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Análise: Runbow (Multi) mistura de forma divertida jogatina frenética com caos desenfreado

O famoso game indie finalmente chegou ao PS4! Seu ponto alto ainda é o multiplayer, mesmo que com algumas frustrações.

Lançado pela 13AM Games em 2015, para o descontinuado Wii U, da Nintendo; Runbow (Multi) não morreu com o console. O jogo independente focado em multiplayer foi ganhando terreno aos poucos, recebendo versões para PC (2016), New 3DS (2017), XBO (2017) e, agora, finalmente chega ao PS4 e ao Wii U. O game continua muito divertido, mesmo que alguns problemas do passado permaneçam, como a ausência de elementos interessantes para se jogar sozinho ou então alguns designs de fase frustrantes.


Corra através das cores

Runbow possui uma proposta de jogo muito simples, mas igualmente divertida: correr desenfreadamente através das fases no famoso estilo de jogo “speedrun”. Entretanto, temos aqui dois diferenciais cruciais que fazem a jogatina ser bem interessante. O primeiro é o óbvio e já citado multiplayer. Com possibilidade de suportar até 8 jogadores simultaneamente em modo local multiplayer (mesmo no PS4 ou no XBO), o game se torna um caos quando colocamos tantos personagens juntos em uma tela.



Porém, isso não é um ponto negativo, muito pelo contrário. A maior graça de Runbow está justamente neste caos do multiplayer, principalmente por termos a possibilidade de atrapalhar e até matar nossos companheiros, seja em fases competitivas ou cooperativas. Mas não é só o esquema de jogatina para muitas pessoas ao mesmo tempo que agrada em Runbow.

O ponto principal da identidade do jogo são as cores. Assim, além dos personagens caricatos e simplistas (em sua maioria), o game possui um esquema de cores de fundo que faz toda a diferença para a sua jogabilidade e level design. Em Runbow, as cores de fundo vão trocando de modo ritmado ao longo da fase. Porém, como os elementos de cada estágio são montados justamente com as mesmas cores do background, hora uma plataforma é “engolida” pelo fundo, hora ela volta a surgir.



Com isso, em nenhum momento todas as plataformas e/ou paredes são visíveis ao mesmo tempo. Isso torna tudo mais complexo e desafiador, principalmente quando se começa a avançar ainda mais pelo jogo, encontrando mundos e fases verdadeiramente difíceis (ou até impossíveis) de se superar.

Modos de jogo variados e divertidos

Mesmo com essa combinação incrível de mecânica de jogo desafiadora e multiplayer caótico, o game poderia simplesmente cair na rotina, fazendo com que todos enjoassem dele rapidamente. Porém, Runbow possui a saída certa para isso: vários modos de jogo diferentes! Dessa forma, um grupo de amigos pode se divertir durante horas em um modo para, depois, descobrir que tem um outro igualmente divertido que muda toda a dinâmica da jogatina.



Temos inicialmente o modo história, que conta com uma tabela a ser superada pelos jogadores de forma cooperativa (mas que acaba virando competitiva em poucos segundos de jogo). Neste modo, além de possibilitar diversos troféus de conquista e conhecer um pouco da hilária história do game, você também consegue liberar diversos personagens diferentes, dos quais falaremos mais adiante.

Já no modo de jogo “Run”, os jogadores precisam competir entre si para chegar ao final da fase e alcançar um troféu. Quem o pegar primeiro, vence. É um modo bem simples, mas que rende boas risadas e ataques de fúria, uma vez que vale de tudo para impedir o coleguinha de vencer (até dar tapa no controle, quem sabe?).



O modo “Arena” já não é tão focado em atravessar fases. Aqui temos uma ideia muito próxima do que a franquia Super Smash Bros., da Nintendo, proporciona: uma batalha com todos os jogadores juntos. Vence quem morrer menos. A ideia aqui é jogar os adversários para fora da arena, batendo neles ou então simplesmente empurrando-os para longe.

Sendo um dos melhores, o “King of the Hill” (ou Rei de Colina, em tradução livre) é uma espécie de defesa de base. Neste modo de jogo (que também é estático), o jogador precisa acumular uma determinada quantidade de tempo sob a coroa, para ser decretado “Rei da Colina”. Porém, outros jogadores e elementos da própria fase acabam atrapalhando esse tempo de ser completado, fazendo a competição se tornar uma verdadeira bagunça muito divertida.



Por fim, temos também o modo “Bowhemoth”, próprio para os “hardcore gamers” de plantão. Isso porque este modo não salva o progresso do jogador ao longo das fases, fazendo com que cada passo precise ser calculado friamente, ou então você retorna ao começo para fazer tudo de novo. Obviamente, o desafio não fica por conta somente deste fator, já que as fases são bem difíceis e a progressão chega a beirar o impossível.

Ter tantos modos distintos permite que o jogo sobreviva bastante. Entretanto, o design de fases pode incomodar em alguns momentos. Isso porque o ritmo de jogo é quebrado em alguns momentos por soluções de fases questionáveis, além de propostas de desafio irregulares se comparadas com a curva de dificuldade como um todo. Mesmo com essas quebras de ritmo, o jogo pode divertir bastante.


Jogar sozinho não é uma boa ideia

Além das pequenas falhas com o level design citados agora, existe outro problema recorrente em Runbow desde o seu lançamento no Wii U: o single player monótono. Enquanto jogar com várias pessoas é divertidíssimo e muito animador, jogar sozinho, em compensação, é muito monótono e cansativo. Isso porque o ritmo de jogo se assemelha a games de plataforma de franquias como Rayman e Donkey Kong, porém, sem nenhum dos elementos de fase que fazem destes excelentes jogos.

Jogar Runbow sozinho é simplesmente jogar a mesma fase que fica lotada com oito pessoas, mas com somente uma. Aí nós vemos como o jogo e as suas fases foram pensadas única e exclusivamente para funcionarem com diversos jogadores simultaneamente. Talvez uma câmera mais exclusiva, itens para serem usados em qualquer estágio e até inimigos mais recorrentes poderiam ser acréscimos interessantes para que o jogador solitário consiga desfrutar bem de Runbow.



Até NPCs seriam uma saída válida, principalmente por permitir aproveitar as fases em todo o seu potencial, mesmo que não tenhamos oito pessoas disponíveis para jogar. Quem sabe numa atualização futura ou em um possível “Runbow 2”? Por enquanto, fica o adendo para quem não tem amigos disponíveis para jogar o título: arrume gente pra jogar contigo antes de comprá-lo.

Colecionáveis interessantes

Fora a exclusão de jogadores solitários, tudo em Runbow se encaixa muito bem. Primeiramente, seu visual colorido e caricato é muito agradável aos olhos e diverte tanto adultos quanto crianças. Além disso, combina 100% com sua trilha sonora muito animada e própria para festas entre amigos.



Junto temos também os já citados desafios de mecânica que entram em contraste muito animador com a quantidade de jogadores em tela, deixando a experiência ainda mais caótica e instigante. Nessa lógica, temos também os colecionáveis que, seja por easter-eggs ou por piadas caricatas, tornam a experiência ainda mais divertida, mesmo que não sejam um pilar essencial para a experiência.

Sobre os dois personagens básicos (Hue e Val), é possível desbloquear diversas roupas hilárias. Entre elas, podemos vesti-los como lenhadores, ninjas, guerreiros vikings, piratas e várias outras coisas. Além disso, temos também personagens de outros jogos independentes que dão as caras por aqui. Então, se você curte esse nicho, vai gostar bastante de dar de cara com Shovel Knight, Shantae, Gunvolt, Rusty e diversos outros personagens já conhecidos.



Porém, é uma pena que toda essa variedade de personagens e roupas sirva única e exclusivamente para diferenciar seu personagem dos demais em tela. É isso mesmo, toda essa variedade de aparências são somente isso: aparências. Não possuindo diferencial nenhum nas mecânicas de jogo. Se estes personagens e roupas tivessem, ao menos, uma habilidade exclusiva ou capacidade melhorada, poderiam tornar a experiência ainda mais complexa e variada, fazendo com que a dinâmica bebesse ainda mais da fonte fértil da já citada franquia de lutadores da Nintendo.

Um “Party Game” de primeira

Mesmo que possua alguns deslizes, Runbow (Multi) é muito eficaz naquilo que se propõe ser: um party game divertido e focado no multiplayer. Sobre isso, precisamos admitir que o jogo é de fato muito competente, dando diversão despretensiosa com pitadas de frustração e competitividade exacerbada, bem como todo party game deve ser.



Mas talvez falte um pouco de atenção à aspectos que enriqueceriam ainda mais a experiência, como mais individualidade entre os personagens, um modo de jogo divertido e próprio para um único jogador, fora delimitar melhor o nível de dificuldade entre fases. Porém, independente de qualquer coisa, aqui temos uma ótima pedida para curtir um bom e velho local multiplayer com os amigos enquanto aproveitam uma happy hour.

Prós


  • Multiplayer divertidíssimo;
  • Variedade imensa de fases;
  • Nível de desafio surreal, mas que diverte;
  • Trilha sonora animada;
  • Cores vivas e chamativas agradam;
  • Modos de jogo variados aumentam a longevidade.

Contras

  • Modo de um jogador é monótono;
  • Algumas fases são frustrantes;
  • Curva de desafio não tão boa;
  • Variedade entre personagens é unicamente estética.
Runbow - PC/PS4/XBO/Switch/Wii U/3DS - Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Link Beoulve
Análise produzida com cópia digital cedida pela 13AM Games.

Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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