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Análise: Super Snow Fight (Multi) é uma bolada no saco

Vale tudo no amor e na guerra de bolas de neve, menos variedade de arenas e de modos de jogo.


2015 foi o ano mais quente já registrado, segundo as análises climáticas da Nasa, agência espacial americana, e da NOAA, agência que estuda os oceanos, publicadas em 20 de janeiro. Rowan Sutton, professor do Centro Nacional de Ciências Atmosféricas, chegou a afirmar que "é muito provável que 2014, 2015 e 2016 estejam entre os anos mais quentes já registrados". Mas chega de reclamar do El Niño, o jeito é se refrescar. E se o ventilador e o ar-condicionado não resolverem, que tal experimentar um simulador de guerra de bola de neve?

Morte Branca

Com quatro arenas e mais de 30 personagens disponíveis para a briga, Super Snow Fight (Multi) junta até quatro amigos em multiplayer local para ver quem mata mais (e morre menos) do jeito mais perfeito possível: com neve. É sério, o grande problema com os assassinatos são as evidências, e não é à toa que a máfia russa usa neve para sufocar os seus alvos, porque depois que a neve derrete ela vira água, presente em mais da metade do corpo humano. Dá-se o nome a este tipo de assassinato de “morte branca”. Poético, não?

É poético, mas não é estético. Quer dizer, as quatro arenas do jogo têm chão branco, então, os projéteis não se diferenciam do cenário. Somado ao fato de que a mira se resume a uma setinha que fica um pouco à sua frente, mirar nos adversários se parece com dirigir na neblina, pois pouco se vê. As próprias bolas de neve não são atiradas com o impacto certo, demoram a acertar o inimigo e tiram pouco dano. Sem perceber, você vai gastar toda a sua munição (são cinco bolas, boa sorte) tentando tirar só um coração de vida do oponente (são cinco corações, boa sorte). Você pode remediar a fraqueza e a demora do disparo segurando o botão de lançamento pressionado, mas, ainda assim, o disparo é razoavelmente mais lento que a movimentação dos personagens.

Tornar os disparos lentos pode ter sido uma decisão racional para consertar uma decisão preguiçosa. Quer dizer, os cenários não têm lugares estratégicos para se esconder, são quase lisos! Exceto pela arena do cemitério, as partidas se resumem a ficar andando em círculos numa tigela de leite com um boneco de neve ou uma pedra perto do fim do cenário, local onde você finalmente consegue se esconder. Aí aparece mais um defeito do jogo: a câmera fica no centro da arena. Devido a isso, a menos que os personagens venham em sua direção, você vai apenas supor onde o seu personagem está, já que ele vai ficar fora do campo visual da câmera. Quando os inimigos chegarem atirando, você vai estar em desvantagem, porque os outros...enxergam seus próprios personagens. Perfeito!

Ah não, mais Funko Pops?

Os bonecos não são tão bonitos assim também, não faz tanta falta não ver eles tão seguido. São caricatos e tal, mas todos baseados em um mesmo modelo, que se parece com um Funko Pop genérico e de queixo masculinizado. Ao todo, existem 11 personagens disponíveis no início e 21 para desbloquear, mas alguns são apenas o mesmo personagem vestindo cores diferentes de skin.

Os cenários, em vez de compensar isso, são bem sem graça, com poucos elementos e a maldita piscina branca alagando tudo e não te deixando ver para onde você está atirando. O modelo de seu personagem pode entrar nos elementos do campo às vezes somente, porque o jogo não foi polido o bastante.

Acho que por esses motivos até faz sentido não existir um Multiplayer Online. Se o jogo já é frustrante sem lag, imagina pôr um monte de crianças de 13 anos xingando a mãe o tempo todo. A experiência seria ainda mais frustrante. Por outro lado, existe o modo cooperativo para duas duplas se enfrentarem.

Farinha do mesmo saco

Apesar da ideia parecer original, o engraçado é que já existia um simulador de guerras de bola de neve em 1998, o jogo da série South Park de Nintendo 64. E eles, curiosamente, dividem os mesmos erros: problemas com a mira, gráficos ruins e com bugs, repetitividade e curta duração. Pelo menos em South Park N64 dá para usar bolas de queimada também.

A única parte que salva o jogo de ser uma bola fora completa são os power-ups, que dão um toque de humor ao jogo, com bonecos de neve fantasmas e foguetes passeando pelo campo. Há 11 deles ao todo, divididos assim: cinco ofensivos, quatro defensivos e dois que servem para atrapalhar a movimentação do adversário.


O problema é que esses power-ups de suporte são inúteis comparados aos que tiram dano, devido ao ritmo acelerado das partidas. Além disso, o míssil e o morteiro, estranhamente, aparecem com muita frequência, deixando o jogo desbalanceado. Para quem está começando, isso é ótimo, mas, depois de pegar os comandos, fica chato saber que o jogo não prioriza estratégia nem nos power-ups. Melhor voltar para o Worms (Multi), que tem tudo isso aí e ainda conta com piadas.
É tão pouco conteúdo que até ganhar gera uma conquista
Super Snow Fight é fora do sério. Parece um jogo inacabado ou uma demonstração de algum jogo com mais arenas e power-ups, modo online e, quem sabe, modo história, mas não é, ele tem todas essas carências mesmo e é simplesmente um simulador de bolas de neve curto e sem graça. Recomendamos ele para os inimigos e agentes da caridade. Qualquer coisa, o 1º de abril está logo aí e é uma boa pedida para a data. Surpreendentemente, o jogo está disponível para PS4, Xbox One e PC, via Steam, para ninguém dizer que não viu.

Prós

  • É legal ver um zumbi atirando bolas de neve. 

Contras

  • Falta muita coisa, parece uma demo;
  • Power-ups com poder de casco azul e frequência de casco verde desbalanceiam o jogo;
  • Arenas não têm lugares para se esconder;
  • Cor do campo se confunde com a dos projéteis;
  • Apesar da variedade de personagens, eles só têm diferença estética entre si;
  • Nada de novo;
  • Frustrante.
Super Snow Fight — PC, PS4, XBO — 2,0
Versão utilizada para análise: PC
Revisâo: Jaime Ninice
Capa: Felipe Araújo
Rafael Buffon é formado em Jornalismo pela UPF e redator no GameBlast. Além de videogames portáteis curte literatura, jazz e é apaixonado pela banda Velvet Underground.

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