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Análise: PES 2016 (Multi), na boa, por que você joga?

Me perguntam isso há quase 20 anos e não seria diferente dessa vez.


Uma característica interessante da chamada “imprensa gamer” é que é relativamente difícil encontrar pessoas que gostem de jogos de franquias mais populares com o público menos aficionado, como os da franquia Call of Duty, simuladores de corrida e esportes, em particular, futebol. Eu ainda estou no raro grupo que acompanha a série de jogos da Konami desde International Superstar Soccer (SNES) e, em particular, desde Winning Eleven 97 (PS), ou “Winning Eleven 2”, para a série atual (Winning Eleven ainda é utilizado no Japão).
Estive com a franquia ao longo de 18 de seus recém-completados 20 anos e, por todo esse tempo, uma pergunta era feita com os mais diversos sentidos:

Na boa, por que você joga PES?

Antes de mais nada, porque PES 2016 mantém a característica-chave que me fez dar preferência a ela em quase todos os anos ou, ao menos, me fez comprá-la para ver como está. PES 2016 ainda se mantém como um jogo com menos compromisso de ser futebol e mais compromisso em ser videogame. É aquela história que o americano sempre pergunta sobre futebol: “mas são tão poucos pontos, como você gosta disso?”. PES explica.

Não que ele seja irreal: na verdade, os passes e chutes melhoraram consideravelmente, estão bem menos mágicos. Idem para a inteligência artificial, que agora se comporta de uma forma parecida com a dos times na vida real e, praticamente em todos os casos, não vai te deixar frustrado por um comportamento amador, como acontecia com muita frequência há alguns anos na franquia. Parece que eles concentraram toda a “burrice artificial" nos goleiros, e são eles que causam uma raiva absurda em qualquer ataque adversário, algo que o tweet a seguir explica melhor do que qualquer palavra que eu escrever aqui.

Só que isso só responde a pergunta para as pessoas que já gostam de jogos de futebol, então mesmo afirmando isso, eu continuo ouvindo:

Na boa, por que você joga PES??

Porque PES 2016 tem modos de jogo com uma progressão admirável. Embora o queridinho da vez seja o myClub, modo de jogo de montagem de time online com um sistema de microtransações pouco agressivo, o matchmaking do jogo ainda está deixando a desejar, por ser bem difícil encontrar um adversário para auxiliar no máximo proveito do recurso. Defeitos que esperamos que melhore em versões futuras.
Apesar disso, a Master League é meu modo favorito, desde seu surgimento em Winning Eleven 4 (PS). Nesta edição, a mudança mais notória foi a redução da nossa responsabilidade no fechamento de contratos, algo bem-vindo, porque o bom mesmo é ser o técnico e montar o seu time do nada, conseguindo contratar e revelar grandes astros. O Rumo ao Estrelato também está lá, garantindo o processo de progressão com um único jogador.

Mas isso responde a pergunta pra quem gosta de entender decisões de design. Muitos ainda perguntam:

Na boa, por que você joga PES???

Porque PES 2016 finalmente amadureceu o uso da Fox Engine, o poderoso motor desenvolvido pela Kojima Studios capaz de fazer o gigante Metal Gear Solid V: The Phantom Pain (Multi) rodar bem em consoles da geração passada e PCs mais ultrapassados. Aqui, a Fox Engine garante uma movimentação bem fluida dos jogadores, assim como sua caracterização detalhada. Detalhar os jogadores, mesmo com as dificuldades de conseguir licenciamento, é algo que a Konami sempre buscou fazer com criatividade. Se no passado Allejos e Galfanos foram inventados, neste ano (finalmente!) a escolha de comemoração do gol foi implementada.

A história é contada por vencedores e o Galfano perdeu
De todos os recursos que a Fox Engine oferece, o que mais me apeteceu foi a mudança de tempo durante o jogo, isto é, no meio da partida pode começar a chover. A frequência da mudança de tempo depende do estádio no qual estamos jogando, por exemplo, o Itaquerão, que fica em São Paulo, vai ter um comportamento diferente do Maracanã, no Rio de Janeiro. O tempo, como de hábito, influencia diretamente na física do jogo.

Apesar do poder do recurso, eventualmente quedas de frame aparecem em momentos críticos do jogo, como momentos de ataque nos quais há muitos jogadores próximos à área.

Isso responde a pergunta dos fanáticos por números que adoram discutir em fóruns, mas a pergunta ainda ecoa:

Na boa, por que você joga PES????

Porque PES 2016 tem todos os clubes brasileiros da primeira divisão e alguns da segunda divisão, como o Botafogo. Em especial, uma exclusividade que garantirá tratamento especial em uniformes, detalhamento de jogadores e estádio para Corinthians e Flamengo, meu time de coração, foi fechada pela Konami. Jogar futebol é bom, mas jogar com o time que você ama é melhor ainda. Some a isso à presença por mais um ano de UEFA Champions League, Libertadores, Europa League, Copa Sulamericana e AFC Champions League, além da recém-anunciada Eurocopa 2016, e já temos motivos suficientes para trazer a paixão do futebol para os videogames.

E bem, se a pergunta ainda ecoa, eu que te pergunto: por que você não joga?

Prós

  • É futebol sem deixar de ser videogame;
  • Melhorias no sistema de passes;
  • Sistemas de jogo com progressão entusiasmante;
  • Bom uso da Fox Engine;
  • Contratos de licenciamento.

Contras

  • Goleiros não inspiram confiança;
  • Matchmaking funciona mal;
  • Quedas de frame em momentos relevantes.

PES 2016 — PS4/XBO/PC/PS3/X360 — Nota: 8.5
Versão utilizada para a análise: Xbox One.

Revisão: Alberto Canen
Capa: Felipe Araujo

Roberto Rezende é engenheiro de computação e brinca de game designer nos tempos vagos. Acha que Mega Man X4 é o melhor jogo já feito e acha Battletoads o jogo mais superestimado da história. No pouco tempo que sobra, faz reflexões no Juiz Cachorro. Está no Facebook, mas fala muito mesmo no Twitter.

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