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Análise: Aprenda em Concrete Jungle (PC) como construir uma cidade usando cartas

Essa inovadora combinação de planejamento urbano, card game e puzzle cria uma experiência prazerosa e difícil


Conheci Concrete Jungle no final de 2014, ao ler um e-mail de sugestões de novos projetos do site de crowdfunding Kickstarter. Caso não esteja familiarizado com esse conceito, alguém sugere um projeto no site, com diversas especificações e várias possibilidades de doação para o projeto. Caso as doações alcancem o valor mínimo até uma data máxima, o projeto vai para frente. No contrário, os doadores recebem seu dinheiro de volta. E no caso de jogos, os desenvolvedores costumam estipular algumas cláusulas extras se superarem a marca de X dólares doados, adicionando personagens, missões ou itens adicionais por exemplo.


Seu criador, o britânico Cole Jefferies, já havia criado um jogo misturando puzzle e construção de cidades em MegaCity, lançado para celulares em 2011. Entendendo que podia levar essa experiência adiante, começou a brincar com a ideia de misturar a jogabilidade do título anterior com a de um card game, usando um visual gráfico isométrico parecido com o que víamos em jogos dos anos 1990. Assim que chegou a uma primeira versão funcional do jogo, entendeu que podia dividir os custos do desenvolvimento via Kickstarter para conseguir criar um produto ainda melhor. E foi o que aconteceu com alguns meses de atraso, após levantar £13.870 (cerca de R$ 83.600), cerca de 450% acima da meta inicial de £ 3.000 (pouco mais de R$ 18.000).

Mãos às cartas!

À primeira vista, o jogo parece outros simuladores de construção de cidade. Você começa em um pequeno terreno vazio, com quadrados marcando o espaço destinado às construções, como se fosse um tabuleiro. Mas a diferença começa no modo em que você constrói. Você tem disponível duas cartas por vez para escolher qual será o próximo edifício que vai erguer, e assim que escolher a carta e o local onde o edifício será construído, e ambas cartas são repassadas para o final de seu deck para ser reembaralhada (com raras exceções).
Cada um dos estágios é um dos distritos da grande Caribou City

Você precisa alcançar três pontos em cada linha de construção para movimentar as colunas para frente e ganhar mais espaço para construir. Isso continua até que você alcance e consiga cruzar a linha final do mapa para ganhar o estágio. E aqui começa a parte puzzle do jogo, já que algumas cartas dão pontos adicionais, enquanto outras tiram pontos e somente algumas geram esses pontos. Porém, essa parte segue uma lógica já presente em outros jogos de planejamento urbano como SimCity. Residências são as construções que geram pontos, e as pessoas preferem morar perto de parques ao invés de fábricas. Portanto, fica fácil de entender que ao colocar um parque você pode escolher um quadrado para ganhar um bônus de +1, enquanto fábricas geram -1 para quatro direções em sua volta.
As primeiras fases apresentam bastante espaço vazio para você se familiarizar com os conceitos do jogo


O problema é gerenciar o curto espaço que você possui para equilibrar as coisas. São poucos quadrados para construção em cada linha, e você acaba precisando de quadrados de uma linha próxima para beneficiar as construções da primeira linha. Sem contar que em algumas fases existem mais obstáculos, como rios e prédios já construídos afetando os quadrados vazios. E para tornar as coisas ainda mais difíceis, você não pode demolir o que já foi construído ou o que está em linhas na qual você já avançou. Então o ideal é planejar as linhas já visíveis na frente antes de fechar o requisito mínimo nas anteriores. Caso você não consiga avançar sua primeira linha de maneira nenhuma, pode fazê-lo automaticamente gastando uma vida. Porém, são apenas três vidas por fase, então não as gaste a toa.

Laney Thompson ao resgate

Se por acaso tudo isso pareceu complexo demais, fique tranquilo. Concrete Jungle apresenta vários tutoriais nas missões iniciais, que vão lhe introduzindo a novos conceitos aos poucos. Nelas você é guiado por Laney Thompson, a arquiteta responsável pelo desenvolvimento dos diversos subúrbios de Caribou City.
Laney vai te guiar pelos diversos distritos que precisam de ajuda em Caribou City

Uma coisa interessante é quando ela lhe ensina sobre evolução de tecnologia e novas cartas. Todas as cartas possuem dois valores, um referente a custo e outro a crescimento econômico. Os custos são acumulados até encher uma barra, e quando isso acontece você tem um problema. As linhas que anteriormente necessitavam de três pontos para avançar, agora precisam de quatro, então vai demandar um esforço adicional para conquistá-las. E a barra de custos vai continuar acumulando, eventualmente alcançando cinco pontos, seis pontos, etc. Ou seja, quanto mais tempo você continuar jogando, mais difíceis as coisas ficam.

