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Análise: Vampyr (Multi), a difícil escolha entre salvar vidas e tirá-las

Após se tornar vampiro e sentir uma enorme sede de sangue, você seria capaz de tirar vidas para se alimentar?

Lançado pela DONTNOD Entertainment, publicado pela Focus Home Interactive, Vampyr (Multi) surpreende com suas difíceis decisões e divertida jogabilidade trazendo uma nova pegada para a sobrenatural mitologia dos vampiros. Na pele de Jonathan Reid, um homem da ciência, que após se transformar em um vampiro se torna uma zombaria de tudo em que acreditava, buscando vingança contra aquele que o amaldiçoou.

De médico a monstro

O renomado cirurgião, Jonathan E. Reid, retorna à agitada Londres após participar da Primeira Guerra Mundial. Ao chegar ele é atacado por uma criatura desconhecida e acorda numa vala, com imensa sede de sangue. Ele acaba perdendo o controle e matando sua irmã, Mary, ao sugar seu sangue. Jurando vingança, ele parte pela noite em busca de quem o transformou naquela odiosa criatura.

A história apresentada pelo jogo permite uma boa imersão, já que somos lentamente inseridos na mitologia, que é contada pelos personagens únicos, bem escritos e que possuem diversas missões e segredos para o jogador solucionar. Lentamente saímos de missões simples, como achar objetos e pessoas com as novas habilidades dele para missões mais obscuras, que abordam assuntos como xenofobia, racismo e sexismo.


O senso de contraste é um fator recorrente no jogo, mostrado diversas vezes pela dualidade do personagem, que por ser um médico, precisa matar as pessoas para sobreviver. E ao invés de utilizar apenas o raso da mitologia, como alho e estacas, o jogo vai mais a fundo, pegando inspiração de lugares, figuras famosas e muito mais sobre o assunto.

A forma mais fácil

Vampyr possui várias mecânicas interessantes, começando pelo nível de dificuldade, que não é escolhido antes de se iniciar a aventura. Essa dificuldade é influenciada diretamente pelas escolhas do jogador, pois ao prosseguir, iremos nos deparar com poderosos inimigos, que podem apresentar um bom desafio. Para derrotá-los é preciso dominar bem as mecânicas de combate ou upar as habilidades de Jonathan, assim como seus equipamentos, deixando-o mais forte.

Para ganharmos nível e aumentarmos as habilidades precisamos de pontos de experiência, que podem ser adquiridos de várias formas como completando missões, oferecendo remédios para os enfermos e vencendo os combates. Mas o jogo oferece uma outra forma, devorar os NPC, dessa forma adquirindo uma boa quantia de experiência caso o jogador tenha descoberto os seus segredos e realizado suas missões, tornando o jogo mais "fácil".

Apesar de ganhar uma boa quantia de poder, devorar NPC terá impacto no distrito em que ele vive, gerando um desequilíbrio. Caso ele estivesse num grupo com mais algum outro grupo, é possível que os sobreviventes comecem a tratar o jogador de forma diferente, além de levá-los ao desaparecimento e até mesmo à transformação em um monstro selvagem. Essa escolha também influencia na aparência de Jonathan, que vai se tornando mais monstruoso.

Tenha sempre sangue

Vampyr possui uma certa semelhança a jogos da franquia Souls, sendo uma eterna dança de atacar e então desviar dos golpes inimigos com grande destreza, pois caso estes o acertem, vão causar uma boa quantia de dano. Junto da grande variedade de combos que podem ser utilizados pelas armas e habilidades, o jogo conta com uma movimentação suave e instintiva, para permitir ao jogador ir se acostumando durante as batalhas.

Além das tradicionais barras de vida e da barra de energia, responsável por permitir ao jogador atacar e desviar, temos também uma barra de sangue para usar as habilidades vampíricas, sendo que para enchê-la devemos deixar os inimigos incapacitados e então mordê-los para sugar seu sangue, diminuindo a vida do inimigo. Isso faz com que o jogador tenha incentivo para mordê-los durante a batalha e utilizar as poderosas habilidades de Jonathan.

Apesar disso, os combates são um pouco repetitivos, de modo que o jogador logo se canse deles, já que os inimigos não apresentam grandes variações de ataque, permitindo decorar seus movimentos e contra-atacar com certa facilidade. Mas isso não significa que o jogador deve esperar um jogo fácil, já que muitos inimigos atacam ao mesmo tempo e os chefes podem causar grande problemas.

A decaída Londres

A cidade de Londres é retratada de forma bela, com um bom foco na calamidade que a cobre, seja pela Primeira Guerra Mundial ou pela epidemia de gripe espanhola. O enorme mapa é totalmente explorável, contando com uma boa dose de atalhos e personagens únicos, que dão vida às ruas. Além disso, as cores utilizadas dentro do jogo atenuam o clima gótico, permitindo um grande destaque para os detalhes, principalmente para o sangue presente.

Não só isso, a textura e design dos personagens também se destacam pela atenção aos detalhes e às vestes utilizadas no período mencionado. Mesmo assim, alguns inimigos são idênticos, não possuindo tanto destaque como os NPC. Outros problemas também podem quebrar o clima de imersão que o jogo oferece, como a pouca linguagem corporal e algumas falas que aparentam estar fora de sincronia.

Um festival de sangue e diversão

Vampyr oferece uma boa gama de diversão, além dos dilemas morais e épicos que são um constante tema no jogo. Que também lida com pesados e controversos assuntos, como xenofobia e racismo. Somado a isso, sua jogabilidade e história contribuem para a imersão do jogador, que poderá desfrutar das mecânicas apresentadas para desbravar a gótica Londres, enfrentando uma boa série de inimigos, enquanto toma decisões importantes que irão influenciar no desenrolar da trama.

As batalhas entediantes pela repetição dos padrões de ataques dos inimigos, coisas como diálogos fora de sincronia e alguns bugs podem acabar com a imersão, mas não atrapalham a diversão. Dependendo do bug ocorrido é possível que o jogador perca a vontade de continuar, como um erro que fecha o jogo. Contudo, Vampyr é um excelente jogo, trazendo horas de diversão e diversas formas de abordar um problema.

Prós

  • Boa abordagem da mitologia apresentada;
  • Temas controversos e interessantes;
  • Escolhas afetam o desenrolar da história;
  • Boa narrativa e história;
  • Personagens únicos e bem estruturados;
  • Combates rápidos e dinâmicos;
  • Mecânica para ganho de experiência interessante;
  • Excelente retratação de uma Londres mais gótica.

Contras

  • Combates excessivos;
  • Design repetitivo para inimigos;
  • Bugs e erros podem quebrar a imersão;
  • Diálogos às vezes estão dessincronizados.
Vampyr — PS4/XBO/PC — Nota: 8.0
Versão utilizada na análise: PS4
Revisão: Júlio César
Cópia digital cedida pela Focus Home Interactive.
Antonio Stark escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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