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Análise: The Witcher 3: Wild Hunt — Hearts of Stone (Multi) traz uma história inesquecível

A primeira expansão de The Witcher 3 traz ótimos personagens em uma nova história do bruxeiro Geralt.

Hearts of Stone é um exemplo perfeito de expansão que vale a pena: traz um conteúdo que realmente expande o universo do título, contando uma história envolvente através de missões e personagens inesquecíveis. Também traz um novo sistema para adicionar algo ao gameplay, mas isso não é o mais importante. Talvez o ponto mais inquietante dessa expansão é nos colocar a dúvida se não seria melhor que o The Witcher 3 original tivesse menos conteúdo. Não que a parte chata e "conteudista" de Wild Hunt fosse obrigatória, mas ver um arco de história menor que funciona tão bem acaba colocando essa pulga atrás da orelha.


De qualquer forma, esta é uma expansão no melhor sentido da palavra, já que usa os cenários, a mitologia, enfim, todo o título base para contar uma história e trazer uma nova experiência em The Witcher 3.

Um conto entre contos

Hearts of Stone conta uma excelente história, independente do enredo principal, mas que dialoga a toda momento com este. Dependendo do momento em que você estiver de Wild Hunt, diferentes conversas e opções de diálogos irão aparecer ao longo da expansão. É um bom recurso para conectar os contos e construir melhor alguns personagens, tanto da história original quanto desta nova.

Tudo começa com mais um simples contrato de caça, algo rotineiro na vida de um bruxeiro. Mas não apenas esse contrato não é tão simples quanto parece, como ele se desdobra em um conto ainda mais complexo, macabro e belo. Hearts of Stone brinca com diversos tipos de histórias: subverte um famoso conto de fadas, traz comédia e romance em um momento do tipo "os fantasmas se divertem", nos propõe a execução de um golpe no melhor estilo Onze Homens e um Segredo e GTA V, compõe a tragédia nos últimos e belos atos, e nos coloca em situações faustianas. O melhor de tudo é que cada um destes momentos do enredo é muito bem executado. Fora o bom roteiro, dois fatores são essenciais para isso: os personagens e o design de missões do título.
Shani retorna em Hearts of Stone, e traz um possível interesse amoroso para Geralt.
Olgierd von Everec e Gaunter O'Dim se tornaram, rapidamente, dois de meus personagens preferidos. Os aspectos das personalidades dos dois vão se revelando aos poucos, ao longo das missões e interações, revelando personagens muito bem construídos que, amados ou odiados, dificilmente serão ignorados. É claro que os dois são as estrelas de Hearts of Stone, mas o resto do cast também agrada bastante. Conhecer a todos é como descascar uma cebola, cortá-la ao meio e tentar enxergar seu centro antes de picotar tudo: diferentes camadas aparecerão e, quem sabe, você acabará com lágrimas nos olhos.

Missões e batalhas 

O aspecto de The Witcher 3: Wild Hunt que mais gostei foi a forma como as missões se desdobram em outras, passando pelas cidades e cenários do grande mapa, construindo a história e, ao mesmo tempo, se apoiando nas particularidades de cada lugar para contá-la enquanto jogamos. Em Hearts of Stone o enredo vai se desenvolvendo da mesma forma, a partir de missões interessantes e diferenciadas entre si. Não vemos apenas uma distinção narrativa em cada momento da história, mas também diferentes objetivos e alguns twists em como se dão as missões.

De forma oportuna, a renovação de uma parte do mapa convida à exploração por entre novos lugares relevantes à história que está sendo contada. São propriedades pertencentes às nobres e antigas linhagens da região de Redania, além de uma série de acampamentos de bandidos (que mostram o que ocorreu com parte de uma certa facção da região), etc. Para quem sentiu falta de mais ação na cidade de Oxenfurt, a expansão também nos guia pela importante cidade acadêmica.
Novos lugares aparecem na parte nordeste do mapa.
O novidade que chega em Hearts of Stone é o sistema de encantamento. Após uma missão secundária, Geralt pode usar as habilidades de um comerciante para encantar armas e armaduras. Só dá para encantar equipamentos que tenham 3 espaços para runa, e cada encantamento custa runas para ser feito, além de coroas, é claro. Não é possível equipar runas em um equipamento encantado. No geral os encantamentos são bem úteis, principalmente os mais avançados (mas se prepare para deixar muitas moedas com o comerciante se quiser ter acesso aos encantamentos superiores). É uma novidade interessante e não deixa de ser catártico caminhar tranquilamente em direção a um grupo de arqueiros, enquanto todas as flechas defletem na armadura, e arrancar a cabeça de cada um deles ao fim dos (estilosos) passos.
As palavras encantadas marcadas na espada.
Mas o mais bacana da jogabilidade na expansão são os novos inimigos, sobretudo os chefes. São poucas, mas tensas e boas batalhas, cada uma delas trazendo algo novo, seja nos movimentos do próprio adversário, ou até mesmo em mudanças e situações únicas durante os combates. A parte negativa é que essas batalhas, por um lado, estão mal espaçadas pelo jogo, e também evidenciam em alguns momentos que o sistema de batalha do game deixa um pouco a desejar.

Um Witcher 3 mais enxuto (mas não menos competente)

Não é justo comparar missões com escopos tão diferentes, mas a expansão, por ser menor, consegue entregar uma experiência polida, pensada nos mínimos detalhes e que, sobretudo, não se torna repetitiva com as mesmas batalhas e buscas por pontos de interrogação intermináveis. Claro que também não haveria Hearts of Stone sem The Witcher 3: Wild Hunt. Entretanto, a expansão traz uma jornada concisa, com excelente design de missões e algumas novidades interessantes para contar a bela história (através de diferentes tipos de contos) de inesquecíveis personagens. A CD Projekt Red mostra, acima de tudo, que é capaz trazer outros contos interessantes para o mundo de The Witcher. Que a nova aventura de Geralt (Blood and Wine) chegue logo, mas, você aí atrás do espelho, não encare isso como um pedido.
A atenção aos detalhes continua: no dia seguinte a uma festa temos pessoas limpando e bêbados pelo local.

Prós

  • História excelente, com um enredo que flerta com diversos tipos de contos;
  • Personagens memoráveis;
  • Design de missões e revitalização de uma parte do mapa;
  • Novo sistema de encantamento;
  • Batalhas diferenciadas contra chefes;
  • Novo arco de romance;
  • Dialoga, mas não se apoia sobre o game original.

Contras

  • O sistema de batalha ainda deixa um pouco a desejar, mesmo com chefes interessantes;
  • Esses combates especiais podem parecer mal espaçados pelo jogo.
The Witcher 3: Wild Hunt: Hearts of Stone — PC/PS4/Xbox One — Nota: 9.0
Versão utilizada para a análise: PS4.
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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