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Análise: Zombi (Multi) – morto e estagnado

Ex-exclusivo da Nintendo é um survival horror com história e mecânicas clichês.


A essa altura isso não deve ser nenhuma novidade, mas no início desta geração a Nintendo e a Ubisoft  tinham uma parceria, que começou com o desenvolvimento de ZombiU (WiiU), exclusivamente para seu console, e parece ter terminado rapidamente, no ano seguinte, com o game Rayman Legends (Multi), que, por sinal, sofreu um adiamento e acabou sendo lançado para todas as plataformas.  Quase três anos depois, algo semelhante ocorreu com o exclusivo de zumbis da Nintendo, ZombiU foi portado para PC, PS4 e XBO e, por motivos óbvios, mudou seu nome simplesmente para Zombi (Multi). Zombi é um survival horror em primeira pessoa, onde você controla um dos sobreviventes em pleno um apocalipse zumbi.

Podemos dizer que a história do jogo se inicia no século XVI, onde astrônomo galês John Dee escreveu uma profecia apocalíptica chamada de The Black Prophecy (A Profecia Negra), que ocorreria em 2012. Entretanto, Prepper, um ex-membro do exército, descobre que a profecia é real e começa a se preparar, enquanto uma sociedade secreta conhecida como Ravens of Dee estuda suas previsões em busca de um modo de impedi-las. Em novembro de 2012, a Black Prophecy parece ter começado em Londres, em forma de uma epidemia zumbi. Os sobreviventes se refugiam no abrigo do ex-soldado, dentre eles o jogador, que é escolhido para enfrentar os zumbis, com ajuda de Sondra, a líder dos Ravens. Ao mesmo tempo, um dos doutores da Rainha, Dr. Knight, procura uma cura e tenta sobreviver isolado no Palácio de Buckingham.

A história do game possui vários elementos baseados em fatos históricos reais como a presença do conselheiro particular da rainha Elizabeth I, John Dee. O conselheiro, de fato, dedicou boa parte da sua vida ao estudo da filosofia hermética e a chamada magia angélica, mas não há nada que o relacione a Black Prophecy, sendo isto mera criação fictícia  do game.

Isto é um clássico e não tem como ganhar dos clássicos

A primeira coisa que você notará ao iniciar sua jornada por Zombi é falta da dublagem em português. Imagino que algumas pessoas não sejam muito adeptas das dublagens brasileiras, mas essa é uma das marcas registradas da Ubisoft em jogos que foram localizados aqui, porém ainda há a opção de legenda em nosso idioma.

Você inicia o jogo como um sobrevivente perdido entre dezenas de zumbis no metrô londrino, você inicia sua jogatina totalmente desarmado e a única coisa que pode fazer é empurrar as criaturas para longe e correr. A sorte do seu personagem é que Prepper logo lhe encontra e começa a guia-lo por meio das câmeras. Logo, ele lhe guia para seu refúgio e pede que apanhe a mochila do último sobrevivente que ele auxiliou (sim, você não é o primeiro). Lá você encontrará suas primeiras armas: um revólver e um bastão de criquet, os quais você não pode se livrar, mesmo que adquira armas melhores e queira liberar alguns slots (“espaços vazios”), ou seja, você sempre irá possuir dois “slots mortos” no jogo. Além de poder guardar itens, o refúgio também serve para dormir e recuperar sua saúde, lembrando que há vários refúgios no jogo.

A quantidade “espaços vazios” em sua bolsa é um elemento de vital importância no jogo, pois determina o número máximo de itens que você pode carregar. Sua bolsa possui apenas 14 slots, o que pode parecer muito no início, mas uma vez que você não pode colocar mais de um item no mesmo espaço, mesmo que sejam itens iguais, você perceberá que é muito pouco e sua bolsa logo ficará cheia. A sorte é que no refúgio há também um contêiner metal, onde é possível guardar mais 30 itens.

Caso você morra, o que é comum em jogos do gênero survival, podendo ocorrer com uma única mordida, o personagem morre permanentemente, e o jogador assume o papel de outro sobrevivente. O personagem anterior passa a ser então um zumbi, o qual você deve eliminar caso queira recuperar aquilo que havia em seu inventário. As lutas contra zumbis, entretanto, tendem a ser evitadas, pois os itens de curas não são tão abundantes e você não quer arriscar perder todos os seus itens, pontos de habilidades e ter de começar desde o refúgio, porém quando os conflitos ocorrem costumam a ser intensos.

