do exército coreano, que ocupou vários distritos da cidade. Enquanto a rebelião está sendo abafada, a resistência cresce fortemente, sendo liderada por Jack Parrish e Dana Moore. Você encarna o novato Ethan Brady, e seu objetivo é formar uma nova resistência e retomar o controle da Filadélfia.

Apesar deste resumo bastante instrutivo, a história do jogo é um pouco confusa, pois ela é consequência dos fatos ocorridos no primeiro game.

Chorando com o CryEngine 

Homefront: The Revolution foi desenvolvido em CryEngine, a mesma ferramenta utilizada na criação de Crysis 3 (Multi), jogo que foi por muitos anos foi referência em questão de gráficos de ponta. Em outras palavras, o cenário é visualmente sensacional. Mesmo assim, em suas cinematics o game insiste desnecessariamente em misturar CGs com cenas de filmagem reais para tentar impressionar seu público.

Os NPCs também não estão nada mal, apesar de possuirem uma paleta de cores aquarelada; os rostos dos personagens possuem leves expressões faciais, nada tão complexo quanto L.A Noire (Multi) e ao recente Quantum Break (PC/XBO), mas ainda impressionante.
Há três tipos de áreas no jogo que são representadas pelas cores vermelha, amarela e verde. A primeira corresponde à zona mais afetada pela guerra, onde existe uma forte presença da KPA (pessoas do exército coreano) e a presença de americanos não é tolerada. A segunda, mesmo sendo dominada pelo exército coreano, é bastante transigente, ou seja, a violência só é usada quando há anarquia ou suspeita de rebeldes. A última, ao contrário do que parece, não é uma zona livre de invasores, mas sim onde se encontram os membros mais importantes do alto escalão coreano. Geralmente são grandes fortalezas com uma rígida segurança. Sua jornada começa em Elmtree na periferia da Filadélfia, que é considerada uma área vermelha.

O futuro da América

Um dos principais conceitos do jogo consiste em convencer as pessoas que habitam as áreas amarelas a se revoltarem contra os invasores. Isso ocorre através de pequenos gestos e atividades como salvar civis, dar dinheiro para mendigos, ligar rádios na frequência dos rebeldes e liberar algumas localidades. Não apenas é interessante como também é atual, ainda mais quando nos lembramos do momento político delicado pelo qual estamos passando.

Além do que, a experiência de caminhar sobre este tipo de área é incrível, não apenas por causa dos gráficos, mas organicidade do lugar. Em bairros como Earlston, por exemplo, vemos desde famílias jogando beisebol e um discreto comércio, até cidadãos revoltadas vandalizando a cidade e, muitas vezes, sendo reprimidos violentamente pela KPA.

Sobrevivendo em uma Filadélfia sitiada

Apesar de certa tolerância, as áreas amarelas continuam sendo perigosas, principalmente para um rebelde procurado, como Ethan Brady, e é aí que jogo brilha novamente, distinguindo-se por suas mecânicas de stealth (furtividade) e armamento, que são desenvolvidos de forma original e aprimorada.

Diferente do que habitualmente ocorre, não é necessário que você mantenha seu personagem abaixado ou que você aperte qualquer outro botão para acionar o modo furtividade, basta se misturar à multidão e agir normalmente e, é claro, não ficar próximo a câmeras e soldados inimigos. Em outras palavras, o game apresenta uma mecânica de stealth mais simples e, ao mesmo tempo, crível.

Durante a realização de missões, entretanto, até mesmo o melhor dos jogadores irá se deparar com situações nas quais o conflito será inevitável e, para deixar a situação ainda mais tensa, o sistema de combate também é bastante realista, permitindo-lhe carregar apenas duas armas de cada vez, o que à primeira vista parece lhe deixar em desvantagem.

Novamente é aí que entra a criatividade da Crytek, que introduziu um novo sistema de customização de armamento 3 em 1. Isso quer dizer que uma mesma arma pode ser desmontada e remontada em poucos segundos, dando origem a outras duas novas ferramentas bélicas.

Com um excelente plot, gráficos de ponta e mecânicas aprimoradas, o game tinha tudo para dar certo e ser um dos grandes destaques deste segundo semestre, certo? Errado!

Como todos devem saber, umas das principais características dos bons jogos de mundo aberto é a distribuição de atividades pelo mapa, sejam estas missões, tesouros, colecionáveis, disputas, entre outros entretenimentos que justifiquem a escolha deste estilo. De fato, Homefront possui esses elementos, porém, apesar de algumas poucas variações, suas atividades são repetitivas e nada originais.

Neste quesito, The Revolution parece ter uma forte influência dos jogos de mundo aberto da Ubisoft, como Far Cry e Assassin’s Creed. Suas principais atividades são o hackeamento de dispositivos EPCs e a liberação de Fortalezas. A primeira se assemelha muito à escalada de torres, que tem como objetivo tornar todos os elementos do mapa visíveis. A segunda não se deu nem ao trabalho de mudar o nome e consiste em invadir e dominar uma localidade fortemente armada para que, posteriormente, esta se torne um ponto de viagem rápida.

Outro problema é a ausência do modo multiplayer PvP, um dos grandes destaques do primeiro título da série, falta que poderá desagradar aos fãs da franquia. Em contrapartida, houve um foco maior na campanha single player que, diferente do primeiro título, que possuía uma breve duração, rende agora mais de 20 horas de jogatina.

Existe também uma campanha exclusivamente cooperativa com 19 missões para até quatro jogadores online. Infelizmente, muitas pessoas estão tendo dificuldades de encontrar companheiros de jogatina. Não se sabe muito bem o motivo do ocorrido, mas provavelmente é pelo fato do modo single player ser muito mais atrativo.

Como se isso não fosse o bastante, o jogo foi lançado com alguns bugs preocupantes, como problemas que impediam sua inicialização e forte oscilação de desempenho, que faz com que em alguns momentos o game corra a menos de 20fps, o que torna a jogatina impraticável.

Nem tão revolucionário assim

Homefront: The Revolution não agradará a todos, principalmente aos fãs série, por ter posto fim ao modo PvP e se focado quase que inteiramente no modo single player. Além disso, mesmo neste modo, todas as atividades, com exceção das missões principais, rapidamente se tornam entendiantes e repetitivas. Apesar de alguns problemas, o jogo apresenta excelentes gráficos em Cryengine, uma ótima ambientação, além de adicionar novas mecânicas. Assim, recomendo o game a todos que apreciam jogos de mundo aberto e uma boa história.

Prós

  • Belos gráficos desenvolvidos em CryEngine;
  • Ótima ambientação;
  • Novas mecânicas de stealth e customização de armas;

Contras

  • Ausência do modo multiplayer PvP;
  • Atividades repetitivas;
  • Bugs e problemas de desempenho. 
Homefront: The Revolution — PC/PS4/Xbox One — Nota 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Peter Barros
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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