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Análise: Way of the Samurai 3 (Multi) revive os tempos da honra e da espada

Encarne o papel de samurai sem mestre e trilhe o seu próprio caminho no período Sengoku.




Way of the Samurai 3 (Multi) é um jogo de ação com elementos de RPG e mundo aberto, criado pela Acquire e lançado para PC em 23 de março de 2016, oito anos após seu lançamento para PlayStation 3.

Curiosamente, sua sequência, Way of the Samurai 4 (PC/PS3), foi lançada um ano antes, sendo essa uma aposta da distribuidora Ghostlight.

O caminho do samurai

“Honra é a maior virtude de um samurai. Você morre com ela ou vive tempo suficiente para perdê-la”. Com esse prelúdio, vou lhe contar a história de um ronin, samurai sem mestre que, durante a guerra civil que assolou o Japão no período Sengoku entre os séculos XV e XVII, sobreviveu à batalha de Amana — região fictícia onde se passa o game — e se viu tendo que viver sob o domínio de seu inimigo.

Diante das bifurcações do destino, de um lado, o senhor feudal oprimindo e explorando os camponeses cruelmente; de outro, os bandidos remanescentes de um antigo clã samurai tentando derrubar o regime opressor e resgatar a honra há muito perdida; no meio, encontra-se a plebe oprimida e desesperada, cansada do derramamento de sangue. Qual caminho você deverá trilhar é a proposta de Way of the Samurai 3.

Sem uma história linear, você escreve seu próprio destino através de ações e diálogos que impactam o game de forma irreversível, trilhando o caminho em direção aos 22 finais diferentes — 28 contando os créditos diferenciados —, seja morrendo com honra, salvando o povo ou se tornando o maior assassino do Japão.

Socializando em Amana

Ao longo do game, muitos diálogos irão se desenrolar e serão fundamentais para o entendimento da trama. Quase todos possuem opções de respostas. Quando essas aparecem, sempre oferecem três opções. Algumas conversas podem ser revertidas, retomando-a com o NPC no dia seguinte. Porém, há diálogos que afetam o desenrolar da história de maneira irreversível até que se complete o game e se inicie uma nova partida.

Além das opções de respostas padrão, alguns diálogos possuem duas opções adicionais: sacar a espada, respondendo agressivamente àquela situação geralmente resultando em combate, ou curvar-se, prostrando-se em respeito e gerando um desfecho pacífico ou humilhante.

Há muitos fatores que interferem na socialização dentro do game. Um deles é o ciclo circadiano, afetando determinados locais para que sejam movimentados durante o dia e pacatos — se não perigosos — durante a noite. Alguns NPCs só aparecerão em dias múltiplos de cinco, e outros só aparecerão após tantos dias de jogo. Também haverá NPCs que só surgirão em seu caminho após determinados eventos.

A sua honra estará em jogo a todo momento. Executar ações desonrosas fará com que as pessoas o repudiem e fujam. Seu nome será conhecido por toda Amana, mas de um jeito que você não gostaria — pelo menos não deveria gostar.

A lâmina mais rápida do Japão

As lutas em Way of the Samurai 3 são fluídas e frenéticas, fazendo valer a lei do saque mais rápido: aquele que empunhar a espada primeiro tem uma enorme vantagem sobre o adversário. No game, você é livre para atacar qualquer NPC, desde idosos a crianças. Entretanto, graças ao bom senso, as crianças do jogo não morrem, apenas saem correndo.

Toda essa liberdade tem um preço: a desonra. Atacar pessoas inocentes ou desarmadas fará com que você seja um criminoso e, assim que os guardas o avistarem, irão enfrentá-lo. A sua reputação será essencial para a aquisição de pontos samurai, que servem para desbloquear itens cosméticos para o personagem no final do game. Assim sendo, mesmo que você tenha total liberdade para atacar qualquer NPC, isso trará um impacto significativo à sua jornada.

Diferente de muitos RPGs, em Way of the Samurai 3 você não progride o personagem em si, mas as armas que ele usa. O jogo possui mais de 102 armas únicas, entre espadas e lanças, divididas em oito estilos de luta — nove, se contar o combate desarmado —, cada um contendo seus próprios combos. Quanto maior o nível da arma, maior será sua eficiência.

