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Análise: Skyshine's BEDLAM (PC) é um RPG tático que mistura temática de Mad Max com Fallout

Guie seus aliados até Aztec City em um mundo pós-apocalíptico no qual os recursos escassos são fundamentais.

Graças ao retorno triunfal da franquia Mad Max aos cinemas e do anúncio de Fallout 4, a temática “mundo pós-apocalíptico” voltou a permear o gosto dos amantes da cultura pop. Os gamers, é claro, são uma parcela significativa destes admiradores de um possível futuro sombrio para os habitantes da Terra. Logo, é natural que uma avalanche de games semelhantes comecem a ser lançados. Skyshine’s BEDLAM é um destes títulos inspirados em um planeta caótico em que cada movimento precisa ser calculado.

Para a terra prometida

A história de BEDLAM se passa em uma época futurística na qual diversos grupos lutam pelo domínio dos escassos recursos que ainda restam no planeta. Você é Mechanic, o remanescente de um clã de grandes viajantes e brilhantes inventores que já foi muito próspero no passado. Seu objetivo é sair da megalópole Bizantine, governada pelo rei-tirano Viscera e chegar a Aztec City, a terra mística. Antes disso, porém, é necessário desbravar as temidas terras devastadas de Bedlam. Qualquer semelhança com o enredo de Mad Max certamente não é mera coincidência.



Para começar, 1.000 cidadãos se unem a sua causa e serão a tripulação do seu Dozer, uma espécie de veículo gigante que funciona como uma base sobre rodas. Esse número pode aumentar ou diminuir ao longo da jornada, recrutando novos combatentes ou perdendo aliados em emboscadas ou pela escassez de recursos. É preciso visitar locais para derrotar inimigos, ganhar itens ou conseguir novos recursos. O gerenciamento destes últimos é fundamental para o sucesso na jornada.

A cada deslocamento os dias vão se passando e junto com eles se vão o Crude (combustível) e as Meats (Carnes, alimentos). Quando mais distante o local, maior o consumo de combustível e de alimento. Se você ficar sem um dos dois, a derrota é certa. Há também as Powercells (Células de energia), utilizadas para a compra de bônus dentro das batalhas e de upgrades para seu veículo. As powercells podem ser cruciais em desafios mais complexos, por isso é bom sempre ter algumas acumuladas para garantir.
Se o Blitzometer se encher, prepare-se para um ataque mais bombado do inimigo.
São quatro raças existentes: Humans (Humanos), Mutants (Mutantes), Cyborgs (Ciborgues), Rogue A.I. (Robôs Mercenários) e Marauders (Bandidos ou Trapaceiros). Cada qual possui guerreiros próprios, embora as classes sejam as mesmas, e veículos únicos. A diferença dos veículos é o consumo de itens: algumas classes favorecem as células de energia, enquanto outras recolhem mais alimento ou combustível.

Xadrez de batalha

No mapa principal você deve selecionar qual caminho seguir, sempre de olho nos recursos disponíveis. A dica é selecionar dois ou três locais por zona, mas jamais ir em todas (algumas não lhe trarão benefício ou item algum).
Algumas batalhas são bastante duras, contra 10 ou mais inimigos.
Dentro das batalhas, BEDLAM possui uma jogabilidade semelhante a um jogo de xadrez ou de damas. Cada soldado ocupa um quadrado e move-se neste esquema de “casas”. Um turno é composto por apenas duas ações. Isso independe se você tem seis, três ou apenas um soldado no campo de batalha: serão sempre apenas duas ações, que podem ser movimentações ou ataques.

Cada classe possui pontos fortes e fracos que devem ser explorados com sabedoria. Não adianta correr para cima do inimigo com um Deadeye. É necessário, também, ficar atento para não ser encurralado e morto. As classes disponíveis são as seguintes:

a) Deadeye — Utilizam armas de longo alcance e extremamente potentes. Dependendo da sorte, é possível acertar headshots que matam o inimigo com apenas um tiro. Seu ponto negativo é a baixa mobilidade e o medidor de vida reduzido.

b) Frontlines — Com espada laser e escudo, esses soldados são a linha de frente da batalha. Eles possuem bastante vida e uma grande mobilidade, sendo ótimos para coletar recursos. No entanto, seu ataque é bastante fraco.

c) Gunslingers — São os pistoleiros do game. Eles possuem uma vida mediana e uma movimentação razoável. Os tiros podem ser dados com uma certa distância e causam um bom dano.

d) Trenchers — Com armamento pesado, esse soldados usam escopetas para aniquilar os inimigos. Movimentam-se um pouco melhor que os Gunslingers, mas só conseguem atirar nas adjacências. Contudo, o forte tiro faz com que o personagem rival seja arremessado duas casas para trás.

Os inimigos, mesmo na dificuldade mais baixa, não vão perdoar seu erro. É aí que entra a funcionalidade que mais tira o sono dos jogadores: a morte permanente. Morreu? Pode dar adeus ao seu colega. E para recuperar a vida de um personagem ferido é necessário aguardar certo período de tempo.
Repare no multiplicador. Quanto menos soldados usados, mais recursos você ganha.

Cada classe começa com quatro soldados. Ao longo da jornada é possível convidar chefes e outros combatentes para lutar ao nosso lado. Os chefes são maiores, ocupam quatro casas e possuem golpes especiais. Conforme os inimigos são derrotados, aquele soldado vai ganhando experiência que pode lhe render uma nova patente ou um aumento de nível. Quanto maior a patente e o level, maior o medidor de vida e mais dano o seu personagem causa.

Uma HQ jogável

O game utiliza um visual semelhante aos tradicionais quadrinhos da Marvel e da DC Comics. O traço lembra bastante a série Borderlands (Multi). Os personagens são bem desenhados, variados e possuem características físicas próprias. No entanto, eles são apenas imagens estáticas na tela, sem qualquer emoção ou movimentos. E é essa falta de imersão que é o principal pecado do game.

A história, que poderia ser vasta e excelente, acaba não cativando devido à monotonia da mecânica fora das batalhas. Todos os diálogos são escritos e as decisões são escolhidas via cursor. Para a sorte do jogador, as falas costumam ser curtas e bastante diretas, o que reduz um pouco da frustração.

Há três níveis de dificuldade: fácil, normal e difícil. O nível fácil não permite desbloqueio de conquistas e nem de veículos novos. Apesar disso, é a melhor forma de se ambientar com BEDLAM. A dificuldade do jogo é absurda e começando no easy você pode se familiarizar com a jogabilidade e pegar as manhas para encarar os inimigos em um modo mais difícil. Mas não vá pensando que as coisas serão fáceis, não.

O modo difícil deveria ser chamado de Impossible, já que é extremamente complexo. Todas as dicas e auxílios dos modos anteriores (como o número de casas que se pode andar ou o local de acerto do inimigo) são completamente removidas. Só sendo um mestre para aniquilar os adversários e ainda conseguir manter-se vivo ao final dos turnos.

Apocalipse decepcionante

A impressão que fica é que Skyshine’s BEDLAM é um game feito em linguagem flash para Facebook, tipo FarmVille ou genéricos. Não há muito conteúdo desbloqueável (exceto veículos novos) e nem finais alternativos, o que pode desmotivar uma nova partida. Um jogador novato consegue chegar a Aztec City em menos de três horas tranquilamente, já contados aí o tempo de aprendizagem.
A parte das batalhas é divertida e obriga o jogador a pensar bastante antes de agir, mas todo o resto fica aquém do esperado. O jogo tentou reproduzir elementos de séries consagradas e até conseguiu criar conceitos interessantes, mas acabou por desperdiçar a chance de fazer algo memorável para lançar apenas “mais um jogo inspirado em mundo pós-apocalíptico”.

Prós

  • Mecânica de batalhas inteligente e desafiadora;
  • Visual bonito.

Contras

  • História pouco envolvente;
  • Mecânica fora das batalhas entediante;
  • Sistema de recompensas pífio;
  • Sem interação online;
  • Sem tradução para português (PT-BR).
Skyshine’s BEDLAM — PC — Nota: 6.5
Revisão: Alberto Canen
Capa: Diego Migueis
Alveni Lisboa escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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