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Análise: FAR: Lone Sails (PC) — uma bela e solitária jornada contemplativa

Controle um estranho veículo em um título que evoca inúmeras sensações com seu belo visual.


Qual deve ser a sensação de estar sozinho em um cenário pós-apocalíptico? FAR: Lone Sails brinca com essa premissa em uma aventura simples, porém de grande carga emocional. É uma história sobre solidão e desolação, explorando a beleza e tristeza desse tipo de situação por meio de visual impecável e mecânicas charmosas.

Uma máquina no fim do mundo

Em FAR: Lone Sails, viajamos por um mundo devastado em um estranho veículo. No controle de um personagem indefinido, precisamos operar manualmente o transporte com ações como transformar objetos em combustível, liberar vapor para esfriar o motor e levantar as velas para aproveitar o vento. Para isso, a pessoa de vermelho ativa botões com pulos ou empurrões, sendo possível também carregar alguns itens e ferramentas. O núcleo de ações é bem simples e intuitivo, com novas opções aparecendo com o passar da aventura ao encontrar melhorias para o veículo.

Na maior parte do tempo, nos ocupamos em controlar o transporte por meio das ações simples. Porém, em vários momentos da jornada, aparecem obstáculos que nos impedem de avançar. Para prosseguir, precisamos resolver alguma situação na forma de pequenos puzzles, como operar máquinas em uma ordem específica para liberar portões ou então utilizar algum recurso da nossa grande máquina para liberar algum entrave.

Os desafios não são muito complexos, entretanto ajudam a trazer um pouco de variedade à aventura. Mesmo com a simplicidade, é recompensador operar com eficiência o veículo — gostei especialmente de fazê-lo avançar ininterruptamente com movimentos bem coordenados.


Beleza na desolação

Jogar FAR: Lone Sails é bem tranquilo por causa de suas mecânicas simples, porém a proposta do jogo é outra: o grande foco em sensações. E várias delas são exploradas na aventura, que dura por volta de três horas.

A jornada por uma região destruída traz uma forte sensação de solidão com seus grandes cenários vazios e devastados. Mesmo assim, é um mundo belo: pelo caminho, passamos por localidades deslumbrantes, como imensas pradarias e ruínas. A direção de arte é bem impactante com o uso majoritário de cinza e vermelho, criando um contraste apelativo. Um recurso legal do jogo é a possibilidade de afastar a câmera, o que nos permite observar a beleza desse mundo desolado. A variedade visual é grande e sempre fiquei me perguntando que tipo de cenário e situação viria a seguir.


O uso de música é bem pontual e ela só aparece em momentos específicos, potencializando a carga emocional das cenas. Em um momento, por exemplo, exploramos uma antiga torre de rádio e encontramos um aparelho portátil que toca uma música animada que remete à era antes do cataclismo, criando uma sensação de nostalgia. Já durante as noites, a ausência de som potencializa a escuridão opressora. Um dos meus momentos favoritos apareceu em um grande descampado em que a trilha sonora evocava liberdade e ficava mais elaborada se eu avançasse mais rápido — fiquei com a sensação de estar correndo por um novo mundo.

A combinações desses fatores cria uma aventura contemplativa, melancólica e meditativa. É um jogo sobre observar e se imergir na ambientação, ao mesmo tempo em que tentamos entender o que de fato aconteceu — algumas pequenas dicas estão escondidas nos cenários, mas são informações vagas e inconclusivas. Mesmo assim, às vezes, a simplicidade pode deixar as coisas enfadonhas: pouco de fato acontece pelo caminho e os puzzles são bem básicos. Além disso, há também uma leve sensação de repetição, pois na maior parte do tempo realizamos as mesmas tarefas simples para fazer a máquina avançar. São detalhes que podem incomodar, porém a intenção do jogo não é trazer uma experiência mecanicamente complexa.


Odisseia memorável

A imersão da jornada é a melhor característica de FAR: Lone Sails. É bem interessante explorar um mundo desolado, principalmente por causa da atmosfera elaborada proporcionada pelo visual impactante. É, também, uma aventura que evoca inúmeros sentimentos: deslumbre, solidão, melancolia e mais. Algumas coisas são um pouco simples, como a administração do veículo e resolução de puzzles, contudo é fácil perceber que a essência é a parte emocional. FAR: Lone Sails traz uma experiência curta e intensa, capaz de ficar na mente por muito tempo.

Prós

  • Atmosfera convidativa, mesmo tendo a solidão como tema;
  • Bela direção de arte, que apresenta dicas da história por meio do visual;
  • Ótimo trabalho de som, com músicas inseridas nos momentos corretos;
  • Comandos simples e intuitivos.

Contras

  • Simplicidade incomoda em alguns momentos;
  • Algumas ações podem ser meio repetitivas.
FAR: Lone Sails — PC— Nota: 8.5
Revisão: Júlio César
Análise produzida com cópia digital cedida pela Mixtvision
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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