Jogamos

Análise: Far Cry 5: Lost on Mars (Multi) — Ataque das Aranhas Malditas

A segunda expansão tem duração maior do que a anterior, mas isso se torna uma falha em meio a um conteúdo repetitivo.


Lançado no dia 17 de julho, a segunda expansão de Far Cry 5 (Multi) chega trazendo um dos conteúdos mais absurdos e loucos de toda a franquia. Lost on Mars (Perdido em Marte, no Brasil) é lotada de referências pop dos anos 80 e tem uma dose de comédia altíssima.

Abduzido

O protagonista da vez é Nick Rye, um dos personagens secundários de Far Cry 5. Ele é levado a Marte por Hurk, que acabou ficando sem seu corpo e precisa da ajuda de Nick  para impedir uma invasão alienígena à Terra. Para salvarem nosso planetinha azul, nossos heróis precisam restaurar a força de ANNE, uma Inteligência Artificial capaz de enfrentar a raça de seres aracnídeos marciana que quer transformar todos os humanos em petiscos.

Com uma tonelada de referências a filmes, músicas e cultura pop e nerd dos anos 80 e uma comédia escrachada, especialmente através das falas de Hurk, temos uma história extremamente simples e pirada. Ainda na metade do jogo já conseguimos descobrir qual é a reviravolta presente no roteiro e que, a bem da verdade, quase não chega a ser uma reviravolta, tão óbvia que é. Hurk é o personagem que mais fala, e sua ignorância, às vezes, pode acabar soando forçada, porém o game não se leva a sério em momento algum, então o saldo é bem positivo, no final das contas

Repetição

Para restaurar a força de ANNE, Nick deve encontrar núcleos de energia espalhados pelo mapa e utilizá-los para energizar os terminais que darão força à I.A. O conceito das torres presente em Far Cry 3 e 4 retorna, exigindo que o jogador escale estruturas para poder marcar segredos e missões em seu mapa. Felizmente é uma escalada bem menos tediosa e simples, graças ao cinto gravitacional utilizado por Nick, que permite que ele use jatos propulsores para saltos mais elevados e para planar.

Hemóleo é a moeda do jogo, e pode ser adquirida através de missões ou coletadas em barris no cenário ou em corpos de aracnídeos mortos. O mesmo é utilizado em impressoras 3D para produzir novas armas e equipamentos para Nick, deixando-o mais bem preparado para a ameaça aracnídea. As armas são de energia e não consomem munição, mas exigem um tempo de resfriamento para que sejam utilizadas em capacidade máxima de novo. As mais poderosas consomem mais energia, então é importante ter um arsenal balanceado, com armas potentes dividindo espaço com outras mais simples. Alguns equipamentos remetem a habilidades existentes em Far Cry 5, mas as novas armas e granadas trazem um aspecto futurista e sci-fi que casa bem com as referências oitentistas citadas por Hurk, o cenário espacial e cria uma identidade bem distinta do jogo base.



Mesmo com uma duração um pouco maior que a primeira expansão, Hours of Darkness, Lost on Mars peca por oferecer um conteúdo bastante repetitivo, tanto em seus confrontos quanto em suas estruturas de missões, tornando o tempo extra de jogatina cansativo.

Andar sobre a areia de marte atrai os aracnídeos, exigindo que o jogador busque caminhar sempre por solo rochoso, evitando assim confrontos desnecessários. É uma mecânica interessante e única dentro da franquia. Os inimigos, porém, são todos muito parecidos, tanto em visual quanto em ataques, e há pouquíssimas variações, às vezes diferenciando-se apenas pela cor e em versões mais fortes e resistentes. Se o jogo já é pirado na história, por que não pirar e criar inimigos ainda mais malucos? Os mais distinguíveis e que oferecem uma pitada a mais de desafio são as rainhas dos aracnídeos, que são agressivas e bastante resistentes. Porém, são quinze delas, e todas são idênticas.



As missões consistem em restaurar a energia usando um núcleo, e vez ou outra temos de defender um robô enquanto ele repara um terminal ou coisa do tipo. E tudo vai se repetindo conforme vamos explorando marte. Ative isso, destrua aquilo e defenda um robô reparador. Completar as missões só é interessante pelo avanço dinâmico da história, que ocorre através dos diálogos entre Nick, Hurk e ANNE.

As atividades opcionais também são pouco variadas, sendo as Anomalias Geotérmicas as mais interessantes. As Anomalias Geotérmicas são localizadas em gêiseres marcianos que jorram substâncias tóxicas do subterrâneo do planeta e que agem como alucinógenos no cérebro humano. Tais missões lembram muito criações do modo Arcade, do jogo base, com pequenos desafios em cenários inusitados e bem diferentes em termos estruturais. Matar seguidores do Portão do Éden e um exército e John Seeds é bem divertido quando temos uma pistola com raio pulverizador.

Perdido em Marte

Cenários rochosos dividem espaço com instalações espaciais construídas pelos humanos. A sensação de desolação do planeta vermelho só não é maior graças ao constante falatório de Hurk. a exploração, em si, não chega a ser ruim, mas a sensação de já ter visto o mesmo lugar de novo e de novo ocorre em certos momentos. Há áreas que se distinguem mais por sua paleta de cores do que pela composição de seu cenário. Ainda assim, há belíssimas paisagens, desde desertos marcianos até a bela vista do espaço sideral e suas diversas constelações de estrelas. Tudo é muito lindo, graças ao visual extremamente detalhado e bem produzido do jogo.



Far Cry 5: Lost on Mars (Multi) é uma expansão com bastante identidade dentro da franquia Far Cry, e que usa muito de referências pop para atingir a nostalgia dos jogadores. Embora possua uma ambientação bem feita, mecânicas interessantes e bons combates, a expansão oferece uma experiência bastante repetitiva. A ação de Lost on Mars não é ruim, mas não consegue se sustentar devido à falta de variedade de inimigos e missões. É um passeio válido, especialmente para aqueles que possuem o Passe de Temporada, mas poderia ter sido muito melhor se tivesse abraçado ainda mais a piração de sua divertida e escrachada história.


Prós

  • História pirada;
  • Inúmeras referências à cultura pop;
  • Clima sci-fi;
  • Anomalias Geotérmicas;
  • Visual de Marte decente e bem construído.

Contras

  • Hurk consegue ser estúpido de forma excessiva, não sendo tão crível em alguns momentos;
  • Repetitivo em suas missões principais e secundárias;
  • Pouca variedade de inimigos.
Far Cry 5: Lost on Mars — PS4/XBO/PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Francisco Camilo é formado em Serviço Social pela PUC-MG e até hoje não entende a verdadeira razão de ter feito tal curso. Apaixonado pelo mundo dos jogos eletrônicos, tem em sua mente um futuro ideal cuja existência é incerta e o leva a questionar se o que imagina é parte de um sonho ou ilusão. Pode ser encontrado aqui principalmente em análises e buscando troféus na PlayStation Network.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook