Blast from the Past

Sonic the Hedgehog (Mega Drive) e o nascimento de um dos maiores mascotes dos videogames

SEGAAAAAAA ! Aposto que só de ler isso aqui aquela vozinha icônica já deve estar cantando na sua cabeça e te lembrando dos bons tempos d... (por Thomas Schulze em 04/09/2013, via GameBlast)

SEGAAAAAAA! Aposto que só de ler isso aqui aquela vozinha icônica já deve estar cantando na sua cabeça e te lembrando dos bons tempos da geração 16 bits. Afinal, essa introdução é tão sinônimo de Mega Drive quanto o próprio Sonic, o mascote criado especialmente para divulgar o console.

Nasce um ícone dos videogames

No começo de 1990 a SEGA procurava desesperadamente por um jogo capaz de vender mais de um milhão de cópias e competir com o sucesso de Super Mario Bros., o fenômeno da rival Nintendo. Para tanto, era necessário achar um novo rosto para a companhia, já que o bom e velho Alex Kidd não se revelava uma opção das opções mais rentáveis do mercado. A busca pela mais nova estrela da SEGA fez com que muitos rascunhos e ideias de design para um novo personagem fossem enviados à equipe de pesquisa e desenvolvimento da AM8. Mas dentre muitas ideais malucas, o desenho de um tal “Mr. Needlemouse” acabou conquistando a todos.

Embora muitas pessoas tenham participado da criação de Sonic, o designer Hirokazu Yasuhara, o artista Naoto Õshima e o programador Yuji Naka são reconhecidos como os verdadeiros pais do ouriço. Eles trabalharam na criação de Sonic the Hedgehog com uma equipe de 15 pessoas que acabou se tornando a primeira Sonic Team.



Peculiarmente, a primeira versão de Sonic ficou bem diferente do ouriço gordinho e arrogante que conhecemos e amamos. Para começo de conversa, ele tinha garras, o que lhe conferia um visual bem mais agressivo. Além disso, ele fazia parte de uma banda junto com sua namorada humana Madonna. E como aprendemos jogando o péssimo Sonic the Hedgehog de 2006, há algo de terrivelmente perturbador em um relacionamento romântico entre humanos e animais, então agradeça aos céus pela SEGA ter alterado o personagem para o lançamento do jogo, em 1991!

Curiosidade rápida: O cartucho original de Sonic the Hedgehog possuía apenas oito megas de memória. Acredite se quiser, o icônico som da SEGA que todos amamos ouvir logo que ligamos o videogame consumiu nada menos que um oitavo da memória do cartucho. Vai dizer que não foi um mega muito bem utilizado?

Eu sou o homem-ovo...

Na primeira vez em que encontramos Sonic, o velocista azulado já estava enfrentando uma encrenca daquelas! O maléfico Dr. Robotnik invadira a South Island em busca das poderosas Chaos Emeralds disposto a fazer qualquer coisa para encontrá-las. Afinal, a bolota bigoduda precisava do poder das esmeraldas para construir armas de destruição em massa. Para cumprir seus objetivos funestos, Robotnik aprisionou os animaizinhos da ilha e os transformou em robôs escravos, os Badniks. Cabia a Sonic, então, não apenas impedir seu inimigo, mas também resgatar todos os seus amigos animais. E assim começava um dos melhores jogos de videogame da história.

Um dos momentos mais marcantes dos videogames.


Curiosidade rápida: O manual de instruções americano de Sonic the Hedgehog revela que o nome completo do vilão gorducho é Doctor Ivo Robotnik, enquanto o japonês o chama simplesmente de Doctor Eggman. Até os dias de hoje isso gera muita polêmica entre os fãs, especialmente porque no clássico Sonic Adventure o personagem é chamado de Robotnik e de Eggman ao mesmo tempo. Estranhamente, até hoje os japoneses não reconhecem o nome Robotnik e consideram o verdadeiro nome do doutor um mistério.

Corra, Sonic, corra!

