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Análise: XCOM 2 (PC) é uma corrida contra o tempo

O novo jogo Firaxis é o mais complexo e, ao mesmo tempo, acessível da série XCOM.


XCOM é uma clássica série de  jogos de estratégia e tática que se originou em 1994, com o jogo UFO: Enemy Unknown (PC/PS1). Mais de 20 anos e 10 games, a franquia continua com XCOM 2 (PC), que como o título anterior,  foi desenvolvido pela Firaxis e distribuido pela 2K.

A última esperança da Terra

A história de XCOM 2 se passa vinte anos após os eventos de XCOM: Enemy Within, o último lançamento da série, em uma espécie de futuro alternativo. A Terra foi quase completamente dominada pelos alienigenas, pois os líderes mundiais acabaram se entregando totalmente àquilo que antes não passava de uma ameaça. A população foi manipulada através da construção de cidades tecnológicas e promessas de um futuro brilhante para a humanidade, mas os extraterrestres escondem segredos terríveis. XCOM, ou o que restou dela, é agora a última linha de defesa de nosso planeta.

O desenvolvimento da narrativa é bem mais consistente e a história bem mais detalhada que a do game anterior. Não que os jogos anteriores fossem ruins, muito pelo contrário, mas essa premissa é bem inesperada, principalmente para aqueles que não terminaram o último jogo.

Não foi apenas a história que melhorou — também houve um grande avanço em relação aos gráficos, de modo que o cenário agora parece estar bem mais claro e cheio de pequenos detalhes.

Ora, mas o que faz da nitidez dos cenários uma necessidade? Afinal de contas, os jogos anteriores estão longe de se destacar pela qualidade de sua estética.” De fato, os gráficos nunca foram um problema na série XCOM, mas aqueles que estão habituados com ela sabem que, durante as missões de campo, o cenário pode ofuscar literalmente a capacidade de enxergar todas as possibilidades. Lugares por onde você pode movimentar seus soldados ou para onde você pode arremessar granadas são exemplos de aspectos que eram prejudicados pela falta de refinamento gráfico.

Em XCOM 2, a situação é ainda mais grave, pois agora é possível tanto entrar no interior de qualquer edificação quando escalar até o seu topo, mesmo que se trate de um prédio com vários andares, por exemplo. Desse modo, essa melhoria gráfica resolve parcialmente o problema, sendo um grande auxílio no momento de enxergar e decidir a ação de seus personagens.

Ainda em relação ao cenário, há alguns aperfeiçoamentos relativos aos elementos que o compõem. Destacam-se a água, que se tornou mais realista,  e o rosto dos personagens que você customizou, que aparecem como wanted (procurado) em hologramas durante as suas missões nas áreas metropolitanas — uma versão futurista do que acontecia no velho oeste norte-americano.

Duas faces de uma mesma moeda

Como os títulos anteriores, o novo jogo da Firaxis é composto de dois conjuntos de mecânicas distintos, revezando entre administrar o quartel general da XCOM e missões. O Q.G agora não é mais fixo em um local secreto, mas sim em uma gigantesca nave que pode se mover para qualquer lugar do planeta de acordo com a sua necessidade. Nessa nave, você será capaz de fazer pesquisas para desenvolver novas tecnologias, construir novas instalações, treinar seus recrutas, entre outras coisas vitais para o sucesso da Organização.
As missões, por outro lado, são realizadas em campo e apresentam uma grande diversidade de objetivos que incluem salvar civis sobreviventes, planejar sabotagem, resgatar tecnologia alienígena e escoltar pessoas importantes.

De qualquer maneira, o Q.G e as missões estão intrinsecamente ligados. Você depende do primeiro para descobrir novos locais, além de treinar e desenvolver novos equipamentos para seus soldados; já o esquadrão, por sua vez, é responsável por desacelerar os planos dos invasores extraterrestres e adquirir matéria-prima diretamente, dentro das próprias missões, e indiretamente, através de recompensas dadas pela Resistência dos países aliados.

Ainda em relação aos soldados, houve grandes mudanças quanto às classes de personagem. Agora, além de serem menos genéricas — antes havia apenas Support, Assault, Heavy e Sniper — foram criadas novas classes: o Ranger e o Specialist. A primeira parece substituir a classe Assault, porém é mais direta e agressiva, com skills que se baseiam em manuseio de espadas e furtividade. A segunda veio para ocupar o lugar da Support, mas, além de curar e dar assistência aos soldados da linha de frente, ela também pode hackear dispositivos a longa distância. Isso possibilita, dependendo do seu sucesso durante o hackeamento, ganhar vantagens ou desvantagens em uma determinada área.

