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Análise: Echoes of Aetheria e sua homenagem aos RPG's antigos

Com uma história bem simples mas bem feita, Echoes of Aetheria é uma homenagem competente.


Embora o que tenha realmente consolidado os JRPGs como um genêro de sucesso no ocidente tenha sido Final Fantasy VII, existe um lugar especial no coração dos amantes desse estilo para os jogos lançados durante a era 16-Bits. Desde seus gráficos simples fora da batalha até os sprites magnificamente animados nas cenas de luta, as lembranças e o carinho são enormes.

E isso inspira muitos desenvolvedores. Graças a uma ferramenta lançada anos atrás, ainda na época do SNES, o “RPG Maker”, fãs puderam experimentar como era produzir um RPG. Embora a qualidade possa ser facilmente questionada de muitos desses jogos, é interessante ver o esforço e as idéias. Mas existem aqueles que conseguem usar muito bem a ferramenta, e entre eles está a Dancing Dragons Games.

Responsável por Skyborn, um jogo feito na ferramenta citada acima que foi um grande sucesso no Steam, a produtora volta com mais um RPG, mas que dessa vez é menos “único”, por assim dizer: Echoes of Aetheria.

Mas será que a homenagem aos RPG’S clássicos que o game tenta fazer é competente como jogo ou só se vende como algo nostalgico mesmo? Isso que iremos tentar responder.

Combate rápido

Echoes of Aetheria usa em seu combate uma mistura de Breath of Fire e Final Fantasy. Existe um “Active Time Battle”,na falta de termo melhor para o descrever. por meio de uma barra de localização das ações, sendo que a ordem que cada ação se localiza na barra depende do quanto ela demanda do personagem. Ao mesmo tempo, você tem o campo de batalha, que é no formato grid, onde a localização de cada personagem afeta seu alcance e seus golpes.
Embora tudo isso pareça cooperar para um combate lento, o jogo faz tudo fluir tão bem que as lutas, estratégicas, se tornam extremamente rápidas e divertidas. Ajuda o fato de a cada luta você recuperar sua vida e começar com os personagens na mesma distribuição que estavam ao final do último embate. Acaba que em nenhum momento se torna frustrante nas lutas, chegando ao ponto de você desejar que pudesse lutar mais. É uma abordagem bem interessante. 

E, para um game feito no RPG Maker, as lutas são incriveís. Sprites fluidos e bem animados, golpes impressionantes e visuais marcantes. Embora tudo isso só seja perceptivel durante as batalhas e nunca fora delas, onde o jogo grita suas origens.

Narrativa clássica, para o bem e para o mal

Echoes of Aetheria não assume riscos em sua narrativa. É nela que está presente principalmente o fator “somos uma homenagem”. Começando num casamento interrompido por um ataque terrorista, o jogo progride como você espera: o tal ataque terrorista é parte de uma conspiração maior que pretendia sequestrar a princesa, uma guerra entre os reinos é ocasionada e você se vê no coração dela, vai avançando cada vez mais, começa a liderar uma revoluçãoaté que unifica os países em guerra e parte para o verdadeiro vilão. Lucian, o protagonista, é o único não incapacitado durante o ataque no casamento. Sendo ele um membro de alto escalão da guarda real, ele logo parte para descobrir os responsáveis e salvar a princesa Sorah. No decorrer da história, Lucian acaba se tornando a força motriz de toda a revolução e não segue bem uma "jornada do herói" clássica, remetendo mais a RPGs como Final Fantasy IV.
Dito isso, é previsível tudo que irá acontecer no jogo já que ele está pegando características comuns em vários títulos, mas a apresentação é tão bem feita e executada que em nenhum momento você sente que isso é um ponto fraco do jogo. Se ele tivesse sido lançado na época do SNES, com certeza a história seria um de seus pontos mais comentados, mas agora, dado que já vimos muitos exemplos parecidos, acaba não sendo nada além de divertida.

