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Análise: Metal Gear Solid V: The Phantom Pain (Multi) — Terminando a série com chave de ouro

Tendo acompanhado a saga de Big Boss ou não, este é um título obrigatório para os fãs de espionagem tática.


A primeira vez que joguei um jogo da série Metal Gear ocorreu em um PlayStation. Na época, entrando na adolescência, pouco entendia a história, mas me divertia muito tentando me esconder dos soldados e atacá-los pelas costas. Anos se passaram, e só recentemente tive a oportunidade de entender melhor a narrativa tão incrível, feita por um dos maiores gênios dos videogames: Hideo Kojima.


É muito difícil contar os acontecimentos de Metal Gear para alguém que nunca jogou. Contando com temas políticos e diversas guerras frias, é preciso ter boa memória para lembrar os nomes e apelidos de tantos personagens (sendo que há até clones no meio de tudo). Mesmo assim, sem entender tudo o que ocorreu, todos os jogos trouxeram mecânicas inovadoras e momentos inesquecíveis, contados em grande maioria através de enormes vídeos. A base de fãs cresceu de tamanha maneira que parecia impossível ter um fim próximo — o que, infelizmente, acaba de acontecer.
Ver personagens com tantos detalhes em tempo real é a prova de que Metal Gear Solid passou por diversas gerações, e continua firme e forte.

Para todas as gerações

Não foi segredo para ninguém enquanto ocorreu: a Konami e Hideo Kojima se desentenderam, seguindo caminhos opostos. Com isso, o promissor jogo Silent Hills foi cancelado, e Metal Gear Solid V (Multi) se tornou o que deve ser o último jogo da franquia. Os problemas foram tantos que até mesmo o nome do diretor foi retirado da capa, causando raiva em muitos jogadores, que usaram as próprias canetas para homenagear o seu ídolo.

Sem nenhuma surpresa, a última parte da história de Big Boss inovou e melhorou o que já era fantástico. Enquanto nos outros jogos tudo ocorria de maneira linear, em espaços predeterminados e com objetivos claros, neste tudo é feito de acordo com a vontade do jogador. Nada mais justo com a nova geração de consoles do que a existência de um mundo aberto, cheio de missões e abusando da capacidade de processamento das máquinas (a equipe de desenvolvimento também merece parabéns pelo excelente trabalho de fazer com que tudo funcionasse no PS3 e X360 de maneira tão fluida).
É difícil não parar alguns minutos para observar a beleza dos cenários.

Nos consoles mais atuais, o choque inicial já é enorme — principalmente para aqueles que jogaram com personagens sem definição alguma no PlayStation. Os gráficos estão lindos, com movimentações realistas, texturas detalhadas e tudo funcionando com 60 quadros por segundo, sem qualquer queda de performance aparente. A trilha sonora, como sempre, é de altíssima qualidade, transformando qualquer momento simples em algo épico. Os controles não são surpresa aos familiarizados com as mecâncias, facilitando o trabalho para os antigos jogadores (os recentes, porém, podem demorar um pouco para se acostumar).

Após uma introdução que nos conta o que ocorreu com Big Boss após o final de Ground Zeroes (Multi), logo somos colocados em um helicóptero — que é um dos locais mais visitados durante todo o jogo. Ali, temos em nossas mãos um aparelho capaz de nos dizer as missões disponíveis e suas localizações nos mapas, e basta aceitar uma delas para que sejamos levados até lá e tentemos realizá-la.
Dentro do helicóptero também é possível customizar símbolos, cores e demais acessórios utilizados em batalhas. 

Um infinito de possibilidades

O maior diferencial de Metal Gear Solid V é a possibilidade de realizar as missões da maneira que satisfizer as vontades do jogador. Eu, por exemplo, sempre tive grande dificuldade em me manter escondido, entrando em pânico ao ser descoberto e atirando para todos os lados. Contudo, pude escolher diversas maneiras para contornar esse problema: os elementos do cenário funcionam de maneiras nunca antes vistas na série.

Além de Big Boss, temos um cavalo como aliado desde o início. Além de auxiliar durante a movimentação pelo enorme cenário, é possível utilizá-lo de outras maneiras, dificultando o inimigo durante o combate — até mesmo suas fezes podem ser usadas para fazer com que os soldados escorreguem. Bombas podem ser plantadas em lugares estratégicos, levando tudo para os ares enquanto assistimos de longe, ou tempestades de areia surgem e conseguimos correr entre grupos de pessoas, assassinando-as sem que percebam nossa presença. Até mesmo permanecer parado pode trazer benefícios, já que aprendemos os movimentos alheios e criamos planos para o ataque.
A câmera do jogo abusa da alternância de foco, deixando tudo ainda mais realista. 

Entre uma missão e outra, há muito o que fazer. De maneira brilhante, Kojima nos presenteou com algo feito somente em Peace Walker (PSP): uma base customizável. Chamada de Mother Base, lá é onde encontramos outros membros da equipe e desenvolvemos itens para serem usados nas missões. Dentro de menus específicos é possível criar armas, roupas e melhorias de defesa para os personagens — é importante planejar essa parte com calma, já que o dinheiro é limitado.
A Mother Base pode (e deve) ser melhorada conforme a progressão, aumentando o seu tamanho e obrigando o jogador a andar por ela dentro de um carro.

