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Análise: Deadly Tower of Monsters (PC/PS4) resgata toda a nostalgia dos anos 70

O novo jogo de ação da Ace Team nos leva a um planeta repleto de alienígenas e monstros.


A arte imita a vida e os games. Independe serem arte ou não (esse não é o objetivo dessa análise). Eles imitam várias modalidades de arte, seja em sua estética ou mesmo em sua narrativa e Deadly Tower of Monsters (PC/PS4) não poderia ser diferente.


Desenvolvido pela Ace Team, a mesma criadora de Zeno Clash (Multi) e Abyss Odyssey (Multi), DToM é um indie de ação e aventura com alguns elementos de RPG. De fato, à primeira vista, sua fórmula parece bastante genérica, mas seu ponto forte está sem sua estética e no modo como a sua história é contada.

O título possui fortes inspirações nos filmes e séries que se utilizaram de técnicas de stop-motion, cujos primórdios antecedem até mesmo o surgimento do cinema. Apesar de sua origem remota, essa técnica atingiu o seu ápice somente nos anos 60 e 70. Há também várias referências àquelas obras de ficção onde atores se vestiam com fantasias toscas para interpretar  monstros e alienígenas. Para se ter uma ideia, em muitas delas, era possível até mesmo ver o zíper das roupas que os atores vestiam.

Dentre as principais obras àas quais o jogo faz referência, podemos destacar o seriado Flash Gordon. Sua história gira em torno das aventuras do protagonista de mesmo nome e seus companheiros, Dr. Hans Zarkov e Dale Arden. Tudo começa quando Dr. Zarkov inventa um foguete no qual os três viajam ao planeta Mongo, e também, não por coincidência, o local onde sua nave caí. Este planeta é habitado por várias culturas diferentes, algumas tecnologicamente avançadas, que têm se deixado levar, uma a uma, sob o domínio do cruel tirano Ming, o Impiedoso.

Entre alienígenas e monstros

A história de Deadly Tower of Monster é mais do que apenas inspirada em Flash Gordon, mas muitíssimo semelhante à mesma. Ela tem como foco principal o explorador espacial Dick Starspeed, cuja nave cai em um misterioso planeta chamado Gravoria. Acompanhado de seu fiel companheiro Robo, Dick resolve explorar esse novo mundo repleto de criaturas hostis, o qual descobre ser regido por um maléfico Imperador que escravizou muitos dos habitantes do planeta, forçando-os a trabalhar em suas tramoias. Dentre estes seres, estão os Símios, uma espécie de macacos inteligentes que lembram muito os macacos presentes na franquia Planeta dos Macacos, que, “coincidentemente”, originou-se no final dos anos 60.

O jogo possui um narrador que é  presença constante  durante a sua jornada, descrevendo todos os eventos como se estivesse narrando um filme de ficção cientifica dos anos 1970. Isso funciona como se possuísse uma espécie de “metalinguagem”, só que, ao invés de ser um filme que fala sobre um filme, trata-se, na verdade, de um game que fala sobre um filme. E se você prestar um pouco de atenção ao narrador, poderá não somente entender a história do jogo, como também a forma como eram produzidos os filmes do gênero nesta época.

A estética do game também se baseia muitos em filmes antigos de ficção, com direito a espaçonaves presas a fios, monstros que andam de maneira desengonçada como se fossem pessoas fantasiadas e criaturas gigantes que se parecem “figuras de massinha” em stop-motion.

A tecnologia do futuro

Quando você incia sua jornada, o único personagem disponível será o explorador espacial Dick Starspee, todavia, outros personagens serão liberados à medida em que você progride e avança na história do jogo, serão liberados outros heróis jogáveis, de modo que, ao todo existem três diferentes heróis.Pode-se  dizer que cada um deles possui três atributos principais: vida, energia (que serve como combustível para arma) e dano de arma. Tanto esses atributos quanto os equipamentos (que poderão ser encontrados espalhados pelo cenário), também podem ser aumentados ou melhorados em alguns terminais ao custo de algumas centenas de moedas, que, por sua vez, podem ser adquiridas ao matar os adversários.

Em relação aos equipamentos, há diversos tipos deles, com destaque para uma bota de aceleração — que lhe permite se movimentar rapidamente durante um curto período de tempo — e o campo de força — que impede que você sofra dano por armas de longo alcance.

A princípio, todos os personagens parecem iguais, pois têm à sua disposição os mesmos poderes e armas. Mas não se deixe enganar, se você ficar atento, após algum tempo de jogatina, perceberá que certos equipamentos são mais eficazes quando utilizados por determinados personagens. Por exemplo, a filha do imperador consegue percorrer uma distancia muito maior que Dick e que o Robo utilizando as botas de aceleração. Haverá situações e obstáculos que apenas um dos personagens será capaz de superar, entre outros. Portanto, é preciso ficar atento!

Além dos equipamentos, você também terá à disposição dois tipos diferentes de armamentos: armas brancas (facas, espadas, bastões massas, chicotes, etc), que são de curto alcance; e armas de fogo (pistolas, lasers e armas elétricas), que possuem médio e longo alcance. As armas podem ser melhoradas através de upgrades, sacrificando uma determinada quantidade de engrenagens. Essas peças se diferenciam umas das outras pela sua raridade (há tipos de engrenagens de bronze, prata e ouro, a mais rara dentre as três e necessária para realizar upgrades na maioria das armas). O jogador terá aqui muito trabalho para encontrá-las, pois estão muito bem escondidas pelo cenário.

Subindo na vida

O principal objetivo do jogador durante a exploração do planeta Gravoria é alcançar o topo da torre e acabar com atrocidades tirânicas do Imperador, que rege o planeta com punhos de ferro. Apesar disso, algumas vezes surgirão obstáculos que, temporariamente impedirão o seu progresso e lhe obrigarão a descer alguns ou, até mesmo, todos os andares da torre para adquirir  novos equipamentos que lhe permitam prosseguir em sua jornada.

Além disso, durante sua escalada, algumas vezes,  cair será inevitável tanto involuntariamente,  ao saltar um grande abismo, ou mesmo, propositalmente, para resgatar algum item escondido. Não é preciso, entretanto, ter receio algum, pois você não precisará subir todos esses andares novamente nem necessariamente será morto na queda. O que ocorre é que, enquanto o personagem não se encostar os pés no chão, é possível, literalmente, teletransportar-se para o local onde originalmente você caiu, utilizando um dos primeiros equipamentos adquiridos no jogo:uma espécie de mochila à jato.

O limão de um é a limonada de outros

Deadly Tower of Monsters é um jogo simples, possui uma história rasa  e também não traz grandes inovações com relação à mecânicas. Seus grandes trunfos são sua estética e seu narrador, que nos conta a história de uma maneira ímpar, como uma espécie de metalinguagem cinematográfica e sarcasmo,trazendo-nos com isso muito dos elementos dos filmes de ficção cientifica dos anos 70. Sendo assim, o game é recomendado mais para aqueles que são fãs ou mesmo para aqueles que têm algum interesse em conhecer as obras de ficção científica desta época.

Prós

  • Visual anos 70;
  • Narrador típico de obras do gênero;
  • Fidelidade aos elementos da época.

Contras

  • História rasa;
  • Mecânicas comuns.
Deadly Tower of Monsters — PC/PS4 — 7.5
Revisão: Jaime Ninice
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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