DJMax (Multi) – O poder da música nos seus dedos

A história de um dos melhores jogos rítmicos já feitos


Quando pensamos em jogos coreanos, é normal que a primeira lembrança seja o grind interminável de Ragnarök Online ou as horas dançando em Pump It Up. Para quem gosta de jogos rítmicos, o que vem a mente é DJMax, série criada pela Pentavision em 2004 e que, infelizmente, não existe mais. Nem tudo está perdido. A maior parte da equipe responsável pela franquia criou uma nova empresa, a Nurijoy, e lançou Superbeat: Xonic, sucessor espiritual de DJMax para PS Vita. Então, vamos aproveitar o momento e relembrar a história da série.

Ao lado de Pump It Up, EZ2DJ dominou os arcades da Coreia.

No começo, era o EZ2DJ

Assim como outras franquias por aí, DJMax nasceu sem ser DJMax. Em 1997, a Konami dominava com seus jogos musicais. Entre eles estava Beatmania, o blueprint do gênero. O jogador utilizava uma mesa parecida com o equipamento de um DJ e deveria apertar os botões ou o girar o disco de acordo com os comandos que apareciam na tela. O objetivo era ser o mais preciso possível, enquanto que errar uma nota fazia perder um pouco da barra de energia.

A AmuseWorld percebeu que precisavam de um arcade assim, mas com músicas em coreano. Nascia assim EZ2DJ, um sampler do Beatmania lançada em 1999. O sucesso foi enorme e a AmuseWorld ficou muito feliz com o resultado – pelo menos até 2007, quando perdeu o processo que a Konami abriu por quebra de patente.



EZ2DJ foi a base de DJMax. Seu diferencial era utilizar vários estilos musicais, desde rock e R&B até misturas mais estranhas como bossa nova, eurobeat e J-pop. Tem música para todos os gostos. Parte da equipe responsável foi para um novo estúdio, o Pentavision, para continuar a criar os jogos, mas longe dos arcades. Reaproveitaram muito material: a ideia básica da jogabilidade, os videoclipes que ilustram as músicas, e até mesmo parte dos compositores concordou em participar do novo projeto.

Jogar online era só para os mais viciados, que conseguiam completar músicas com notas invisíveis.

O melhor DJ da internet

O aspecto competitivo de EZ2DJ ficou na mente da Pentavision. Tinha que existir uma maneira de aproveitar melhor as disputas, mas sem usar os arcades (já que não poderiam concorrer com a AmuseWorld). A resposta foi DJMax Online, lançado gratuitamente para PC em 2004. A premissa básica era a mesma de EZ2DJ: apertar os botões seguindo o ritmo da música, feita por um dos artistas coreanos, ganhando pontos de acordo com a precisão. Havia dois modos: 5-Key e 7-Key, correspondentes à quantidade de botões que seriam usados na música.

O game era fornecido de graça com uma lista de músicas. O jogador tinha a opção de ser um premium member, ou seja, pagar uma mensalidade; ou comprar créditos, usados para comprar músicas separadamente ou alguns pacotes especiais. O assinante tinha acesso direto a todo o conteúdo.



Embora tenha tido um público fiel por muito tempo, DJMax Online foi morto pela sua própria família. Não havia motivo para pagar a mensalidade quando era possível jogar em qualquer lugar usando um PSP com DJMax Portable. A canibalização foi tirando os usuários da versão de PC até que, em março de 2008, os servidores foram fechados. Os poucos fãs no Ocidente não sentiram tanto assim, já que o jogo nunca saiu da Ásia e pedia um endereço na Coreia para criar o cadastro.

A melhor decisão tomada pela Pentavision foi levar a franquia ao PSP.

Carreira promissora no PSP

As coisas iam bem para DJMax Online. Era o momento de apostar em outro mercado. Nos consoles não funcionaria tão bem, já que o modo online deles estava apenas começando. A alternativa era ir para os portáteis, já que cada jogador poderia ter sua cópia e usar a conexão wireless para disputas. A Pentavision escolheu o PlayStation Portable e, em janeiro de 2006, chegava às lojas DJMax Portable. Concebido inicialmente como um port do Online, o Portable reaproveitava boa parte das músicas, com algumas exclusivas. A jogabilidade mudou para 4B, 6B e 8B, indicando a quantidade de botões necessários.