Conforme o jogo progride, Big Boss não é o único a melhorar os seus equipamentos. Após diversas batalhas, os inimigos passarão a entender melhor suas formas de combate, colocando acessórios que os protejam de ações repetidas muitas vezes pelo jogador. Para evitar que isso ocorra, é preciso destruir os satélites de comunicação espalhados pelo cenário (geralmente em locais de difícil acesso) e melhorar a sua equipe ao adicionar novos membros — uma das partes mais divertidas do jogo.
É extremamente divertido ouvir o grito do soldado ao ser enviado para a Mother Base, que sai voando para o espaço em segundos.

Após encontrar algo que possa ser útil para o personagem, o jogador tem a opção de enviá-lo para a Mother Base em um balão. Para isso, é preciso dopar um adversário (ou animal) e prendê-lo em um acessório que o mandará para os ares em alguns segundos. Itens leves também podem passar por esse processo desde que haja sinalização indicando a ação.

O passado futuro de Big Boss

Se você acompanhou o último jogo, Metal Gear Solid: Ground Zeroes, sabe que ele terminou com um desastre aéreo. Big Boss, Miller e Chico estão em um helicóptero após resgatarem Paz, até que ela pule do veículo e exploda no ar: tudo era uma emboscada para que fossem atacados enquanto tentavam salvá-la. Após uma batalha contra os invasores em suas bases, o helicóptero é danificado e cai com todos os personagens. Metal Gear Solid V continua a partir de então.
Além de um misterioso vilão com o rosto desfigurado, há seres que parecem zumbis (mas extremamente rápidos), que deixam a aventura muito mais difícil.

Nove anos se passaram desde o acidente. Chico morreu, Miller perdeu uma perna e um braço e Big Boss está em coma em um hospital. Como nada ocorre de maneira tranquila em sua vida, ao acordar sofre uma tentativa de assassinato e é obrigado a fugir do local, descobrindo tudo o que ocorreu enquanto dormia: o mundo o quer morto, enquanto Miller busca por vingança e é preciso lutar por um futuro melhor, sem guerras.

Se você busca por experiências semelhantes aos outros jogos, com longos vídeos, pode sair um pouco desapontado. A história é contada de pouco em pouco, sendo feita conforme as missões são completadas (e muitas vezes é feita a partir de pequenos diálogos contra inimigos). Se antes nos víamos com pipoca e cobertor para entender a narrativa de Snake, agora passamos a maior parte com o controle nas mãos. E isso é ótimo!
O tempo transcorre conforme jogamos, fazendo com que tenhamos que derrotar inimigos e infiltrar bases durante a noite.

Fugindo ainda mais da narrativa tradicional, Metal Gear Solid V nos dá vários motivos para continuar jogando mesmo após o seu fim. Há diversos animais para capturar (criando um verdadeiro zoológico em sua Mother Base), áreas para dominar, missões secundárias para finalizar, arquivos de áudio e texto para encontrar e armamento para criar. Haverá até mesmo um modo online, ainda não lançada, que promete microtransações em dinheiro real, entrando na era dos jogos free to play — Kojima está de olho no mundo todo.

O grande problema

Assim como a grande maior parte dos jogos de mundo aberto, The Phantom Pain conta com pequenos erros e bugs. Alguns elementos do cenário atravessam os personagens, objetos desaparecem do nada e até mesmo nos vemos caindo para um espaço inexistente na tela, ficando presos até reiniciar a partida. Parece horrível, mas não incomoda em nada perante uma experiência tão incrível que o jogo nos proporciona.
Ao capturar soldados, eles são enviados para a Mother Base e tem funções designadas, auxiliando em seu desenvolvimento. Hideo Kojima aparece e também pode se integrar à equipe.

Se há um único grande problema é o fato de esse provavelmente ser o último da franquia com o seu criador, tendo em vista os desacordos entre Hideo Kojima e a Konami. Apesar de ter terminado de maneira brilhante, fazendo com que sempre nos lembremos do quão incrível foi vivenciar a sua história, Metal Gear merecia durar por muito mais tempo.

Metal Gear Solid V se torna um clássico instântaneo. Abrangindo a grande maior parte dos jogadores, consegue contar uma história complexa de maneira divertida, atraindo até mesmo quem nunca jogou os outros jogos da franquia. A genialidade de Hideo Kojima está mostrada em cada detalhe, com referências a outros trabalhos e diversas homenagens aos fãs. Felizmente, ele não nos deixará, criando tantos outros títulos no futuro, deixando um enorme legado para os futuros jogadores — basta ver que P.T. (PS4), sendo apenas uma demonstração, consegue ser mais assustador do que tantos outros jogos.
As aventuras ficam muito menos solitárias após encontrar um pequeno (e lindo) cachorro, que, após crescer, acompanha Big Boss nas missões.

Não há outra maneira de terminar este texto: obrigado, mestre! Tendo o seu nome na capa, ou não, esse sempre será um jogo de Hideo Kojima.

Prós

  • Um mundo aberto detalhado e cheio de possibilidades;
  • Missões inteligentes e com longa duração;
  • Customizações e diversas maneiras de jogar;
  • Gráficos e trilha sonora fantásticos;
  • História termina com chave de ouro;
  • Diversas coisas para fazer após o fim do jogo;
  • Inteligência artificial realmente inteligente;
  • Legendas em português de alta qualidade.

Contras

  • Pequenos bugs e erros. 

Metal Gear Solid V: The Phantom Pain — PS3/PS4/X360/XBO/PC  Nota: 10
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Felipe Araujo
Leandro Rizzardi se aventura nas terras de redação de games, livros e roteiros de fantasia. Extremamente apaixonado por universos imaginários, descobriu nos videogames o lugar perfeito para viver — o que resultou no crescimento de sua barba. Pode ser encontrado em seu Facebook, quando não estiver jogando.

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