Com nove estilos de luta à sua disposição, você contará com uma infinidade de golpes majestosos para derrotar seus inimigos, sendo este um grande atrativo do jogo. Vale ressaltar que os adversários utilizam os mesmos golpes que o jogador, gerando um grande equilíbrio no combate e, muitas vezes, nos fazendo pensar estrategicamente.

Se você é um jogador cansado de sangue e morte, há a opção de usar o blunt attack, fazendo com que o personagem ataque com a lâmina invertida — como Kenshin Himura, do mangá Samurai X —, poupando a vida de seus inimigos e levando-os à desonra.

Além das 102 armas únicas, o jogador poderá manufaturar sua própria arma no ferreiro por meio de itens encontrados no mundo ou deixados por inimigos derrotados. O processo de fabricação das armas traz infinitas possibilidades, tanto no poder da arma quanto em sua estética, sendo possível escolher as quatro partes que a compõe: cabo, lâmina, guarda-mão e pomo (contrapeso).
Reza a lenda que a cada golpe desta espada uma análise é publicada.

Pontuação do Samurai

Ao fim de cada partida, serão contabilizados os pontos samurai, uma pontuação acumulativa que irá recompensando-o com a liberação de itens cosméticos, tais como rostos, roupas e novas dificuldades de jogo, entre outros. Para desbloquear todos os recursos, será necessário obter 10.000 pontos.

Os pontos serão contabilizados de acordo com o título obtido ao longo da partida — existem 50 títulos disponíveis — e os 22 finais diferentes não interferem nessa pontuação. Executar ações negativas será penalizado com a perda desses pontos.

Ao todo, serão liberados sete estilos de rostos, 17 estilos de roupas, 25 acessórios e a possibilidade de adquirir a aparência de 140 NPCs — derrotando-os com blunt attack —, além das dificuldades Hard e Instant Kill.
Exemplo de customização para o seu samurai.
A dificuldade Instant Kill é a que mais se assemelha à realidade. Como o próprio nome sugere, basta apenas um acerto para o combate acabar. Dentro deste contexto, quem acertar o primeiro golpe é o vencedor. Engana-se quem acha que essa dificuldade é fácil, pois, durante o combate, é preciso saber utilizar a defesa e revidar no tempo certo.
Uma vez desbloqueados todos os recursos, você nunca mais os perde, não importando o quanto baixe sua pontuação. A partir deste momento do game, não há mais a preocupação de fazer tudo conforme a honra exige. Por muitas vezes, o jogador pode se tornar um assassino sem escrúpulos, botando o terror por onde passa — sim, eu fiz isso.
10.000 pontos são necessários para desbloquear todos os bônus.

Um mapa cheio de eventos

Ao iniciar o game pela primeira vez, o jogador ficará completamente perdido. Isso se dá pelo fato de não existirem indicações para onde ir — como minimapa ou registro de missões —, restando ao jogador explorar o mapa até algo acontecer. Eu só fui descobrir as suas mecânicas após 10 horas de jogatina.

Way of the Samurai 3 possui uma mecânica envolvendo eventos. Para que a história prossiga, é preciso ir até o mapa marcado com um evento. Sendo assim, o jogador só tomará conhecimento disso se ficar abrindo o mapa constantemente. Além de o mapa mostrar os eventos, ele funciona como um fast travel, tirando toda a necessidade do jogador de andar de um mapa a outro, quebrando todo o clima do jogo.

Por conta dos eventos, é possível terminar o game sem muito esforço, tanto que algumas conquistas estão relacionadas a feitos mínimos, tais como: terminar o jogo em menos de uma hora, sem matar ninguém e iniciando menos de cinco diálogos com NPCs.

Se por um lado os eventos são interessantes por desvendar a trama, por outro, destrói toda a dinâmica do game, fazendo com que suas ações ao decorrer do mesmo fiquem sem valor. A qualquer momento da partida, você poderá abrir o mapa e escolher encerrar a jogatina, viajando para fora da região de Amana. Desta forma, você ganhará os pontos samurai conquistados até o momento e deverá iniciar uma nova partida para continuar jogando.

