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Análise: Coffee Crisis (PC/Mega Drive) é um beat ‘em up inspirado nos clássicos dos 16-bits

Com temática diferente, o jogo é cheio de bom-humor, café, pancadaria, música intensa e alienígenas, além de ser uma obra de caridade.

O pessoal da desenvolvedora independente Mega Cat Studios criou Coffee Crisis como forma de ajudar os donos de uma cafeteria com temática heavy metal a angariar fundos para um hospital infantil em Pittsburgh, local em que todos eles estão sediados. O jogo é do gênero Beat ‘em up de progressão lateral no estilo 16-bits, que fora lançado para o Mega Drive em 2017, no formato cartucho, e recentemente chegou aos PCs, com várias melhorias.

Alienígenas em Pittsburgh

A história de Coffee Crisis não é muito elaborada, mas é bem-humorada, ao estilo daqueles clássicos “filmes B” de antigamente. A raça Smurglian chegou à Terra para roubar as nossas três principais mercadorias: heavy metal, Wi-Fi grátis e nosso precioso café. Para impedi-los, os baristas Nick e Ashley devem espancá-los usando sacos de café, voadoras e armas encontradas pelo caminho. Praticamente todos os cenários do jogo são inspirados em locais reais de Pittsburgh, Pensilvânia, e o mesmo vale para os protagonistas, que são donos da cafeteria Black Forge Coffee House, localizada na mesma cidade. Apesar disso, todo o ambiente do jogo parece genérico, com fases pouco detalhadas.


A banda de metal Greywalker, que compôs a trilha sonora do game, também é de Pittsburgh e cedeu ótimas músicas para o título, que tem uma pegada bem intensa durante toda a jogatina, criando um clima bem convidativo para a pancadaria desenfreada.

Lutas pouco diversificadas

Coffee Crisis tem aquela jogabilidade básica que já vimos em diversos beat ‘em ups na era 16-bits, período no qual ele foi inspirado. Temos o golpe normal (com saco de café), um especial giratório que consome energia, voadora, itens que servem de armas, como pedaços de madeira, espadas e canos, e podemos agarrar os inimigos para espancá-los. Além disso, há alguns poucos power-ups que encontramos no caminho, que servem para aumentar o poder de ataque ou garantir invencibilidade, ambos por um curto período. Tanto Nick quanto Ashley possuem a mesma jogabilidade, com mudanças apenas estéticas. Ou seja, não há dash, nem chute e os personagens não diferem entre si para diversificar o gameplay.


Os inimigos também são pouco variados. Em geral, sempre aparecem os mesmos alienígenas baixinhos de ataque próximo, outros que atiram de longe, um maior com mais força e alguns poucos terráqueos que eles controlam. Como o especial gasta energia e o golpe carregado é difícil de aplicar, a maior parte do tempo passamos esmagando o mesmo botão e dando voadoras. Tudo isso junto deixa o jogo muito repetitivo.


Outro problema da jogabilidade é que, muitas vezes, há inimigos demais na tela, causando uma verdadeira confusão do que está acontecendo. Em alguns momentos, até mesmo achar o seu personagem no meio da bagunça é complicado, restando apenas desferir golpes sem parar e torcer que dê tudo certo — o que raramente acontece.

Alterando a jogatina

O título conta com alguns modificadores, que são efeitos variados e aleatórios na jogatina que servem para ajudar ou atrapalhar o seu progresso. Eles podem alterar o jogo de forma sutil, ao colocar pássaros passando na tela e atrapalhando a visão, ou criar uma situação mais complicada, com inimigos ficando invisíveis ou um filtro de vídeo que atrapalha a visão. Por outro lado, como ajuda, pode aparecer um pequeno objeto voador que dispara lasers contra os inimigos.


É interessante que Coffee Crisis pode ser transmitido via Mixer ou Twitch, e o jogo permite que os espectadores votem nos modificadores que querem ver no game, o que pode ser uma interação bem divertida para aqueles que gostam de transmitir sua jogatina online.

Café com metal

Coffee Crisis pode não se igualar a clássicos como Streets of Rage ou Golden Axe, e ainda deixa a desejar em alguns aspectos, que fizeram o jogo ser bastante repetitivo, mas ainda assim o pessoal da Mega Cat Studios criou um título que muitos jogadores das antigas vão apreciar, principalmente aqueles que tiveram um Mega Drive ou um Super Nintendo e jogavam os beat ‘em ups daquela geração.

Prós

  • Co-op local divertido;
  • Modificadores diversificam um pouco a jogatina;
  • Ótima música;
  • Enredo bem-humorado.

Contras

  • Curta duração;
  • Jogabilidade repetitiva e confusa em alguns momentos;
  • Pouca variedade de inimigos.
Coffee Crisis — PC, Mega Drive — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Link Beoulve
Análise produzida com cópia digital cedida pela Mega Cat Studios
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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