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Análise: Qasir al-Wasat (PC) é um conto místico na Síria medieval

Encarne o papel de um demônio invocado das profundezas para cumprir uma missão de assassinato.



Muitos são os segredos que o Oriente Médio esconde e destes a feitiçaria é o limite entre a verdade e a ficção. Entrando de cabeça neste universo de Djins e seres místicos, o brasileiríssimo Qasir al-Wasat, desenvolvido pela Aduge e publicado pela Zueira Digital, vai lhe levar em uma viajem rumo ao desconhecido em um conto das arábias.

Como invocar demônios e persuadir pessoas

O jogo começa nos apresentando o protagonista desta trama: um demônio especialista em assassinato e venenos, proveniente de outro plano dimensional. Em sua narrativa ele nos apresenta seu trabalho, em como ele e outros demônios eram invocados para realizar tarefas para os humanos.

Ao final da narrativa, ele escuta um chamado, seguindo aquela voz desconhecida ele atravessa os planos e se depara com o feiticeiro poderoso que o invocara. O feiticeiro, muito astuto, faz um contrato com o nosso protagonista: nosso objetivo é assassinar três alvos no palácio e só estaríamos livres quando o trabalho fosse realizado.



Ao percorrer os corredores do palácio em busca de nossos alvos, deparamo-nos com mistérios e intrigas que nos fazem perceber que a tarefa não será tão simples e que os motivos do feiticeiro são incógnitas que precisamos solucionar.

Demoniu’s Creed

Nosso protagonista demoníaco é um especialista na arte da invisível, esgueirando-se pelas sombras para matar seus alvos com venenos, e na falta destes, com as próprias garras.

A camuflagem sobrenatural faz com que você fique frente a frente com os NPCs sem que eles lhe percebam, mas é precioso andar na ponta dos pés, pois a movimentação brusca fará barulho e chamará a atenção dos guardas.



Assassinar alguém sem veneno irá chamar a atenção dos NPCs, além de sujar o demônio com sangue, entregando sua localização ao inimigo. No entanto, há piscinas em determinados pontos do palácio onde você poderá se limpar.

Toda essa furtividade tem um preço: fragilidade. Qualquer tipo de dano causará a morte, incluindo golpes de espadas e armadilhas.

Palácio das mil e uma noites

O game se passa dentro de um palácio árabe cheio de armadilhas, passagens secretas e mistérios. Tapetes persas adornam corredores, incensos perfumam o ambiente e tochas iluminam o local, transmitindo aquela sensação de ambiente místico.

Existem portas trancadas que precisam de chaves, armadilhas que precisam ser desativadas, encantamentos que precisam ser quebrados. O palácio é um puzzle gigantesco que irá testar seu raciocínio de diversas formas.



Mesmo sendo invisível, o demônio não possui a habilidade de tornar as coisas invisíveis, então andar pelo palácio carregando itens, tais como chaves, irá entregar sua posição, desta forma, é preciso ter cautela e estratégia para avançar no game.

Ao se aproximar de alguns NPCs é possível ouvir suas conversas, desvendando vários mistérios acerca do palácio e do feiticeiro. Também é possível encontrar cartas e documentos que contam histórias e enigmas, citando localizações reais do Oriente Médio, como o Rio Nilo e o Mar Negro.


O som do silêncio

A atmosfera sonora do jogo é impressiva na maior parte do tempo e nos imerge na fantasia do game. Não existe música de fundo, apenas o som ambiente. Essa maestria sonora se quebra quando adentramos uma sala com NPCs, o que ativa uma música chata e completamente contrastante com o ambiente por alguns segundos, alertando-nos da presença de inimigos. Mate todos eles e seja feliz por nunca mais escutar essa música irritante, pelo menos naquela sala.
 

Outro grande atrito sonoro está presente nos diálogos. Quando os NPCs conversam, balões de diálogo surgem acima de suas cabeças, mas também ativa-se um som irritante e sem necessidade. Diálogos longos acabam sendo estremante irritantes por conta deste detalhe.

Uma fábula do deserto

Qasir al-Wasat é um indie que agrada por seus encantos, os mistérios dentro do game envolve-nos a desvendar todos seus segredos. Ele nos trás de volta os enigmáticos puzzles e a dificuldade dos jogos de outrora. A duração deste vai depender de quanto tempo você leva para desvendar seus quebra-cabeças, mas para quem gosta de contos das arábias, esta será uma grande história para se guardar na memória.


Prós

  • Visual bonito;
  • Enigmas e charadas;
  • História envolvente.

Contras

  • Sons irritantes no decorrer do game.
Qasir al-Wasat — PC — Nota: 8.0
Revisão: Vitor Tibério
Douglas Fubarion Marciano escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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