A ausência de trava de região do PSP abriu as portas para a série no ocidente. Aos poucos os fóruns começaram a falar de um tal de DJMax e que valia a pena importar o jogo. Quando a Pentavision lançou DJMax Portable 2, em março de 2007, já havia uma pequena base de fãs por aqui.



Para muitos, Portable 2 foi o ápice da série no PSP, com a introdução do Fever. Ao acertar as notas, uma barra ia enchendo aos poucos. Quando ativada, as notas valiam por duas (tanto em pontos como na contagem de combos). Se conseguisse encher a barra novamente e ativar o Fever antes que o efeito acabasse, ele subia para 3X. Era possível repetir isso até o 5X, com a diferença que a velocidade das notas aumentava a partir de 4X.

Outra novidade foi a adição dos Xtreme Challenges, missões que colocavam o jogador para completar uma lista de músicas com um índice de 96% de acerto, com os botões invertidos ou a tela tremendo. A dificuldade subiu, com a introdução do modo 5B. Quem jogava o Portable original poderia utilizá-lo para habilitar alguns equipamentos e músicas através do Link Disc, além de jogar as trilhas do primeiro jogo com a interface do Portable 2.

A forma de jogar mudou em Technika, mas isso não afastou os fãs da série.

Novos horizontes

O ano de 2008 foi um período agitado para a Pentavision. Como DJMax Online fechou em março, precisavam de novos jogos para suprir a demanda. Acabaram lançando quatro jogos diferentes no final do ano. Para isso, dividiram a equipe para trabalhar de forma a expandir os horizontes.
O primeiro a ser lançado foi DJMax Portable Clazziquai Edition, que saiu em outubro para PSP. Clazziquai é um grupo coreano famoso por suas músicas experimentais. O acordo acabou por levar o nome da banda para o título do jogo. Essa versão foi concebida para ser a porta de entrada para os novatos, tanto que recebeu o modo 2B, utilizando apenas dois botões nas músicas. A dificuldade subia aos poucos, passando pelo 4B, 5B, 6B e o novo 4BFx, que utiliza quatro botões da face do PSP e os L e R.

Quem esperava um game mais difícil ficou esperando até dezembro pela versão seguinte, o DJMax Black Square. Assumidamente um dos jogos mais desafiadores da franquia, Black Square trazia músicas mais sérias, um visual mais sombrio e a volta do modo 8B, agora chamado 6BFx. Infelizmente, também criaram o Auto Correct. Com ele, se o jogador apertasse o botão errado, a nota ainda iria contar, mas com uma precisão mais baixa. Pior ainda, não era possível desativar o recurso.



As disputas online de DJMax Online faziam falta. Atendendo aos pedidos dos fãs, a Pentavision lançou DJMax Trilogy para PC, com 130 músicas, vindas do Online, Portable 1 e 2, além de algumas exclusivas. O jogo foi atualizado com algumas das músicas do Clazziquai Edition, Black Square e Technika. Sua principal característica era um pendrive especial, que carregava o perfil, evitando a pirataria. Acabou sofrendo com as disputas internas na Pentavision, que impediu a chegada de mais conteúdo e levou ao fim do servidor poucos anos depois.



O último jogo de 2008 foi o mais diferente. O arcade DJMax Technika mudou completamente a jogabilidade para algo mais próximo de Osu! Tatakae! Ouendan/Elite Beat Agents de Nintendo DS. Interagíamos com uma tela sensível ao toque, apertando as notas no momento em que uma faixa passava sobre elas.

O ano fechou com um problema para a Pentavision. A Konami, que havia vencido o processo contra a AmuseWorld, voltou seus olhos para o DJMax e entrou na justiça novamente por quebra de patente. Dessa vez, tudo indicava que não iriam vencer, então decidiram fazer um acordo fora dos tribunais. A Konami deixaria a Pentavision em paz, contanto que tivesse os direitos para publicar Technika no Japão e recebesse uma quantia pelos próximos jogos da série.

O remix mode do Portable 3 é um exemplo de como uma ideia pode ser mal aproveitada.

A queda da Pentavision

Pouco antes do Clazziquai Edition chegar às lojas, a Pentavision foi comprada pela Neowiz. A empresa começou com uma série de decisões ruins, separando a Pentavision para que cada um trabalhasse em um projeto diferente.

