Blast Test

Trajes Fatais (PC) traz o gingado brasileiro aos games de luta

O jogo de luta 2D do estúdio brasileiro ONANIM já impressiona em seu beta aberto.

Jogos de luta usam e abusam de estereótipos. Street Fighter é o exemplo quintessencial disso, com o russo Zangief parecendo uma ameaça comunista da Guerra Fria ou a brasileira Laura esbanjando sensualidade a ponto de inflamar a internet. Trajes Fatais (PC), projeto do estúdio cearense ONANIM, não tenta mudar esse paradigma. Muito pelo contrário, parece que o game encontrou nos esterótipos brasileiros sua principal fonte de inspiração. E isso não é ruim! Há uma sutil diferença entre “rir de” e “rir com” estereótipos. A abordagem de TRAF é, na verdade, uma grande celebração à cultura brasileira, em nenhum momento soando como deboche.


A premissa é que, numa festa a fantasia, os convidados acabaram encorporando até demais os personagens e ganharam os poderes de suas vestimentas. Obrigados a lutar entre si devido a influência de um inimigo misterioso, os participantes são vão de súcubos sensuais a cangaceiros. Samba, capoeira e peixeiras logo se enfrentam no campo de batalha.

O beta mínimo conta com apenas quatro personagens e é focado no modo multiplayer. Mesmo que pequeno (ele não se chama mínimo à toa), impressiona pela qualidade. Tudo é magistralmente animado, com uma fluidez de fazer inveja nos games de luta da SNK dos anos 1990, os cenários são detalhados e bonitos e a música é memorável. Grande destaque fica para a dublagem, que se encaixa perfeitamente com cada um dos personagens e seus estereótipos.

Mas um jogo de luta, por mais bonito e polido que seja, não é nada sem uma jogabilidade precisa e viciante — quesitos que Trajes Fatais cumpre com louvor. Pegar o jeito é muito fácil: há apenas um botão de ataque e os direcionais, que podem ser combinados no chão e no ar para se executar uma variedade de golpes. Isso é o suficiente para se criar um metagame ágil e profundo, com várias combinações de golpes, contra-ataques e táticas defesa e revide.

Os personagens, além de distintos entre si visualmente, são diferentes mecanicamente. Mesmo Lucy Fernandes e Lucy B-Side, que parecem apenas versões alternativas uma da outra, provam-se únicas na arena. Cada lutador tem seu próprio estilo de luta e agradará jogadores de vários tipos.

Mesmo em seu beta mínimo, já vale a pena baixar Trajes Fatais jogar algumas partidas com os amigos. Se mantiver a qualidade aqui apresentada e incluir mais personagens, uma campanha single-player sólida e um modo online competente, o game não será apenas uma joia brasileira: será um dos melhores games independentes de luta 2D. Dê uma passada no itch.io e participe da festa — a entrada é franca!
Lucas Pinheiro Silva é analista de sistemas web por profissão, gamer por vocação. Tem grande interesse em game e level design, o que o levou a escrever para o GameBlast. Em seu Facebook e Twitter também fala de outras coisas, como HQs, música e literatura.

Comentários

Google+
Facebook


Podcast

Ver mais

No Facebook

Ver mais