Plug and Blast

Gamepad vs. Arcade Stick: qual é o melhor controle para jogos de luta?

Conheça a história, curiosidades e principais vantagens de cada modelo


Os games de luta surgiram em uma época onde nada se comparava ao poder dos fliperamas. Logo, com a chegada do gênero aos consoles caseiros, nasceu também um dos maiores questionamentos da comunidade: Afinal, qual é o melhor controle para aproveitar a pancadaria? O assunto é pauta até hoje e divide a maior parte dos jogadores. Enquanto uns preferem os Arcade Sticks, adaptando o estilo das máquinas antigas para um formato “portátil”, outros apostam na versatilidade dos Gamepads.

Se você acompanha o cenário competitivo, provavelmente já ouviu falar algo como: “para se destacar nas partidas é preciso usar um controle arcade”. Na prática, isso não passa de uma lenda urbana e, mesmo com a maioria dos jogadores profissionais preferindo a pegada do fliperama, é cada vez mais comum ver atletas se consagrando com pads. No ano passado, o dominicano Saul Leonardo “MenaRD” usou um Dualshock 4 para vencer a Capcom Cup 2017 - se tornando campeão mundial de Street Fighter V e recebendo um prêmio de U$250 mil.

Superando expectativas, MenaRD chegou ao topo do pódio na Capcom Cup 2017. (Foto: Divulgação/ Capcom)

Um é pouco, dois é bom e seis é demais


O conceito de controle arcade que conhecemos apareceu pela primeira vez em 1989, com o lançamento do primeiro Street Fighter. O jogo foi responsável por introduzir muitas ideias que são usadas até hoje nos games de luta e mudou totalmente a forma com que se jogava nos fliperamas. Para executar Hadoukens, Shoryukens e tantos outros golpes sem problema, os gabinetes passaram a ter manches de oito lados e, pelo menos, seis botões de ataque.

Acompanhando o sucesso avassalador de títulos como Street Fighter II, Fatal Fury e Mortal Kombat, o formato se tornou popular rapidamente e é seguido como padrão até hoje. Além disso, mesmo com dezenas de avanços e melhorias tecnológicas, os Arcade Sticks da atualidade ainda se parecem bastante com os primeiros modelos do mercado. As poucas diferenças na estrutura dos controles acaba sendo uma questão regional, já que as peças usadas antigamente (especialmente manetes) eram diferentes em cada lado do planeta.

As peças japonesas são as mais populares até hoje. (Foto: Reprodução/ Tested)
No ocidente, os componentes mais populares eram da empresa Happ, que ficou conhecida por fabricar os manches “cotonetes”. Essas alavancas estavam presentes em praticamente todos os gabinetes americanos e eram distribuídas com um restritor circular - objetos de plástico que limitam o movimento da alavanca, afetando diretamente a execução dos golpes. Enquanto isso, no oriente, quem dominava o mercado eram as peças da japonesa Sanwa, que criou as manetes do estilo “balltop” e adotou restritores quadrados.

Tamanho é documento? Uma nova forma de jogar


Os jogos de luta eram um sucesso tão absoluto nos fliperamas, que foi questão de tempo para que fizessem sua estreia nos consoles de mesa. Mesmo com uma qualidade muito inferior em relação ao que se via nos arcades, a primeira adaptação marcante foi Street Fighter II, que chegou no Super Nintendo em 1992 e provou que competir no sofá de casa também poderia ser muito divertido. Além de qualquer diferença no próprio jogo, uma das maiores mudanças aconteceu nos controles: pela primeira vez na história, os golpes não seriam executados em um manche.

A nova forma de jogar tinha como protagonista o gamepad dos consoles, o que não era algo necessariamente ruim - tendo em vista que, também por conta das limitações, as versões caseiras da maioria dos jogos tinham um apelo mais casual e menos técnico. Como os controles costumavam ter menos botões que os gabinetes de arcade, também se tornou comum o uso de gatilhos. Contudo, uma exceção que fez sucesso e se tornou referência, foi o lendário controle de seis botões do Mega Drive, projetado para que os jogadores pudessem ter uma experiência completa no console da Sega.

Outro aspecto que sempre chamou a atenção nos pads é o direcional digital. Substituindo os manches, esses componentes oferecem precisão e até algumas vantagens na hora de executar determinados comandos. Ainda assim, o melhor de tudo é que praticamente todos os joysticks já lançados contam com a presença da peça. Logo, jogadores que usam os controles da família PlayStation, por exemplo, podem migrar entre os quatro modelos já lançados com facilidade e evitar algumas dores de cabeça na hora de se adaptar.