Uma parte trabalhou em DJMax Fever, versão criada especialmente para o ocidente. Lançado em 2009, é basicamente uma mistura do DJMax Portable 1 e 2, usando a engine do 2 e o sistema de Auto Correct do Black Square. Quando terminaram o Fever, voltaram a mexer no jogo para a versão japonesa, chamada DJMax Hot Tunes, que introduzia o 4B Lite (parecido com o 2B do Clazziquai) e retirava o Auto Correct. Só chegou às lojas em 2010.

Outra parte foi cuidar do Technika. Ao invés de lançar os DLCs programados para o arcade, tiveram que segurar as músicas e desenvolver o DJMax Technika 2 para 2010. Contava com dois modos de jogo e a engine retrabalhada para responder melhor aos comandos. Mal terminaram o Technika 2 e já começaram a trabalhar no DJMax Technika 3 para 2011.



O terceiro time foi encarregado com DJMax Portable 3, a nova versão para PSP. Embora fosse o mais inovador da série, também foi o mais criticado. A novidade era o sistema de Remix, no qual usamos o analógico para alterar entre as trilhas, colocando trechos de outras músicas. A ideia sofreu pela baixa qualidade do direcional do PSP, que não respondia tão bem nas trocas de trilhas. Junte isso com a menor quantidade de músicas de todos os jogos, muitas delas versões remixadas dos games anteriores; um sistema de níveis que dá prêmios aleatórios, inclusive as músicas; e a baixa dificuldade, e podemos entender porque foi tão mal recebido.

A quarta equipe debruçou sobre a mesa para achar uma maneira de lançar jogos para smartphones. Após muita pesquisa, criaram Tap Sonic em 2011. O jogo era praticamente um DJMax com nome diferente, já que usava músicas da série e jogabilidade semelhante.

Essa divisão estava atrapalhando o processo criativo. Muitos dos designers não gostaram da decisão da Neowiz de abandonar o Trilogy e focar nos smartphones, que ainda não tinham um tempo de resposta adequado para um jogo rítmico. Começaram a se organizar para sair assim que terminassem os últimos projetos programados.

O primeiro deles foi DJMax Technika Tune, adaptação da série para o PlayStation Vita. A jogabilidade aproveitava a tela sensível ao toque do Vita e o touchpad traseiro, para compensar as dimensões diferentes do portátil. O segundo foi DJMax Ray, versão atualizada do Tap Sonic para iOS e Android. Ambos foram lançados em setembro de 2012 como o adeus da Pentavision. Os membros insatisfeitos deixaram a empresa para criar a Nurijoy e levaram vários dos artistas que fizeram a fama de DJMax.

Jogar DJMax Technika no tablet é divertido. Só esteja pronto para comprar mais músicas.
Apesar da dissolução da Pentavision, a Neowiz ainda tentou usar a marca. Contratando alguns dos membros dos primeiros dias da desenvolvedora, criaram DJMax Technika Q para iOS e Android. Como os compositores foram trabalhar com a Nurijoy, conseguiram apenas nove músicas exclusivas, com as outras 94 vindas dos jogos anteriores. Assim como DJMax Ray, apenas algumas músicas eram gratuitas, enquanto as demais deviam ser compradas em pacotes (cada um conta com quatro músicas).

DJMax está morto. Viva longa à Superbeat: Xonic!
Quem se interessar pela série vai enfrentar uma grande dificuldade para conseguir os jogos. Apenas Technika Tune e Portable 3 estão disponíveis na PSN – DJMax Fever foi retirado quando a licença acabou e a Neowiz não teve interesse em renovar. DJMax Trilogy teve seus servidores reativados, embora ainda não tenha recebido nenhuma novidade e o jogo seja raro de achar nas lojas online. Achar os UMDs lá fora ainda é fácil, mas um pouco custoso.

A melhor aposta é aproveitar o PS Vita e comprar o Superbeat: Xonic da Nurijoy. A jogabilidade pode ser um pouco diferente, mas é o que chega mais perto da saudosa época em que DJMax era um dos jogos mais discutidos para PSP e referência como game rítimico.

Revisão: Henrique Minatogawa
Capa: Esdras Ferreira
Nicolas Tavares é formado em Jornalismo pela FIAM-FAAM. Alguns dizem que ele é uma experiência da CIA que deu errado e está disfarçado como redator no Game Blast. Pode ser encontrado no Facebook.
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