Blast Test

Cryptark (PC) é pura ação e desafio no espaço

Saqueie naves alienigenas nesse indie de ação com características de roguelike.


O programa de Acesso Antecipado do Steam tem revelado ótimos títulos que contam com a participação ativa dos jogadores em sua produção. Cryptark, um jogo de tiro e ação 2D, foi lançado recentemente no programa e tem sido muito comentado. O motivo é simples: o título apresenta alto grau de polimento aliado à jogabilidade interessante e características de roguelike.

Infiltrações espaciais

O objetivo em Cryptark é infiltrar naves alienígenas abandonadas e desarmar seus sistemas de segurança para que uma empresa sombria possa saquear tudo. Para isso, basta destruir o núcleo da nave, uma estrutura que parece um cérebro. Acontece que não é tarefa simples: normalmente o núcleo está protegido por outros sistemas de segurança, sendo assim é necessário desativar esses subsistemas antes. As fases têm tecnologia alien que podem ser assimiladas para abrir novas armas. Cada estágio consiste em uma nave diferente e elas vão ficando mais complexas e difíceis conforme se avança.


A jogabilidade é simples. O traje espacial do protagonista pode equipar até quatro equipamentos que vão de metralhadoras, lasers, granadas a até mesmo escudos. A roupa conta também com uma investida para se locomover mais rápido e escapar de situações de perigo. Durante as missões, um mapa da nave está disponível e é possível escolher pontos de objetivo — rotas são traçadas automaticamente. Tudo é bem responsivo e funciona muito bem.

Explosões e ação intensa

A ação em Cryptark é bem frenética. As naves estão repletas de inimigos que não param de atacar um só segundo e os outros módulos de segurança deixam as coisas mais complicadas: um alarme faz mais oponentes aparecerem, outra estrutura cria novos inimigos, já um terceiro sistema realiza reparos na nave. Por conta disso, o ritmo é intenso e a ação é constante — bastam alguns segundos de descuido para ser derrotado.

O combate contra os inimigos normais é bem básico, mas desativar os sistemas de segurança é outra história: cada módulo tem uma maneira distinta de ser destruído. Sistemas de alarme, por exemplo, exigem atirar em pequenas frestas em um objeto que gira, enquanto tenta-se evitar o laser que ativa o alarme. Já o módulo de tranca das portas necessita que uma sequência de comandos seja feita. O sistema de escudos só pode receber dano em momentos específicos. Cada módulo de segurança lembra um pequeno puzzle a ser resolvido.


Jogar Cryptark é uma experiência interessante e repleta de tensão. Por conta da alta dificuldade, sempre calculei com cuidado meus movimentos e avaliei as possibilidades: vale mais a pena desabilitar todos os sistemas de segurança para uma batalha final fácil ou será melhor atacar o núcleo de uma vez e lucrar mais por conta da velocidade? No início eu morria muito por querer fazer sempre tudo, mas aos poucos aprendi a medir melhor as situações e assim consegui sobreviver mais um pouco. É um título no qual toda escolha tem que ser pensada com cuidado.

Dificuldade desbalanceada

Cryptark é bem difícil. Além das naves terem uma grande quantidade de inimigos, algumas outras coisas deixam a experiência desafiante — e até mesmo um pouco frustrante.

A principal delas é o dinheiro: ele é a recompensa de completar uma fase, mas a quantidade é bem reduzida. Para conseguir um montante maior, é necessário executar tarefas paralelas e completar tudo dentro de um tempo reduzido — faça tudo isso e você receberá um bônus. Acontece que essas missões adicionais, na maioria das vezes, são um pouco absurdas demais. Perdi a conta das vezes que o jogo exigia que eu terminasse uma fase levando somente uma simples metralhadora e três pontos de energia, o que tornava a missão praticamente impossível por conta da grande quantidade de perigos. Claro, você pode simplesmente ignorar as missões extras, mas as fases mais avançadas exigem equipamentos poderosos e caros, sem dinheiro é muito difícil conseguir superá-las. Espero que a dificuldade dessas missões sejam rebalanceadas no futuro.


Outro problema é a ação confusa. Em muitos momentos, a tela está repleta de inimigos, tiros e explosões e é muito difícil entender o que está acontecendo. Houve várias ocasiões que eu morri por não conseguir entender direito de onde os ataques estavam vindo. A quantidade de inimigos, em alguns momentos, também chega a ser um pouco exagerada a ponto de ser praticamente impossível não ser derrotado. Falta um melhor balanceamento de perigos.

Aventura incompleta

O jogo se autodenomina “roguelike”, mas ele ainda não apresenta uma das características modernas do gênero, que é alguma espécie de progressão. Em outros jogos desse estilo, alguma coisa é desbloqueada definitivamente para as partidas futuras. Cryptark não tem isso, ou seja, quando você recomeça a aventura após ser derrotado, somente o equipamento básico está disponível. Sendo assim, você é obrigado a jogar com armas fracas por algum tempo até achar algo útil — isso se você tiver sorte.



Tecnicamente Cryptark impressiona: tudo é bem desenhado e a atmosfera é bem construída. Eu me surpreendi principalmente com a dublagem e ilustrações, não esperava algo desse nível em um jogo que está em Acesso Antecipado. Contudo, atualmente, o jogo tem pouco conteúdo: existe um único modo, somente. Falta também variedade nos cenários, já que todas as naves têm aparência e inimigos idênticos. A desenvolvedora Alien Trap afirma que tudo isso será melhor trabalhado durante o período de Acesso Antecipado.

Com problemas, mas promissor

Cryptark tem uma estrutura já bem definida. A jogabilidade é frenética e precisa, e os estágios e desafios funcionam. Mas o jogo ainda precisa de muito polimento: a dificuldade precisa de ajustes, mais conteúdo precisa ser colocado e as características de roguelike ainda precisam ser melhor trabalhadas. Felizmente os desenvolvedores já estão cientes desses vários problemas e prometeram resolver tudo isso. Mesmo tendo entrado em Acesso Antecipado recentemente, Cryptark tem tudo para ser um ótimo jogo no futuro.

Revisão: Alberto Canen
Capa: Daniel Serezane
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura e Motoi Sakuraba, é apreciador de boardgames, game music, fotografia, livros e animes. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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