Parceiros até que o descaso os separe

Ao longo de sua jornada como samurai, você encontrará pessoas que estarão inclinadas a segui-lo, mesmo querendo matá-lo antes disso. Ao todo, são 14 parceiros dispostos a lutar pela sua causa, porém, só é possível que um o acompanhe por vez.

Cada parceiro possui benefícios e malefícios que irão ajudar ou não em sua jornada. Alguns carregam suas espadas, mas fogem do combate; outros lutam ao seu lado, mas quebram suas espadas; outros gerenciam suas finanças, acrescentando ou roubando.

Os parceiros são NPCs únicos: alguns são samurais habilidosos, outros são camponeses com sentimentos maternos, e ainda há aquele que é louco por gatos — ou pensa ser um —. Para conquistá-los, será preciso cumprir exigências diversas, seja andar com pouca vida ou implorar por misericórdia.

Apesar dos benefícios e malefícios que cada um traz consigo, a verdade é que a maioria deles são lentos e muitas vezes não irão ajudá-lo em nada, pois sempre ficam para trás. Sem contar que a existência deles no jogo não afeta em nada a jogabilidade ou o final do game, sendo possível jogar o game pro resto da vida sem nunca precisar de um parceiro.

Teria sido melhor fazer um remake para PC

O jogo possui um grande potencial, uma história cativante e uma jogabilidade divertida, porém, teria sido melhor ter deixado o jogo parado em 2009. É um jogo que vale experimentar por ser bacana, mas em 2016 os jogadores estão exigentes, principalmente os usuários de Master Race.

A única opção gráfica disponível diz respeito à resolução da tela, e a máxima permitida é a Full HD (1920x1080). Por mais potente que seja seu PC, você irá jogar vendo imagens serrilhadas. O jogo é de 2008, mas estamos em 2016, então eles deveriam ter feito um remake compatível com a tecnologia disponível.



Sem contar que a compatibilidade com o PC não funcionou muito bem nos comandos. Sendo lançado para PC, é de se esperar que ele funcione com os periféricos básicos, mas não é o que acontece com o mouse.

Por default, o mouse executa os comandos de ataque fraco, ataque forte e defesa, além de orientar a câmera, mas a combinação de seus botões — necessárias para execução de movimentos especiais — não funcionam, apenas quando executados no teclado.



Outro detalhe que me incomodou foi o mapeamento dos comandos no teclado, fugindo dos padrões adotados ao longo dos anos. É normal em um jogo de ação, em que se controla o personagem pelos botões W, A, S, D, que o Space faça o personagem pular; no default de Way of the Samurai 3, isso não acontece: o pulo fica por conta do Backspace.

O game é jogável, mas para isso eu tive que remapear quase todos os comandos. O que incomoda muito, principalmente quando se termina de instalá-lo e está naquela fissura para jogar.



Um jogo sem fim… Só que não.

Way of the Samurai 3 é um jogo que entretém. O jogador fica curioso para descobrir todos os possíveis finais, além de ser instigado a explorar o máximo o que o jogo tem a oferecer, como realizar as inúmeras conquistas, que vão desde conseguir as 102 armas a 1.000 NPCs mortos em uma única partida, por exemplo.

O fato de poder recomeçar o jogo com os itens da partida anterior é um atrativo ao replay, porém, chegará uma hora em que o jogo se tornará enjoativo e talvez você até o desinstale do PC. Por mais que seja divertido encarnar o samurai e ter liberdade para matar quem quiser, faltam atrativos que façam o jogador querer passar mais tempo em Amana.

Sendo assim, encerro com os dizeres: “Ou você joga tempo suficiente para guardar na memória como um bom jogo, ou irá criticá-lo para o resto da vida”.


Prós

  • História envolvente e cheia de mistério;
  • Liberdade de ações e escolhas de caminhos;
  • Grande variedade de armas e estilos de luta.

Contras

  • Má adaptação para o PC;
  • Jogo curto e repetitivo.
Way of the Samurai 3 — Multi — 6.5
Revisão: Henrique Minatogawa
Capa: Diego Migueis
Douglas Fubarion Marciano escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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