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Análise: Assassin's Creed Syndicate (Multi) é uma razoável retomada da série

O título em seu lançamento está longe do desastro de Unity, mas isso não significa lá muita coisa.

Lançado no dia 27 de outubro de 2015, Assassins Creed Syndicate (Multi) é o mais novo jogo de uma das franquias mais importantes da Ubisoft. O jogador dessa vez está na pele dos irmãos Evie e Jacob Frye, aprendizes de assassino muito, mas muito descuidados. O jogo se passa na Londres do século XIX e demonstra com maestria a belíssima arquitetura da época, além de apresentar figuras históricas como Charles Darwin e Karl Marx.

Os irmãos Frye

O jogo começa quando os irmãos estão em uma missão de recuperar uma peça do Éden, dada pelo seu mentor. Nesta parte, o jogo é um tutorial e tenta passar ao jogador os dois modos diferentes de se jogar Syndicate: com Evie, personagem mais furtiva e pensativa, ou Jacob, mais impulsivo e briguento. Enquanto a missão se desenrola, os dois acabam falhando e comprometendo completamente a operação: Evie se atrapalha e destrói um laboratório de pesquisas e Jacob acaba descarrilhando um trem, o que os leva a receber um inevitável sermão do mentor. É aí então que eles decidem ir para Londres, onde encontram Henry Green, aprendiz do seu falecido pai e assassino responsável pela cidade.



Henry então os diz que os templários estão com praticamente todo o controle da cidade e que isso deve ser revertido. Já que Evie e Jacob desejam seguir os passos do pai, decidem de vez que é em Londres que conseguirão alcançar seus objetivos. Decidindo por métodos alternativos, Jacob prefere formar uma gangue chamada Rooks e tomar o controle dos distritos da cidade, enquanto Evie decide retomar a sua busca por peças do Éden. A história é bem simples e linear, sem nenhum ponto explosivo, fazendo vários gracejos com a época e terminando de uma maneira bem comum na série: em cliffhanger. Então, não espere nada muito diferente daquele seu Assassin's Creed de sempre.

A diferença é que a aposta da vez foi dividir a história em duas partes de jogabilidade e narrativa diferentes: enquanto as missões da Evie se focam em pesquisar e procurar pistas de maneira furtiva, Jacob, por sua natureza impulsiva, acaba sempre se metendo em brigas ou fazendo decisões precipitadas. Em níveis mais baixos, os irmãos Frye diferem bastante na maneira de se jogar, realmente dá para sentir que cada um tem um foco diferente e que devem ser usados de maneiras específicas, mas a coisa acaba mudando de figura conforme os personagens vão desenvolvendo e ficando mais fortes, já que os equipamentos e habilidades deixam os personagens igualmente letais ao fim do jogo.


A belíssima Londres

Se há uma coisa que eu posso dizer que é admirável na equipe que desenvolveu o jogo é o esmero com a criação da cidade de Londres. É possível ver marcações históricas como o Big Ben, o Palácio de Buckingham, o Covent Garden e a Galeria Nacional tais quais em fotos. Só a título de desencargo de consciência, para testar a credibilidade do mundo criado, pesquisei e olhei várias fotos de Londres e parece mesmo. Sério, e como parece.

A atmosfera do jogo também faz sua parte: além da beleza já natural da cidade e época, as grandes fábricas, letreiros e carruagens desse momento industrial adicionam bastante a fórmula usual. O jogo até se esforça para fazer algumas alusões ao trabalho quase escravocrata da época: crianças trabalhando, trabalhadores reclamando das condições nas fábricas, comentários de gente que morreu de cansaço e outras perversões comuns ao período histórico.



E, obviamente, as gangues de Londres não poderiam ficar de fora. A sua, os Rooks, deve brigar por território com a gangue dos templários, os Blighters. E é basicamente isso mesmo, as gangues brigam em carruagens, becos e qualquer outro lugar que se possa iniciar uma boa pancadaria, até em cima e nos trilhos de trens.

