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Análise: Tiny Dangerous Dungeons (Multi) é um metroidvania grátis e ainda muito divertido

Com belas paletas verdes de Game Boy, Tiny DD é muito carismático e levanta a pergunta: por que a Nintendo não lança um ‘Metroid Mobile’ assim?

Eu sei, eu sei. Não é um jogo novo, mas para um marujo inexperiente como eu na Google Play Store, até um jogo de 2011 já impressiona. E muito.

Quando eu baixei Tiny Dungerous Dungeons (PC, iOS, Android) cheguei à seguinte conclusão: achei o jogo de celular supremo. Nada de jogos que são feitos para se divertir no menor tempo possível (modo Time Attack), o que me causa bastante nervosismo, e também nada de jogos baseados em reflexos, como o famoso Temple Run (Mobile). Tiny DD é perfeito para filas chatas e momentos de espera, que, aliás, parecem ser alguns dos grandes males do século — não suportar ficar parado ou ocioso.

No início, até funcionou. Ele era o coringa para não ficar entediado em momentos estratégicos de reuniões familiares em que puxar o celular do bolso não seria interpretado como uma afronta. O dilema do jogo é que ele subitamente demandou bastante do meu tempo.

Falando desse jeito, parece se tratar de algum Final Fantasy. Mas não é nada disso. Eu explico: o jogo é ótimo para se ter no celular e jogar casualmente, mas, no fundo, exige uma postura de devoção. O problema é que quando você decide que, ok, vai parar o que está fazendo e procurar um lugar confortável para tentar conectar as salas na sua cabeça, para não precisar do mapa o tempo todo, ele decide pregar uma peça e terminar.

Esse jogo tem muito potencial e precisa de uma sequência urgentemente. Ou DLCs, se for o caso – eu pago. Ele é muito gostoso de jogar, os controles são precisos e o visual, mesmo pixelado, é muito redondinho e carismático.

O que é, afinal, Tiny DD?

Um metroidvania com uma paleta de cores verde-pálidas que lembra a do Game Boy com, claro, exploração de calabouços atrás de power-ups, chaves e frutas que aumentam seu HP. Prepare-se para morcegos e sapos caricatos, que até que não são desafiadores no começo, mas as salas ficam tão repletas deles no decorrer do jogo que você vai acabar esbarrando em algum sem querer. Fora isso, existem outros obstáculos próprios de cada sala, como flechas, espinhos, água e lava. Tudo isso demanda muito mais do que reflexos, é preciso pensar em estratégias para saber qual movimento combinar com outro, o que me deixou bem satisfeito com as exigências do jogo.
As salas têm uma extensão horizontal, ou seja, sua altura termina onde acaba a tela do celular. Pode não parecer, mas isso limita muito qualquer metroidvania, porque não tem motivo para olhar para cima, já que a transição entre os cômodos é feita somente por portas.

O arco que o pulo de Timmy, o protagonista, descreve é tão longo quanto o da Samus no começo de Super Metroid (SNES) sem as High Jump Boots: longo, mas nem tanto. Porém, para uma tela de celular, é uma distância bem legal, deixa o jogo bem dinâmico. Tudo parece estar na proporção certa: inimigos, cenário, obstáculos — o que é raro e muito impressionante para um jogo Mobile, porque é tão fácil produzir um jogo para smartphones, mas tão difícil acertar na medida.

Problemas menores que calabouços perigosos

Todo mundo tem um calcanhar de Aquiles.

Diga o que quiser sobre a tecnologia touch, realidade aumentada, 3D, mas eu acredito que os jogos de plataforma precisam de uns bons botões para pegar no tranco. Bem, quase todos. Assim como em Downwell (iOS, Android, PC), botões virtuais grandes na tela se encaixam perfeitamente na jogabilidade e nem por isso tapam a ação se desenrolando. Raramente tive problemas com eles, contudo, é normal errar sua localização às vezes e perder um coração de bobeira. Acho que por isso as estátuas em que você salva o progresso são tão frequentes. Ao salvar, toda a sua vida é recuperada. Então, não é tão fatal perder um coração ou outro.


A música infelizmente se resume a um único tema de uns cinco minutos em loop infinito, estilo 8-bits. Uma segunda melodia de graves foi enfiada embaixo do tapete, em um segundo canal, mas não torna o tema memorável nem nada, só "ok". Claro que para quem vai jogar em filas de banco com o som no mudo, a trilha não faz tanta diferença assim.

O que pode estragar mesmo a diversão são os anúncios. Quer dizer, eu joguei a maior parte dele off-line (não tenho 3G), então esses forasteiros nunca me visitaram. Experimentei jogar uma vez e, wow, fui vítima de um bombardeio de anúncios da Google Play Store. Mas eu entendo, a Adventure Islands, que desenvolve o jogo, precisa ganhar a vida.

A fruta não cai longe do pé

O Timmy de Tiny DD é originário de Dangerous Dungeons (PC, iOS), outro jogo também da Adventure Islands. A diferença é que ao invés de um metroidvania, Dangerous Dungeons é um maldito de um plataforma rage game estilo Super Meat Boy (Multi), com várias opções de mortes por tortura, muita frustração e sentimentos vingativos. Não recomendo.

Tiny Dangerous Dungeons, por mais que se limite a uma espécie de adaptação desse jogo de plataforma maior, ainda tem muito mais estilo próprio e consegue ser bem mais divertido na sua duração, mesmo que curta.

O que deixa uma pontinha de desgosto mesmo é a trilha sonora de DD ser tão melhor que a de TIny DD. São apenas três mundos em DD, mas cada trilha é muito especial. A primeira é estilo nightclub, com samples de trombone e teclado que começam bem low-fi, mas tornam o tema bem denso. Já a do segundo mundo é um incrível fado! Um fado (aquela música típica portuguesa) num jogo de plataforma. Aí sim está uma coisa inédita.
Deus meu.

Dangerous Dungeons terá uma adaptação com visual de SNES que será lançada amanhã, inclusive. Caso você queira conferir um pouco mais do trabalho da Adventure Islands, pode acessar a página da engine gráfica Stencyl, sob a qual os jogos são desenvolvidos. Tem muita coisa legal e de graça, contendo até referências a alguns personagens da Nintendo, como Princess Peach e Wario, além de, claro, ao GB e ao SNES.


Prós

  • Visual retrô, personagens carismáticos;
  • Controles precisos;
  • Divertido e gratuito.

Contras

  • Muito curto, precisa muito de uma continuação com mais power-ups e bosses;
  • Música repetitiva.



Tiny Dangerous Dungeons — PC, iOS, Android — Nota: 6.5


Revisão: Henrique Minatogawa
Capa: João Gilberto Melo
Rafael Buffon é formado em Jornalismo pela UPF e redator no GameBlast. Além de videogames portáteis curte literatura, jazz e é apaixonado pela banda Velvet Underground.

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