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Análise: Danganronpa 2: Goodbye Despair (Multi) — menos Desespero e mais expectativa

O segundo game da série Danganronpa torna sua experiência ainda melhor.

Os fãs de Danganronpa mal tiveram tempo de respirar e já foi lançado Danganronpa 2: Goodbye Despair (Multi) para PC. Isso é ruim? Definitivamente não, isso é duplamente bom, primeiramente pelo anseio de que o segundo título responda a diversas questões que foram deixadas em aberto em Danganronpa: Trigger Happy Havoc (Multi) e também pela esperança de que o terceiro game da série seja lançado não apenas para PS Vita e PS4, mas também chegue à Steam.


Para aqueles que ainda não conhecem, Danganronpa é uma série de Visual Novels (Romances Visuais) envolvendo mistério e investigação. Além de jogos, a franquia conta ainda com mangás, lightnovels e um anime.

Hello Jabberwock

Em Goodbye Despair acompanhamos um novo protagonista, Hajime Hinata, um dos 16 estudantes selecionados para estudar em um dos colégios mais cobiçados do Japão. O problema é que em seu primeiro dia letivo, ao se aproximar dos portões do colégio, você perde a consciência, e ao despertar descobre que está em uma ilha turística isolada chamada Jabberwock.

Não demora muito para que Usami, uma coelha de pelúcia metade branca, metade rosa, surja e lhe explique que tudo aquilo se trata de uma viagem escolar de férias, cujas únicas regras envolvem convívio pacífico e a permanência na ilha. Tudo vai muito bem, até o retorno do manipulador Monokuma e seus jogos mortais. Agora é só uma questão de tempo para que os estudantes se voltem uns contra os outros e ocorram os primeiros assassinatos.

À primeira vista a história poderá decepcionar aqueles que concluíram o primeiro jogo e desejavam finalmente descobrir se Monokuma estava ou não blefando em relação à Tragédia e quais as implicações de tudo o que ocorreu em Hope’s Peak. Se você é um destes jogadores pode ficar tranquilo, pois, primeiramente, dentre os estudantes temos o retorno de Byakuya Togami, o Ultimate Affluent Progeny (“super-herdeiro”), que revela aos demais estudantes uma pequena parcela daquilo que experienciou com Monokuma.

Desta maneira, desde o início do jogo fica claro que a história de Danganronpa 2 é uma continuação direta do primeiro título, o que com certeza é atrativo aos fãs, mas pode afastar os novos jogadores, uma vez que o ritmo inicial da narrativa é bastante acelerado, podendo ser bastante confuso para alguns.

O importante é se manter em movimento

Cada desenhista tem um traço característico e em Danganronpa 2 isso fica muito evidente, porém no sentido negativo. As personagens femininas são o melhor exemplo disso: as expressões faciais de algumas personagens são muito semelhantes umas das outras, como, por exemplo, Sonia Nevermind cuja a face é idêntica a Aoi Asahina, personagem do primeiro jogo da série. Isso mostra, em certa medida, deficiência e limitação por parte do artista.

Apesar disso, houve alguns avanços em relação aos gráficos, principalmente com relação ao cenário, que deixou de ser estático e agora possui alguns elementos dotados de movimento como a água e animais. Esse tipo de coisa pode parecer banal, mas transmite mais vivacidade ao ambiente e o destaca perante outros jogos do gênero.

Desespero 

Diferentemente do primeiro jogo, a tela (o ecrã) agora está repleta de informações como o nível do personagem, capítulo da história e nome da música que toca ao fundo. Estes elementos, apesar de interessantes, nem sempre são essenciais para o desenrolar das partidas, além de serem muitas vezes incômodos ao olhos por ofuscar parte do cenário.

Os problemas relacionados ao ecrã não se limitam à poluição. Quem já teve contato com Trigger Happy Havoc sabe que este não é inteiramente dublado, usando o recurso somente nos momentos mais significativos da história deixando a jogatina mais lenta e desconfortável. O segundo título deveria ter aprendido com o erro do primeiro e se aperfeiçoado, entretanto este consegue ser ainda pior, pois além de possuir uma dublagem parcial, nos momentos de diálogo, muda o posicionamento do nome do personagem que está falando da horizontal para a vertical, o que dificulta a leitura e diminui ainda mais a velocidade das partidas.

Esperança

Todavia, apesar de toda a poluição do ecrã, o jogo teve alguns elementos aprimorados, como o fato de você saber exatamente sobre o que está o seu cursor, auxiliando muito naquele momento que você precisa encontrar pistas e falar com determinados personagens em ambientes “lotados”.

Outra mudança interessante é a presença constante do nome da música que está sendo tocada ao fundo, pois a trilha sonora é simplesmente sensacional e, este recurso facilita muito para encontrar e apreciar a música fora do game. Dentre estas, um dos grandes destaques é a música Homicide, tema dos momentos investigativos, que adicionam um clima noir por se tratar de um jazz e ao mesmo tempo que possui um toque de música eletrônica, trazendo a contemporaneidade dos games e do próprio Danganronpa.