O sistema de combate do jogo é muito estático, principalmente no que se refere às armas brancas, como bastão de criquet, por exemplo - é preciso, primeiramente, apertar um botão para mirar e preparar o ataque e só depois executa-lo. Quando se trata de zumbis, é comum que você mire em suas cabeças, mas erre parcialmente o ataque, não os acertado em cheio, aliás, é preciso ter uma mira fenomenal para acerta-los de primeira. Algo semelhante ocorre com armas de fogo, onde você necessita de vários tiros eliminá-los ou estar muito próximo a criatura e atirar direto em sua cabeça.  Quanto mais você utiliza um determinado tipo de arma, maior será seu nível de habilidade  com esta, havendo o total de seis tipos de armas e cinco níveis de aprimoramento com cada uma delas.

O cenário é rico em elementos e detalhes, principalmente itens e ferramentas, porém você não pode interagir com quase nada, sendo estes itens em sua maioria meramente ilustrativos. Ora, como um survival horror da nova geração cria equipamentos, que com certeza seriam muito úteis em um apocalipse zumbi, e não lhe permite usa-los? Deve ser frustrante para qualquer fã do gênero ver o quanto de capacetes e coletes policiais foram simplesmente desperdiçados. Seria melhor, simplesmente não cria-las ou ao menos dar uma justificativa razoável dentro da narrativa para isso.

Um elemento interessante e novo trazido pelo Zombi foram as mecânicas envolvendo o Scanner, item que você recebe de Prepper no começo do jogo e permite que se encontre itens próximos rapidamente, marcando-os em seu mapa, pondo fim a necessidade de vasculhar cada um dos corpos e móveis e, principalmente, diminui o risco de você ser surpreendido e morto.

Muito longe de se tornar um clássico

A narrativa do game, apesar de se basear em alguns fatos e personagens históricos, possui muitos elementos clichês e previsíveis como, por exemplo: - Um desconhecido que fala contigo e te ajuda, mas só o faz através de um rádio, sem nunca revelar muito de si. Será que você já ouviu isso em algum lugar? Em outras palavras, a história do jogo está longe de ser original se baseado em clássicos como Dead Island (Multi), Walking Dead (H.Q) e, principalmente, os filmes do Diretor George Romero, que inspirou muito as duas primeiras obras.

O rápido e inesperado port do game para novas plataformas trouxe consigo alguns bugs que botariam desespero na maioria dos jogadores, como desaparecimentos repentinos dos símbolos que marcam seu objetivo, aonde você deve ir, no mapa. Nessas horas, é preciso ter paciência e boa memória para não desistir do título.

Outro elemento negativo digno de paciência são os inúmeros loadings (carregamento), vindo à tona toda vez que você entra ou sai de determinados lugares como prédios e esgotos, o que é irritante e começa a gerar tédio. O jogo deveria ter sido desenvolvido utilizando-se mapas maiores ou até mesmo em pequeno mundo aberto, o que não seria uma solução estranha, ainda mais pelo fato do jogo ter sido desenvolvido pela Ubisoft, que possui vários títulos que se utilizam destes recursos.

Em suma, o mérito da Ubisoft foi ter lançado o ZombiU antes de começar “moda”  do survival horror, ainda mais para uma plataforma como o WiiU, onde ela dificilmente encontraria concorrentes. O grande erro, porém, foi lança-lo, depois de três anos, para outras plataformas, bem quando o mercado já estava saturado com este gênero, além de possuir outros títulos de qualidade superior, que surgiram nesse meio tempo.

Zombi tenta ser um horror survival inovador e mais “realista”, mas falha miseravelmente em seu intento. Ele possui uma história clichê, mecânicas de combate pouco dinâmicas e bugs de irritar o mais pacientes dos jogadores. Se você não está habituado aos horror survivals ou games que tenham zumbis como temática, este título pode ser uma boa “porta de entrada”, caso contrário é preciso pensar bem antes de embarcar nesta epidemia zumbi.

Prós

  • História com elementos baseados em fatos reais
  • Mecânicas envolvendo Scanner

Contras

  • Falta de dublagem
  • Mecânicas de combate pouco dinâmicas
  • Narrativa com elementos clichês 
  • Carregamentos demorados
Zombi - Versão Utilizada: PC - Nota: 6.0
Capa: Diego Migueis  
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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