O sistema de furtividade do jogo, também conhecido como Concealment, não se restringe apenas ao Ranger, permitindo a qualquer personagem entrar nesse modo, tanto individualmente quanto em grupo, o que propicia grandes emboscadas e a conclusão de alguns objetivos sem sequer ser percebido pelo inimigo. Na verdade, todos os seus soldados já iniciam a missão em Concealment; porém, todos perdem este benefício quando são vistos ou ouvidos pelos adversários, com exceção do Ranger, caso este possua alguma skill de furtividade. Mesmo tendo havido mudanças positivas no referente às classes de personagem, ainda há poucas opções de escolha de skill (apenas duas) no momento em que você é promovido, ou seja, passa de nível.
Ora, mas o que faz do Concealment algo vantajoso? Este sistema de furtividade não existia até o próprio XCOM 2 e, além do mais, é um estilo incomum em jogo de estratégia, logo poderia ser um incomôdo tanto aos fãs da série quanto aos do gênero. O que realmente ocorre, no entanto, é que a furtividade só vem a acrescentar e não substitui mecânica alguma. Aqueles que preferem estratégias mais agressivas ou defensivas, focadas em overwatch, poderão continuar a fazê-las.

Além das mecânicas, o jogo possui uma enorme variedade no momento de customizar seu personagem. Você pode não só escolher a face, cor da pele e cabelo, como também chapéus, óculos, pinturas faciais e até mesmo cicatrizes, o que é algo incomum em jogos desse gênero e com certeza fará com que você perca um bom tempo entre uma missão e outra.

As customizações, todavia, não param por aí. Você também poderá anexar novos dispositivos às suas armas, o que melhorará sua mira, fazer com que sua arma recarregue automaticamente, aumentar a quantidade de munição que uma arma pode carregar entre vários outros benefícios. Estes acessórios geralmente encontrados nos corpos do alienígenas mortos.

Há também uma grande diversidade de inimigos, que variam desde os já conhecidos Sectoids, que são os clássicos extraterrestres de cabeça redonda e olhos grandes e esbugalhados, até os membros da Advent, que é uma organização composta de humanos geneticamente modificados que se aliaram ao aliens.

Cada um desses adversários possui habilidades e modo de agir próprios. Os Sectoids, por exemplo, preferem não entrar em um combate direto — ao invés disso, controlam a mente dos soldados, causando medo, confusão e os obrigando a agir contra a sua vontade.

Se você acha que alienígenas ainda não são o suficiente, o game apresenta traz para você um inimigo real, o tempo. Embora seus personagens não envelheçam com o tempo, eles podem se ferir e demorar dias para se recuperar ou mesmo ficar traumatizados. Você pode escalar para o seu esquadrão qualquer soldado que esteja fisicamente saudável, mas caso algum esteja abalado psicologicamente, esse poderá surtar durante a missão em campo, tomando atitudes por conta própria e ignorando as ordens dadas a ele.

O tempo será um empecilho ainda sob uma outra forma — o chamado Avatar Project, um misterioso evento que poderá destruir o que sobrou da humanidade. O avanço desse projeto é simbolizado no mapa por um contador que vai do um ao doze. Quando ele for completado, sua jogatina chega ao fim e você perde. Há, entretanto, uma maneira de desacelerar este contador ou até mesmo fazê-lo regredir: através da eliminação de suas sedes. O problema é conseguir chegar até o lugar onde elas estão localizadas. Para isso, você precisará fazer contato previamente com a Resistência do país em que elas estejam instaladas, a fim de que eles se unam a XCOM e lhe deem acesso.

Uma estratégia quase perfeita

Esse é um dos games mais acessíveis da série XCOM, pois há, inicialmente, muito menos elementos para se administrar, como recursos e instalações. À medida em que você progride na campanha, esses aumentarão em número e complexidade.

Entretanto, nem tudo é perfeito: os loadings (carregamentos) que ocorrem entre os modos de jogo são extremamente demorados. Isso acontece, provavelmente, devido a um problema de performance no momento de gerar cada uma das missões, uma vez que isso agora é feito proceduralmente. Drops de frames também são bastante comuns, mesmo usando as configurações recomendadas. Todavia, isso incrivelmente não influencia no gameplay, pois não ocorre durante as missões, apenas nas cinematics e nas transições de tela.


Apesar de alguns pequenos problemas de performance, XCOM 2 é um jogo que beira a perfeição, principalmente pelo fato da Firaxis ter ouvido o seu público e ter se concentrado não apenas em inovações, mas também em fortalecer seu pontos mais frágeis como a narrativa, as classes de personagem e principalmente fazer do game algo acessível até mesmo para aqueles que nunca tiveram contato com a série. O jogo é recomendado para todos os públicos, sem distinção,  mas, obviamente, ele terá um sabor a mais para aquele que jogaram o último título da franquia.

Prós

  • Narrativa bem desenvolvida
  • Novas classes de personagem 
  • Enorme variedade de customização
  • Acessível a todos os públicos 

Contras

  • Alguns problemas de performance
XCOM 2 — PC— Nota 9.5
Revisão: Robson Júnior
Capa: Victor Pereira 
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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