Como já sabemos, Sonic nasceu para destronar Super Mario, mas ninguém achava que isso seria uma tarefa fácil. Afinal, talvez os jovens Blasters aprendizes padawan não lembrem, mas lá no fim dos anos 1980 e começo dos 1990, Nintendo era praticamente sinônimo de videogames. Então a Sonic Team sabia que precisava criar um jogo de plataforma capaz de fazer coisas nunca antes vistas nos jogos da rival. E fazer tudo que a Nintendo não conseguia foi exatamente o diferencial de Sonic, exatamente como dizia a clássica propaganda: “Genesis does what Nintendon’t”:


Embora tanto Super Mario Bros. como Sonic the Hedgehog fossem jogos de plataforma, era impossível não ficar embasbacado com o primor técnico e a quantidade de novidades do jogo do ouriço. Além do visual cheio de vida do mundo de Sonic e da trilha sonora fantástica, havia um elemento que fazia o game se destacar mais que todos os outros: a velocidade. A marca registrada do ouriço foi um impressionante marco tecnológico na época, e acabou se tornando um verdadeiro divisor de águas na indústria do entretenimento eletrônico. Afinal, graças ao imenso poderio de processamento do Mega Drive, Sonic podia se deslocar pela tela mais rápido que qualquer outro personagem, e isso estimulou os programadores e designers a levarem sua criatividade até o limite, criando algumas das fases mais memoráveis de todos os tempos.



Seja correndo mais rápido que um raio pela Star Light Zone, driblando as ruínas de Marble Zone, sentindo o vento no rosto pela clássica Green Hill Zone ou até mesmo quicando pela tela tal qual uma bola de pinball na Spring Yard Zone, o jogador sempre se sentia jogando uma verdadeira obra de arte. Cada uma das fases foi cuidadosamente montada para que os jogadores pudessem jogá-las várias e várias vezes, sempre de modos diferentes, explorando as várias rotas alternativas e procurando o modo mais rápido de concluir os desafios. A criatividade e os reflexos do jogador eram sempre recompensados, e isso tornava a experiência algo nunca antes visto.

Curiosidade rápida: A lendária fase aquática Labyrinth Zone, que tanto causou dores de cabeça nos jogadores, só existe porque Yuji Naka pensava que os ouriços não sabiam nadar. Mal sabia ele que esses animais nadam muito bem, obrigado. Imagine como seria bom poder passar pela fase da água a toda velocidade…

Fazendo o que ninguém fazia

Como em todo grande jogo de plataforma, havia muitos itens legais. Aqui eles ficavam escondidos em televisores pelos cenários e podiam dar a Sonic ainda mais velocidade (quando ele apanhava os sapatos de corrida), um escudo protetor (quando ele pegava uma bolha), e até mesmo invencibilidade e vidas extras. Mas não tem jeito, se tem um item no mundo que resume perfeitamente o Sonic são os anéis.



Afinal, além de ser preciso coletar ao menos 50 deles antes da linha de chegada em cada fase para acessar os níveis bônus e pegar as Chaos Emeralds, os anéis acabavam servindo como uma espécie de barra de energia do Sonic. Ao tomar dano, o ouriço soltava os anéis que carregava. Sendo atingido sem estar com um anelzinho sequer, não tem chororô, esse jogo acabou.

Nostalgia rápida: Estranho notar que já faz mais de 20 anos que Sonic the Hedgehog redefiniu os jogos de plataforma e lançou um dos mais carismáticos mascotes dos videogames. Como o mundo sempre dá voltas, a SEGA acabou parando de produzir seus próprios consoles, Sonic the Hedgehog deu as caras em praticamente todos os outros sistemas e, numa daquelas grandes ironias da vida, o personagem criado para tomar o lugar de Mario, hoje participa com ele em gincanas esportivas. Ainda assim, sempre que o ouriço calça seus sapatos de corrida, eu só consigo me lembrar de um tempo em que o Sonic e a SEGA quebravam barreiras, estabeleciam novos limites e faziam coisas que ninguém mais fazia.


Revisão: Alberto Canen
Capa: Hugo Henriques
Thomas Schulze é formado em Direito, mas passou mais tempo em locadoras do que no fórum. Carioca não praticante, é uma das seis pessoas no mundo que gostaram do final de Lost e Mass Effect 3. Você pode falar sobre o quanto ele está errado no Facebook e Twitter.

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