O jogo traz ainda outros aprimoramentos, como o fim da necessidade de percorrer um demorado e complexo caminho para alcançar um objetivo longínquo. Agora você pode  simplesmente utilizar a “instantly travel” (viagem rápida), que lhe leva imediatamente próximo de onde você deseja, sendo superconveniente e economizando horas de jogatina entediante.

O retorno da Trindade

Do mesmo modo que seu antecessor, Danganronpa 2 não é puramente uma história visual, mas também é composto de um conjunto de mecânicas que, por sua vez, podem ser divididas em três momentos principais: Free Time (tempo livre), Investigation (investigação) e Trial (julgamento).

O primeiro é o momento reservado para que o protagonista possa conhecer melhor a ilha, os outros estudantes e desenvolver amizade com estes. O segundo ocorre após um assassinato; nesta etapa você poderá percorrer todos os lugares acessíveis da ilha, mas agora à procura de provas, suspeitos e testemunhas. E, por último, mas não menos importante, o julgamento corresponde ao momento final de cada um dos capítulos do jogo, no qual você entrará em uma espécie de debate, cujo objetivo é encontrar o culpado pelo homicídio que ocorreu na fase anterior.

Não houve grandes mudanças com relação a esta parte da jogatina, mas sim alguns elementos para definir mais claramente seu progresso. Para começar houve a “RPGização” do game, em outras palavras, agora ele possui elementos de RPG, como nível de: personagem, skills (habilidades) e relacionamento. Na prática nada mudou, tudo já existia no jogo anterior, porém não era mensurado quantitativamente, o que deixava o jogador confuso, pois era difícil determinar coisas como quando se alcançou o grau máximo de amizade com um determinado personagem ou quantas skills você poderá usar no próximo julgamento.

Outra mudança que facilita sua vida dentro do jogo é a possibilidade de mudar a dificuldade do game antes de iniciar um trial, o que vem muito a calhar, uma vez que esta é a parte mais difícil e demorada do game.

E, por fim, as mecânicas envolvendo moedas e a compra de presentes continuam a existir, porém não há mais a necessidade de tentar interagir como todos os objetos à procura de dinheiro. Agora basta ficar atento ao cenário e procurar os monokumas de pelúcia espalhados pela ilha, algo muito semelhante ao que fazíamos na série de livros “Onde está o Wally”. Essa mudança torna a busca menos desgastante e, principalmente, economiza o tempo do jogador.

I want to believe

Apesar de ser um visual novel com elementos fictícios, se você notar um pouco mais atentamente não tardará a perceber que alguns acontecimentos de Danganronpa dependem totalmente da sua suspensão de descrença para serem aceitos. Todavia, por se tratar de um thriller é interessante que o jogo seja crível e alguns acréscimos em Goodbye Despair colaboram muito para isto.

A possibilidade de destacar os objetos interativos dentro do cenário é agora explicada no contexto da história como sendo uma habilidade perceptiva exclusiva do protagonista, o que torna tudo mais crível, uma vez que mentalistas na vida real possuem uma capacidade semelhante.

Outro elemento que também dependia totalmente da sua suspensão de descrença para ser aceito e é explicado de um modo realista, é a razão de seu e-handbook revelar todo o mapa do arquipélago e a localização dos estudantes, afinal de contas a tecnologia de GPS existe para esta finalidade.

Elementos “forçados”, difíceis de acreditar, continuam a existir dentro do jogo, porém agora eles não são mais simplesmente tratados como normais. Há, por exemplo a satirização dos títulos de alguns personagens, como Nagito e  Byakuya, respectivamente, o Ultimate Lucky e Ultimate Progeny. Afinal de contas é no mínimo bizarro qualquer aluno ser aceito em um grande colégio como Hope’s Peak simplesmente pelo fato de ser sortudo ou por ser herdeiro de uma família rica. Bem, talvez esse último nem tanto.

O fim do Desespero se aproxima

Como foi dito anteriormente, Danganronpa é um visual novel, gênero que se foca mais na história do que em qualquer outra coisa. E é exatamente este o elemento que Goodbye Despair tenta colocar acima de tudo em evidência, tornando algumas mecânicas que antecedem o prosseguimento da narrativa em algo mais dinâmico, ágil e prazeroso. Aliado a isto, o jogo mostra ser claramente uma continuação de seu predecessor e não simplesmente o mesmo jogo com uma nova roupagem.

Sendo assim, para a melhor compreensão da história, recomendo que aqueles que nunca se aventuraram pela série comecem por Danganronpa: Trigger Happy. Quanto ao restante, boa sorte, bem-vindos a um novo Desespero e nos vemos no terceiro game, que encerra este arco da série.

Prós

  • Relação de continuidade com o primeiro game;
  • História imersiva;
  • Aperfeiçoamento de antigas mecânicas;
  • Trilha sonora sensacional.

Contras

  • Problema relacionados ao ecrã ;
  • Recomenda-se fortemente ter jogado o primeiro game.
Danganronpa 2: Goodbye Despair — PC/PS Vita/PSP — Nota 9.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisor: Vitor Tibério
Capa: Peterson Barros
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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