Mas ao mesmo tempo que a história é extremamente previsível, o mesmo não se pode falar dos personagens - com a exceção de Lucian. A primeira personagem que entra para sua party, Ingrid, é extremamente carismática e com uma história muito bem desenvolvida e trabalhada, mesmo que em nenhum momento ela seja especificamente o foco. A Princesa Soha quebra completamente o esteriótipo de princesa indefesa, tão presente nos RPG’s clássicos, e é uma das personagens que melhor se vira sozinha. Kesh trabalha bem o personagem do mestre, não caindo em tropes comuns e Eskandair cumpre a cota de personagem prodígio na party, mas conseguindo ser um personagem que não só se define nesse status. Tudo se encaixa muito bem, embora alguns dialogos possam parecer forçados.
O menu de lore.
O jogo também se esforça em lhe apresentar um mundo bem complexo e cheio de história. Conforme você vai avançando no modo principal, libera mapas e lore, que ajudam a imersão do jogador com o game. Por mais que a linha básica de história seja simples, Echoes brilha em seu esforço em torna-la a mais imersiva possível.

Opções Robustas, mas jogo simples

EoA conta com um sistema de crafting bem impressionante. Contando com centenas de itens para serem construidos e equipados, o jogo lhe dá muitas opções de como estar melhor preparado para o combate. O sistema em sí é simples, mas a grande gama de opções irá fazer muitos jogadores estudarem e se aprofundarem nessa parte do jogo. Com isso ele também cria uma grande parte de exploração, partindo pela procura de materiais para construir armas melhores. Os diamond cards, materiais secretos do jogo, são os mais importantes para a construção dos itens de rank lendário. Como esses itens são ridiculamente fortes, a localização dos diamond cards envolve desafios (como a Arena) ou simplesmente lugares muito escondidos, completamente fora da rota comum. 
Só que Echoes não é exatamente dificil para precisar tanto desse sistema. Depois de cada confronto, toda a sua party é totalmente recuperada. Não existe um desespero em curar seus personagens entre lutas, o que faz cada batalha ser única mas que ao mesmo tempo permite que a estratégia seja um pouco deixada de lado. Para que tentar se segurar nessa luta se na próxima estarei totalmente curado? Alguma forma de dano acumulado entre as lutas ajudaria nesse quesito, aumentando um pouco a dificuldade. Mas, se você jogar no Hard (a dificuldade pode ser alterada entre os atos), o jogo melhora nesse quesito. 

O jogo não conta com a presença de encontros aleatórios, sendo todos os inimigos visíveis no mapa. Quando você os mata, eles não retornam até você mudar de capitulo. Isso impossibilita o grind (embora ele não seja necessário) e acaba tornando o jogo ainda mais tranquilo. É um bom ritmo mas que para muitos, vai deixar a desejar.

Um jogo competente e divertido

Echoes of Aetheria cumpre perfeitamente sua proposta: ser uma homenagem aos rpgs de snes. Não só isso, é um jogo divertido e muito bem polido, onde dificilmente a experiência será ruim. Fica devendo na dificuldade, mas isso talvez possa ser justificada para uma adaptação aos tempos modernos, diferentemente daqueles rpgs antigos. 

No fim, qualquer amante de RPGs se sentirá em casa com este jogo. 

Prós

  • Ótimo sistema de batalha;
  • Mecânica de crafting bem feita e que te prente no jogo;
  • Bons personagens;
  • Grande conteúdo sobre a história do mundo onde o jogo se passa, ajudando na imersão.

Contras

  • Poucos combates, embora grinding não seja necessário;
  • Animações fora da batalha são bem inferiores as de batalha;
  • O diálogo em vários momentos soa muito forçado, tirando naturalidade que normalmente está presente.
 Echoes of Aetheria - Steam - Nota: 9.0



Revisão: Gabriel Verbena
Dácio Augusto é estudante de Gestão Financeira na Fatec e redator no GameBlast. Cercado de jogos desde pequeno, foi crescendo e aprendendo a fazer avaliações mais lúdicas do que objetivas.

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