Já o crescimento econômico nem todos os prédios possuem, ficando normalmente exclusivo para construções industriais e algumas comerciais. Ao acumular um determinado valor desses pontos, você pode adicionar uma carta ao seu deck ou comprar algum poder especial exclusivo de um dos oito personagens que você estiver utilizando. Desse modo, você consegue avançar na árvore tecnológica do jogo e abre prédios com efeitos mais fortes, como uma residência que lhe dá o dobro dos pontos das normais. E esse é um dos motivos na qual você vai querer construir algumas fábricas no meio de seu limitado espaço.
As novas cartas entram na rotação do seu deck. Porém, algumas só podem ser usadas uma vez.

Já as habilidades dependem de qual personagem você escolheu. Cada um foca em um tipo de construção.

E caso tudo isso não seja difícil suficiente, você pode partir para disputas contra dois outros jogadores ou a máquina. Aqui a jogabilidade fica ainda mais complicada, já que os espaços vazios são divididos em três áreas, uma para cada jogador e uma região neutra onde ambos podem construir. Aqui você precisa gerar mais pontos que seu oponente para ganhar a linha e chegar ao fim com o máximo de pontos possível. As construções são feitas por turnos, com cada jogador construindo três vezes antes de passar a vez. Esse modo retira as vidas de cena, e as colunas irão avançar conforme as linhas estejam completas ou algum dos jogadores alcance a pontuação mínima atual.
Disputar contra outro jogador torna tudo mais apertado e disputado

Revisando o planejamento

Ao testar o jogo, reparei que ele mudou bastante desde o que eu tinha visto no Kickstarter. Alguns recursos foram adicionados, e a jogabilidade ficou diferente do que eu imaginava. Inicialmente, ele não parecia que iria utilizar um sistema de pontos, mas que somente ia focar na ideia de construir e erguer a cidade de seus sonhos (ou pesadelos se você for masoquista com os cidadãos). Mas essa mudança não é ruim, já que dá uma sensação de objetividade a algo que podia ser muito aberto.

O que realmente se torna um problema são as cartas. Você precisa montar um deck, que vai lhe prover as cartas básicas até que consiga ganhar novas por crescer a economia. O problema é que quase todas as cartas começam bloqueadas e só são liberadas conforme você ganha níveis no jogo. Cada vez que você termina um estágio, ganha experiência dependendo dos pontos que fez e essa experiência viram os níveis que liberam mais cartas. Porém, demora demais até você conseguir a experiência necessária para subir de nível. Então você acaba preso muito tempo com as cartas básicas antes de criar seu próprio deck personalizado.
Você precisa repetir vários níveis para liberar todas as cartas, e isso demora demais.


Concrete Jungle foi lançado em 23 de setembro, cerca de quatro meses após a previsão inicial de seu projeto no Kickstarter. E alguns dos recursos previstos ainda não foram implementados, mas serão lançados em atualizações gratuitas futuramente. O jogo está disponível para computadores PC e MAC via Steam. E, apesar de sua dificuldade, é bem divertido. Só se policie para não se frustar em não conseguir a pontuação máxima das missões antes de liberar novas cartas.
Em algumas missões é bem difícil pegar três estrelas.


Prós
  • Jogabilidade inovadora;
  • Modo multiplayer competitivo.

Contras
  • Curva de dificuldade cresce rapidamente;
  • Demora para liberar cartas;
  • Recursos prometidos ainda a serem implementados.

Concrete Jungle – PC – Nota 6.5

Revisão: Luigi Santana
Capa: Daniel Silva
Vinicius Eleno é formado em Administração de Empresas pela USP, e mestre em cultura inútil pelas experiências de vida. Desde 1993 gosta de explorar o mundo dos games em seu tempo livre. Pode ser encontrado reclamando da vida no Facebook e Twitter.

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