Blast Test

Roof Rage (PC) oferece pancadaria intensa em telhados

O jogo de luta está em Acesso Antecipado, porém já apresenta ótima experiência com arte caprichada e mecânicas interessantes.


Super Smash Bros. inaugurou um novo gênero chamado platform fighting, ou seja, luta de plataforma. Como o nome indica, há ação de plataforma nesses jogos, que fazem parte integral dos confrontos. Roof Rage é mais um representante desse estilo e tem como diferencial combates intensos e estilosos em telhados. Disponível no programa Acesso Antecipado do Steam, o título apresenta possibilidades de luta bem interessantes.

O rei do telhado

O objetivo em Roof Rage, como na maioria dos jogos de luta, é derrotar os oponentes. Isso pode ser feito de duas maneiras: diminuindo completamente a barra de vida ou lançando os outros lutadores para fora dos cenários. Sobreviver à topografia dos estágio é importante nas lutas, sendo assim, os lutadores contam com movimentos de locomoção como pulos aéreos e esquivas.

O sistema de luta de Roof Rage é bem ágil e apresenta o estilo “fácil de entender, mas difícil de dominar”. Um botão executa ataques básicos, já outro desfere técnicas especiais. Em conjunto com direções e movimentos específicos da alavanca, é possível fazer diferentes golpes. Alguns personagens também conseguem pegar pedaços de telhas para lançar nos oponentes, o que traz mais possibilidades de combo. Por conta da simplicidade dos comandos, bastam algumas poucas partidas para dominar o básico das mecânicas.

O que mais me impressionou no jogo doi a profundidade do combate. A mecânica de luta conta com inúmeras nuances e é possível montar combinações de golpes bem devastadoras. Há, também, muitas possibilidades de ataques no ar, resultando em divertidas lutas aéreas. O detalhe é que não é tão simples assim sair vitorioso: é imprescindível dominar as propriedades dos ataques e entender com cuidado como cada um funciona, pois atacar de qualquer jeito deixa o lutador aberto à represálias. Com algum treino, já consegui fazer sequências bem interessantes e consegui sentir que é possível fazer ainda mais.

Um detalhe legal é a variedade de estilos dos lutadores. Roof Rage conta com oito personagens com mecânicas bem distintas entre si. Jin é um samurai capaz de efetuar cortes poderosos, contudo, seus ataques têm grande tempo de carregamento. O carateca Hoon é agressivo com golpes rápidos, mesmo tendo alcance bem reduzido. Leon é especialista em longa distância com suas pistolas — mantenha os inimigos bem longe, pois sua defesa é péssima. Thyra usa um grande martelo em ataques poderosos e lentos, sendo necessário calcular com cuidado os movimentos. Dominar os personagens é parte da diversão de Roof Rage e outros são prometidos para o futuro.

Beleza e balanceamento

No momento, Roof Rage conta com vários modos locais: batalha por tempo, combate por vidas, treino e embate por times. Todos eles comportam até oito lutadores simultâneos, perfeito para chamar vários amigos para jogar. Jogar com o máximo de combatentes é uma opção interessante para grandes grupos, porém nos meus testes a ação engasgou um pouco quando muitos personagens estão na tela. Além disso, a luta vira puro caos, principalmente por causa do tamanho reduzido dos estágios — nesses casos a estratégia praticamente desaparece. Sendo assim, a minha recomendação é montar lutas com no máximo quatro lutadores. Há também um modo online 1 vs 1, contudo não consegui testá-lo ainda pela ausência de jogadores. Mais modalidades para um único jogador estão previstas para o futuro.

É inegável que o jogo conta com muitas ferramentas para deixar as lutas interessantes. A flexibilidade das mecânicas permite montar inúmeras estratégias, com direito a muitas situações criativas. Enquanto a base do sistema de luta é sólida, acredito que há muito espaço para melhorar. Um exemplo são os combos: dependendo do personagem, é praticamente impossível escapar de sequências de ataques. Outro detalhe é a esquiva, que exige precisão alta para funcionar bem. Jogando casualmente, esses problemas não atrapalham tanto, contudo, torna as coisas frustrantes ao enfrentar alguém com mais habilidade.


Por fim, é impossível não se encantar com o impressionante visual do jogo. Os gráficos apresentam pixel art detalhado e fluido, sendo o maior destaque a movimentação dos personagens: os combos e ataques são bem animados, esbanjando estilo. Os cenários também são belos e construídos minuciosamente, com uma variedade notável de temas — o meu estágio preferido são os telhados residenciais de Seul, capital da Coréia do Sul. É chocante saber que tudo foi feito por um único desenvolvedor.

Luta promissora

Roof Rage apresenta mecânicas bem sólidas, algo não tão comum para um título em Acesso Antecipado. O sistema de luta consegue agradar diferentes tipos de jogadores por ser simples de entender e por apresentar várias nuances complexas para aqueles mais exigentes. Mesmo assim, acredito que ele ainda precise de vários ajustes para deixar a experiência mais agradável, principalmente no balanceamento de certos ataques. O grau de polimento é ótimo, principalmente no visual, e em seu estado atual já oferece boa quantidade conteúdo — o desenvolvedor promete incluir mais conteúdo no decorrer do tempo.

Mesmo com alguns pequenos problemas, Roof Rage já diverte bastante e deve ficar ainda melhor no lançamento final. O jogo estará disponível no Acesso Antecipado do Steam e há previsão de chegar também aos consoles de mesa.

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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