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Análise: Sonic Mania Plus (Multi) refina a experiência clássica do ouriço

A nova versão do último título do mascote da Sega tem poucas novidades, porém traz motivos suficientes para que ele seja revisitado.


Sonic Mania (Multi) cativou os fãs e a crítica com o foco em mecânicas clássicas da série, sabendo dosar entre nostalgia e novidade, trazendo uma aventura divertida e sólida. Surpreendentemente, a Sega anunciou uma nova versão do título, intitulada Sonic Mania Plus. A atualização inclui novidades como personagens, modos e ajustes, fazendo com que esta seja a versão definitiva da nova empreitada do ouriço, por mais que tudo seja um pouco simples demais.

Mais personagens e mais novidades

Sonic Mania Plus pode ser adquirido de duas maneiras: por meio de uma edição física ou por um DLC pago. A versão Plus inclui dois novos personagens jogáveis (Mighty e Ray), um novo modo chamado “Encore”, multiplayer competitivo para até quatro jogadores, fantasmas no modo Time Trial e algumas pequenas novidades no modo Mania (como transições entre os estágios).

O maior destaque da expansão são os novos personagens Mighty the Armadillo e Ray the Flying Squirrel, que vieram do jogo para arcades Segasonic the Hedgehog. Mighty é um tatu que tem como ataque especial um movimento em que ele se lança rapidamente para baixo, sendo capaz de quebrar partes do chão. Já Ray consegue planar pelo ar, permitindo, assim, alcançar locais altos ou voar rapidamente pelas fases. Jogar com qualquer um dos dois é uma experiência interessante, pois suas habilidades ampliam as possibilidades de exploração das fases.


Com a adição de dois novos heróis, o modo Competition foi alterado para comportar até quatro jogadores simultâneos — somente duas pessoas podiam jogar na versão original. É possível, inclusive, alterar o formato da divisão da tela quando há menos de quatro competidores.

Revisitando as zonas originais

O modo Encore é a novidade mais significativa de Sonic Mania Plus. Nele, revisitamos as fases do modo Mania, porém elas estão levemente diferentes: a paleta de cores foi alterada, algumas rotas são diferentes, e os perigos e inimigos estão posicionados em locais mais complicados. Além disso, as argolas dos estágios especiais para coletar as esmeraldas também mudaram de lugar, e essas fases bônus estão muito mais difíceis desde o início — eu mesmo só consegui pegar a primeira esmeralda após cinco tentativas.

Um detalhe legal no modo Encore é o sistema de personagens. Controlamos um herói que é acompanhado constantemente por um parceiro, sendo possível trocá-los com o toque de um botão. Começamos a aventura com dois personagens e outros são adquiridos ao quebrar TVs pelos cenários — é essencial conseguir outros heróis de reserva, pois cada um deles conta como se fosse uma vida. Personagens adicionais também podem ser adquiridos em um novo estágio bônus que simula uma máquina de pinball. O minigame é exclusivo do Encore e substitui as fases das esferas azuis do modo Mania.


A introdução da dupla de personagens muda a dinâmica de jogo. O principal motivo é a presença de de flexibilidade ao explorar os estágios: foram vários os momentos em que troquei para Tails ou Ray para alcançar locais altos, por exemplo. Dependendo da habilidade do jogador, a jornada pode ficar mais difícil, pois cada personagem representa uma vida — e perder todos implica em recomeçar o ato desde o início.

É uma pena que a mudança de personagens seja limitada somente à dupla atual, seria mais interessante mudar livremente de herói de acordo com a situação. Algumas TVs permitem alternar entre os personagens da reserva, mas sua natureza aleatória mais atrapalha do que ajuda. De qualquer maneira, apreciei bastante essa mecânica, pois ela nos permite jogar com todos os cinco personagens na mesma campanha.


A mescla de tantos novos elementos faz com que o Encore seja uma experiência bem diferente. No geral, a campanha é mais difícil por causa da presença de mais perigos, exigindo maior cuidado durante as fases. Também é bem divertido ficar alternando entre os heróis, principalmente para explorar os vários caminhos alternativos. Mas, mesmo assim, é impossível não perceber que o Encore não passa de um “remix” das fases já presentes no modo Mania. Isso vem do fato de que boa parte das alterações são bem sutis, detalhes que, talvez, só vão ser notados por jogadores veteranos mais atentos. No fim das contas, é uma adição interessante, no entanto há uma leve sensação de mais do mesmo.

Uma expansão divertida, porém tímida

Sonic Mania já era ótimo e a atualização Plus deixa a experiência mais completa. Os personagens Mighty e Ray abrem mais opções de jogabilidade e são um ótimo motivo para revisitar a aventura. Já o modo Encore apresenta mecânicas divertidas e desafio mais afiado, por mais que ele reaproveita conteúdo já existente. No fim, Sonic Mania Plus é um excelente pacote como um todo, porém o novo conteúdo é um pouco simples e vai agradar mais aqueles que têm interesse em um modo um pouco mais difícil.

Prós

  • Mighty e Ray ampliam as possibilidades de exploração das fases;
  • Modo Encore apresenta estágios mais difíceis e mecânicas únicas.

Contras

  • Poucas diferenças significativas nos estágios do modo Encore.
Sonic Mania Plus — PC/PS4/XBO/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC

Análise produzida com cópia digital cedida pela Sega
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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