Posso dizer também sem sombra de dúvidas que a trilha sonora desse jogo é a melhor da franquia. Tendo jogado todos os títulos da série, esse é o primeiro em que eu realmente parei para ouvir e me tocar de que existia uma. Não me levem a mal, mas desde os primórdios a trilha sonora da série enquanto se explora o mundo não é das melhores, mas dessa vez acertaram de letra, está incrível.


Assassinos nem tão subversivos

Um dos grandíssimos problemas do jogo é justamente esse, ver como o propósito da própria ordem é tão alienado quando comparado à jogabilidade. Quero dizer, a ordem de assassinos é esguia, furtiva, meticulosa, preza pela ordem e bem estar da sociedade enquanto agem nas sombras, eles não deveriam estar por aí andando em carruagens e destruindo propriedade, matando membros de gangues e até policiais em plena luz do dia, sem nem falar em como você pode simplesmente pular de telhado em telhado com uma cordinha parecendo o Batman e ninguém sequer notar a bagunça que você está fazendo. Essa distorção chega a ser ridícula em um jogo que possui tal proposta. Suas ações não surgem efeito nenhum no mundo que o cerca, ele é tipo uma caixa de areia mesmo, feito especialmente para você brincar, não para ser um local reativo (olá MGS:V).
As Penny Dreadfuls estão por aqui também.


Eu diria que a ordem de assassinos está mais é para a ordem de arruaceiros, por quê é exatamente isso que você fará aqui, bagunça. Mas enfim, nem tudo é mal executado, o combate, por exemplo, recebeu uma mudança significativa desde o lamentável Unity: agora você possui uma árvore de habilidades e algumas delas são até exclusivas de cada personagem. Um exemplo fácil que eu daria para comparativos é a série Arkham de Batman, em que você a cada mil pontos de “experiência” ganha um ponto para gastar em habilidades que melhoram as mais variadas ações do personagem. Esse sistema melhora muito o jogo e digo facilmente que é o melhor combate e movimentação da série.

As várias opções de customização estão aqui novamente, não tanto quanto em Unity, mas estão lá em grande quantidade. Você pode se equipar com kukris, belas vestimentas, várias soqueiras, armas de fogo e até com a bengala do Charles Dickens.


O veredito

Recomendado? Nem tanto. Se você for um fã de Assassin’s Creed que absolutamente amou o Unity (duvido) e o Assassin’s Creed: Black Flag, vá em frente, consertaram e melhoraram algumas coisas, você provavelmente vai gostar. Se você é aquele cara que quer se maravilhar com a série pela primeira vez, talvez seja bom começar por aqui, está longe do desastre que foi o Unity. Mas se você é igual a grande parcela de jogadores que, assim como eu, já está se cansando da mesmice e falhas de ritmo do jogo, não é aqui que ele encontrará sua redenção. Não chega nem perto de ser ruim, mas é a mesma curta e melhorada versão do mesmo título que você vem jogando há quase 8 anos, talvez seja a hora de parar e reconsiderar.

Prós

  • Belíssima retratação da Londres do século XIX;
  • Variabilidade na jogabilidade;
  • Várias opções de customização;
  • Sistemas de movimentação e combate melhorados;
  • Melhor disposição de objetivos no mapa.

Contras

  • A mesma coisa de sempre;
  • Distorção entre a jogabilidade e propósito dos assassinos;
  • Mundo não reativo.
Assassin’s Creed Syndicate — PS4/XBO/PC — Nota 7.0/10
Versão utilizada para análise: PS4
Capa: Gabrielle Mustafa
Revisão: Farley Santos
Pedro Gusmão aprecia bons jogos independente de plataforma e gênero, mas tem um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Aficionado por temas fantásticos, adora passar seu tempo livre escrevendo e enfrentando seres mitológicos em videogames.

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