Controles especiais podem oferecer uma experiencia diferenciada para os jogadores de pad. (Foto: Divulgação/ Hori)

Hoje em dia, os jogadores que optam por esse tipo de controle tem um grande arsenal à disposição. Além dos modelos mais simples, que acompanham os videogames, algumas empresas como Hori e Mad Catz fabricam gamepads especiais: os “fightpads”. Se inspirando no já citado e clássico controle de Mega Drive, é comum que esses modelos sofisticados usem seis botões e tenham direcionais digitais mais resistentes. O investimento necessário para ter um desses joysticks também é um ponto positivo, tendo em vista que é possível encontrar bons modelos pelo mesmo preço de um pad comum.

Nostalgia portátil, mas que não cabe no bolso


Com a virada do milênio, o fim da era de ouro dos fliperamas e a chegada de consoles caseiros ainda mais potentes, os controles arcade acabaram se tornando algo praticamente exclusivo da comunidade de jogos de luta. Graças a isso, a maioria das companhias que trabalhava na fabricação de peças para os gabinetes reduziu drasticamente a produção. Enquanto outras empresas, como as próprias Hori e Mad Catz, passaram a ter cada vez mais relevância vendendo versões móveis dos controles clássicos.

Tentando simular a experiência dos arcades e oferecer o máximo em desempenho competitivo, os sticks atuais são muito populares entre os jogadores que cresceram nos fliperamas. A grande vantagem desse tipo de controle é justamente seu formato, que deixa os botões em uma posição privilegiada e permite, por exemplo, que o jogador execute todo tipo de golpe normal com apenas uma mão - dispensando o uso de gatilhos e deixando o outro braço livre para movimentar a manete.

Jogar fliperama em casa pode ser prazeroso, mas também desconfortável. (Foto: Divulgação/ Razer)

Por outro lado, os controles arcade da atualidade ainda sofrem um pouco com a falta de portabilidade dos antigos gabinetes. Para oferecer um desempenho convincente, sem se mexer muito no colo do jogador, os sticks precisam de um peso e tamanho razoável. Algo que para quem não tinha o costume de gastar fichas com as máquinas, pode ser um tanto quanto desconfortável. Outra coisa que pode incomodar é o barulho, já que o manche e botões costumam produzir algum ruído durante os movimentos.

Vale ressaltar também que, se comparado a maioria dos Gamepads, o preço dos Arcade Sticks costuma ser bem elevado. Até mesmo modelos de entrada podem pesar no bolso dos jogadores e, por isso, é recomendável que se busque alguma forma de testar o produto antes de confirmar o investimento. Outra alternativa são os controles artesanais, feitos por empresas locais ou até de forma caseira. Esses modelos tendem a ser mais baratos e podem ser customizados facilmente, com carcaças, estampas e peças personalizadas.

Como escolher o seu controle


No fim das contas, selecionar um controle acaba sendo uma questão de preferência e comodidade. Como os games de luta se consolidaram nos fliperamas, uma parcela gigantesca dos jogadores ainda é acostumada a usar a manete dos arcades. Enquanto outros, quase sempre mais jovens, aprenderam a combar em casa e ficaram apegados ao estilo dos consoles de mesa. De qualquer forma, nenhum dos dois tipos traz vantagens absurdas e, contanto que você não tente jogar com uma pistola Zapper, é provável que o modelo que te dará o melhor desempenho é aquele com o qual você mais tem mais intimidade.

O manche cotonete também foi muito popular nas máquinas brasileiras. (Foto: Reprodução/ Tested)

No meu caso, por exemplo, o melhor sempre foram os controles comuns. Por ter apenas 20 anos de idade, joguei muito pouco nos fliperamas antes que eles entrassem em extinção no Brasil. A melhor saída para manter a paixão pelos jogos de luta foi com a versão turbo de Street Fighter II do Super Nintendo, onde aprendi a usar o direcional digital e não quis mais parar. Por curiosidade, na metade do ano de 2017, resolvi montar um controle arcade na garagem de casa. Gastei cerca de R$ 200, consegui me adaptar com facilidade, mas ainda prefiro competir usando Gamepads.

E você, prefere usar Arcade Sticks ou Gamepads? Como conheceu os jogos de luta? Conte pra gente aqui nos comentários!

Revisão: Link Beoulve
Clercio Rodrigues escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook