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Análise: OVERWHELM (PC) é terror e tensão em forma de jogo de plataforma

A atmosfera claustrofóbica e repleta de momentos imprevisíveis são os destaques desse título indie.


Você está sozinho em um lugar apertado e escuro, com sons estranhos vindo de todos os cantos. Quando você se atenta, criaturas bizarras estão te cercando e a munição do seu rifle está praticamente no fim — sobreviver parece improvável. Parece um filme de terror, mas é OVERWHELM, título de ação e plataforma independente. Dificuldade intensa e recursos audiovisuais fazem com que o jogo tenha uma ambientação tensa e pesada, resultando em uma experiência simultaneamente frustrante e intensa.

Invadindo um ninho de monstros

Em OVERWHELM, controlamos um herói que precisa invadir e destruir um ninho de monstros em uma aventura de ação e plataforma 2D. Dentro do lugar, o objetivo é encontrar cinco cristais protegidos por chefes. Para tentar sobreviver, o protagonista conta com um rifle com munição limitada e seus próprios punhos para desferir alguns ataques.

O conceito principal é bem parecido com o de outros títulos, porém OVERWHELM se autodenomina “horror de ação” — e bastam alguns poucos minutos para perceber que a experiência realmente segue essa descrição. Isso se dá por meio de uma série de escolhas nas mecânicas, no visual e no áudio, resultando em uma experiência desconcertante.


Para começar, a dificuldade é bem brutal: o herói morre com um único acerto, sendo que ser derrotado três vezes significa recomeçar a aventura do zero. Para piorar, a área de visão diminui com cada morte, dificultando enxergar os perigos. Por fim, os inimigos não têm posição fixa, aparecendo e atacando literalmente de qualquer lugar. A ação do jogo é imprevisível e fiquei constantemente tenso ao explorar as áreas do ninho, afinal qualquer erro é fatal. Por sorte, os controles são extremamente precisos e responsivos, algo imprescindível em um título que exige reflexos rápidos. Há, também, alguns poucos checkpoints, e é possível receber novas vidas em certas situações.

Outro detalhe interessante é como OVERWHELM subverte um conceito muito comum de progressão em jogos. Ao derrotar os chefes, os inimigos comuns é que ganham melhorias. Matar uma dupla de lagartos gigantes, por exemplo, faz com que os monstros do ninho consigam andar pelas paredes. Já matar um verme subterrâneo cria escudos em certas criaturas. Os oponentes ficam cada vez mais intimidadores e perigosos, fazendo com que a jornada, pouco a pouco, fique cada vez mais difícil.


O herói não se fortalece, mas ao menos podemos escolher a ordem em que enfrentamos os chefes, o que nos dá algum controle de como a dificuldade se desenvolve. Isso muda a dinâmica de cada partida e dá espaço ao tipo de perigo que preferimos enfrentar primeiro. Eu, por exemplo, sempre deixei para enfrentar por último o chefe que é uma espécie de morcego, pois sua derrota faz aparecer criaturas voadoras muito desagradáveis. O mapa é fixo e é possível recomeçar a jornada nas salas antes dos chefes (caso você as tenha alcançado anteriormente), o que traz alguma vantagem estratégica.

Terror no subterrâneo

Além de ser muito difícil, OVERWHELM é também uma experiência intensa e arrepiante. Pode não parecer, mas essa ambientação opressora é a melhor qualidade do título e é o que faz ele ser memorável.

O visual em tons de vermelho, com muitas áreas escuras e difíceis de ver, é desconcertante, mesmo utilizando gráficos em pixel art não muito detalhados. A excelente engenharia de som cria uma sensação de terror constante: aparecem pouquíssimas músicas pela jornada, mas sons estranhos e intensos surgem em momentos pontuais. Isso, em conjunto com situações de surpresa, cria momentos bem desconcertantes. Na última vida, a sensação fica ainda mais estressante, pois aparece um som horrível que lembra um garfo arranhando um quadro negro para te lembrar que essa é a última chance — tenho arrepios só de lembrar do barulho.


OVERWHELM é um jogo que exige extrema atenção. A área de visão é muito reduzida, inimigos podem atacar de qualquer lugar, a munição acaba muito rápido, o protagonista é frágil… Já deu para perceber que não é uma jornada fácil. No começo, a experiência é muito frustrante, sendo necessário um pouco de insistência para conseguir avançar. Porém, aos poucos, vamos entendendo como o jogo funciona e conseguimos chegar mais longe em cada partida. Mas, claro, o jogo brinca com nossa confiança ao introduzir perigos novos do nada.

O pico do terror está nas batalhas contra os chefes. Os confrontos por si sós já são bem intensos por causa da agressividade dos grandes monstros, com alguns detalhes potencializando a tensão. Nessas batalhas, de tempos em tempos, a tela pisca e o chefe se teletransporta para outro lugar — é muito bizarro quando isso acontece, eu diria que é até assustador se você não estiver prestando atenção. Além disso, as criaturas se transformam e nos obrigam a mudar de estratégia rapidamente. Sair vitorioso desses momentos traz uma sensação de alívio quase inexplicável.
via Gfycat

Problemas e algumas soluções

A atmosfera de terror de OVERWHELM é acertada, no entanto algumas coisas são bem desagradáveis mecanicamente. É muito comum aparecerem inimigos do nada, principalmente em transições de tela, sem tempo hábil para o jogador reagir, resultando em mortes injustas. A câmera aproximada faz parte da ambientação ao dificultar saber o que vem a seguir, porém gera alguns momentos irritantes, como partes que você deve descer corredores sem saber exatamente o que tem embaixo. Em um jogo em que as vidas são tão escassas, esse tipo de situação sem controle atrapalha um pouco.

Pensando em jogadores menos habilidosos, há o modo Assist. Nele, é possível alterar características do jogo para facilitar um pouco a jornada. São coisas como munição ilimitadas, vidas infinitas e mira semiautomática. As opções abrandam bastante a dificuldade, entretanto a tensão ainda é constante: você ainda volta para checkpoints ao morrer, sendo necessário refazer trechos repletos de perigos. As batalhas contra os chefes, em especial, ainda continuam muito tensas, afinal temos que derrotá-los com uma única vida. O modo Assist é um exemplo perfeito de como tornar o jogo acessível sem mudar seus conceitos principais.


Algo digno de nota é a ausência de conteúdo após terminar o jogo: não há nenhum extra. Como o mapa é fixo, não existem incentivos para fazer novamente a aventura. Há uma opção de marcar o tempo para adeptos de speedrunning, porém acredito que poucos vão se interessar por ele. E, na prática, a aventura é curta, boa parte do tempo de jogo vem do fato de que você vai morrer bastante até entender as mecânicas.

Tenso e impressionante

OVERWHELM não é para qualquer um. O jogo é bem difícil, o que pode ser frustrante para alguns. O destaque é atmosfera aterrorizante com sua sensação de perigo constante e tensão palpável — é justamente isso que o faz ser memorável. O modo Assist oferece boas ferramentas para os menos habilidosos, porém algumas escolhas, como inimigos aparecendo de surpresa, atrapalham um pouco a aventura. OVERWHELM é recomendado para aqueles que procuram uma experiência breve, angustiante e intensa.

Prós

  • Atmosfera tensa, com perigos espreitando em todos os lugares;
  • Conceito principal simples e muito bem executado;
  • Dificuldade intensa, principalmente pela adição constante de novos perigos;
  • Modo Assist facilita o jogo sem alterar o núcleo da experiência.

Contras

  • Algumas escolhas duvidosas de design, como inimigos que aparecem do nada;
  • Ausência de motivos para revisitar o jogo uma vez concluída a jornada.
OVERWHELM — PC— Nota: 8.0
Revisão: Renata Bottiglia
Análise produzida com cópia digital cedida pela Untitled Publisher
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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