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Análise: FullBlast (Wii U/Mobile) é o retorno do clássico estilo de navinhas

Reviva a febre do gênero shoot’n up nesta adaptação indie moderna para o Wii U e para mobiles.

Quem curtiu games nas décadas de 80 e 90 do século passado certamente deve se lembrar do gênero shoot’n up. Nunca ouviu falar? E se eu dissesse “jogo de navinha”? Lembra de Galaga, Space Invaders e River Raid? Ah, agora sim. Fullblast é uma espécie de sucessor espiritual deste estilo de jogo, que tem como principais representantes na atualidade as franquias Super Stardust e Resogun. Mas será que o game do desenvolvedor indie Antonio Calo consegue tanto êxito quanto os sucessos mencionados neste parágrafo?


O game foi lançado no final de 2014 para os sistemas operacionais móveis iOS e Android. É importante saber disso porque a versão de Wii U é apenas um port da versão para tablets e smartphones. A mesma proporção da área de jogo foi mantida em relação aos portáteis: basta ver as barras que preenchem as laterais da sua TV. Sabendo disso, a chance de você se decepcionar pode ser reduzida.

Explosão do passado

Os tradicionais jogos de navinhas baseiam-se numa mecânica simples. A tela vai se movendo verticalmente de baixo para cima (ou da esquerda para a direita) e o jogador deve desviar dos disparos ao mesmo tempo em que tenta eliminar o máximo de inimigos possíveis. Ação frenética e dificuldade elevada são marcas fortes do gênero.
Fullblast não foge dessa mecânica e peca exatamente por isso. Em um estilo praticamente esgotado, o jogo se restringe aos elementos básicos de 20 anos atrás. Os três cenários (cidade, floresta e águas congeladas), os inimigos (tanques, navios e aliens que parecem insetos), os power-ups e até os chefes parecem ter sido reciclados de algum título lá de meados dos anos 1990. São 12 fases que vão sendo liberadas conforme o seu avanço.

Nem o enredo escapa do clichê dos primórdios dos videogames: “A cidade está sob ataque. Aliens chegaram de um mundo distante para espalhar o terror”. Este é o prólogo da aventura. O protagonista, condutor do avião de combate, sequer possui nome — ele é chamado apenas de Piloto. Assim fica difícil criar alguma identificação, não é?

Um visual bacaninha e nada mais

O Wii U não tem um grande poderio para processar gráficos ultrarealistas e todo mundo sabe disso. Logo, não dá para cobrar de FullBlast um visual de ponta. Porém, o que nos é apresentado é algo bem abaixo até para a geração anterior. Os gráficos seguem uma linha cartunesca, com onomatopéias quando se acerta os inimigos, mas são bastante simplórios, exatamente iguais aos que rodam no celular que está aí próximo a você.
Barras laterais preservam a resolução original do game
A equipe de produção nem se deu ao trabalho de adaptar a jogabilidade para o GamePad — o que seria perfeitamente coerente em um console que lhe oferece um tablet como controlador. E os controles por movimento, que poderiam ter algum diferencial neste caso, também não deram as caras. É tudo muito seco: jogue na TV, controle o avião com a alavanca e atire nos botões. Nos smartphones, curiosamente, a jogabilidade ficou bem mais divertida: a nave atira sozinha e você deve apenas tocar na tela para movê-la para onde quiser.

O ponto negativo pode ser também o ponto positivo de FullBlast. Por ser tão simplório, o shoot`n up pode agradar novatos no gênero. Isso porque o nível de dificuldade, apesar de mais elevado do que a maioria dos games atuais, vai aumentando progressivamente com o passar de níveis. Você não tem que se preocupar com táticas elaboradas, obstáculos e paredes para desviar ou com multiplicadores complexos de pontuação. Basta sentar o dedo e desviar dos projéteis disparados por adversários.
Há um medidor de vida que o possibilita de levar vários tiros até que sua nave exploda. No entanto, se isso ocorrer, prepare-se para sofrer. Você perderá todos os power-ups acumulados e voltará a ter aquele velho e ruim atirador de feijões que mal fazem cócegas nos inimigos. Bombas, então, nem pensar.. Elas só serão reabastecidas se você reiniciar ou passar de fase. Caso gaste tudo antes terá que encarar o chefão sozinho.

Acelere sua nave e fuja (para longe)

O título oferece a possibilidade de até dois jogadores simultâneos locais. Neste caso, o jogo fica mais fácil e até um pouco mais divertido. A única interação on-line são os placares de outros adversários, que só servem para os fanáticos por desafios mesmo.
O multiplayer local oferece tiroteio para dois amigos.
A trilha sonora cumpre bem o seu papel, utilizando riffs de guitarra, sons mecânicos e de explosões e músicas competentes. Não há nada de excepcional, mas também não existem melodias tediosas ou incompatíveis com a ação.

FullBlast é um game bastante despretensioso. Ele não tem a necessidade de vender muito e nem possui uma mega equipe de desenvolvimento. Talvez por isso seja tão regular. Quem não conhece o estilo pode até se divertir por poucas horas, mas os famigerados com os jogos de navinha certamente irão detestá-lo pela falta de novidades e até de dificuldade bem aquém das principais franquias.

Prós

  • Fácil de aprender

Contras

  • Parece ter sido inteiramente copiado
  • Sem preocupação com a história
  • Pouca variedade de inimigos e cenários
  • Falta de adaptações para o Wii U
FullBlast - (Wii U e Mobile) - Nota 5,0

Versão usada na análise: Wii U
Revisão: Jaime Ninice
Capa: Peterson Barros 
Alveni Lisboa escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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