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Análise: Omensight (PC/PS4) tem criatividade, bom visual e ótimas mecânicas

Novo game da Spearhead Games apresenta um enredo muito criativo com mecânicas interessantes. Mas peca na precisão dos controles.

Pensado para ser um jogo de ação com puzzles criativos, Omensight (PC/PS4) inova bastante em sua proposta. Isso porque une mecânicas já tradicionais de games de ação e aventura com um enredo muito interessante. Esse enredo faz, inclusive, com que o jogador se prenda ao jogo por muito mais tempo, fazendo com que a experiência se torne, no mínimo, curiosa.


Ambientado em um mundo conhecido como Urralia, Omensight nos coloca no corpo de um guardião que recebe a missão de descobrir quem está por trás de um assassinato. Pode parecer estranho um game de ação e aventura com uma premissa dessas, mas esse é o principal aspectos que torna Omensight um diferencial em seu gênero.


A jornada do Augúrio

Em Omensight, você é o lendário guerreiro Augúrio (ou Harbinger, em inglês), um habilidoso guerreiro sem sexo que existe fora do tempo. Na lenda estipulada no jogo, o Augúrio sempre surge quando o mundo está prestes a acabar, fazendo de tudo para impedir que isso aconteça. E é exatamente por isso que somos convocados.

Na história, o mundo de Urralia, devastado por uma guerra entre duas nações, chega ao seu clímax e acaba por ser destruído por uma serpente gigante vinda do “Vazio”. Essa serpente só consegue chegar ao reino por conta da ausência da sacerdotisa que servia como balança entre os conflitos. Entretanto, essa figura de peso foi assassinada misteriosamente e, além disso, sua morte é o acontecimento que desencadeia todo o apocalipse em Urralia.



Com isso, a missão do Augúrio é viajar no tempo diversas vezes para recuperar informações relevantes e encontrar finalmente o culpado pelo assassinato da sacerdotisa. Assim, ao longo do jogo, servimos de parceiros para diversos personagens que têm ligação direta ou indireta com o assassinato, revelando paulatinamente a estrutura geral da misteriosa história.

Escolhas, consequências e “faça de novo”

Um fator praticamente essencial para que o enredo de jogos com viagem no tempo funcione é abusar um pouco do chamado “efeito borboleta”. Aqui, esse efeito, que diz de um acontecimento simples desencadear grandes mudanças no tempo, é utilizado através de determinadas mecânicas de escolha, que deixam o game muito atrativo



Com fases curtas baseadas no último dia de vida de cada um dos personagens que o Augúrio acompanha, somos levados por caminhos com trajetórias bloqueadas ou não. Além disso, presenciamos alguns acontecimentos que nos dão certo poder de escolha sobre o que fazer em seguida. Por exemplo, em dado momento, é possível matar um inimigo ou então tentar convencê-lo de te ajudar. Não existe exatamente uma resposta certa, vai depender do que o contexto favorece.

Essas mecânicas forçam o jogador a percorrer diversas vezes um mesmo acontecimento do último dia de Urralia. Além disso, ele também é levado a explorar acontecimentos distintos para, só então, voltar ao primeiro e ter o poder de modificar determinadas coisas; ou de seguir determinados caminhos antes impossíveis de serem feitos.



Isso dá ao jogo uma imersão muito boa, fazendo com que ele consiga mesclar ótimas mecânicas de jogo com um enredo criativo para fazer com que o jogador continue a jogar até descobrir o mistério por trás do apocalíptico assassinato.

Combates ágeis, mas pouco precisos

Claro que, por trás de todo esse enredo complexo de viagem no tempo e impedimento do fim do mundo, temos combates interessantes. Focado na ação, o game tem mecânicas de combate que lembram um pouco o famoso gênero hack and slash. Como já é de praxe no subgênero, a evolução do personagem se dá através de upgrades pagos pela coleta de itens ao longo das fases.



Os combates propriamente ditos são ágeis e cheios de inimigos ao mesmo tempo. Para acrescentar um pouco mais de mecânicas diferenciadas, temos nossos parceiros de combate. O que acontece é que, como as fases fazem o Augúrio acompanhar algum personagem no último dia antes do apocalipse, normalmente esse personagem é nosso aliado, fazendo com que ele nos ajude nas lutas de forma autônoma. Entretanto, é possível acionar habilidades especiais deles quando necessário.

Mesmo que os combates tenham seus pontos positivos, eles apresentam dois problemas necessários de serem citados aqui. O primeiro é a quase total incompatibilidade com teclado e mouse. Isso porque o uso do mouse para a movimentação do personagem é um tanto quanto problemático, além de ser absurdamente impreciso. Isso frustra, pois a mecânica de movimentação e combate não são tão complexas assim, ao ponto de serem tão difíceis de serem adaptadas para um teclado.



Ao mesmo tempo, quando colocamos algum controle no PC para jogar, ele não fica tão preciso assim. Obviamente, como a própria empresa indica o uso de controles para o jogo, a experiência é muito melhor com eles. Entretanto, ainda têm problemas principalmente com os pulos duplos e o controle de menus, onde a sensibilidade do controle pode variar demasiadamente e prejudicar a jogatina. Claro que esses são problemas corrigíveis com atualizações, mas até o momento de confecção desta análise, eles ainda estavam presentes no game.

Visual colorido e muito belo

Se Omensight pode não surpreender em seus desafios e combates, ele agrada bastante em seu visual. Com uma estética própria muito diferenciada, além de traços leves e cores fortes, o jogo apresenta um visual muito bonito e bem pensado. A aura de conto de fadas que o jogo traz é completado por esses aspectos visuais que enriquecem bastante a experiência.



Mas o aspecto que mais chama a atenção é o uso da iluminação. Seja no próprio corpo energético do Augúrio, nas portas e travas ao longo das memórias ou então na iluminação ambiente, a luz sempre está em foco. Essa é quase que sentida como energia de fato no jogo, em um mundo tão diferente do nosso, mas, como toda boa fábula, trazendo referências para ele. Além disso, a trilha sonora também é muito boa. Com tons orquestrados e líricos, a obra se torna completa.

Vale a pena a experiência

Omensight (PC/PS4) pode não ser perfeito. Na verdade, ele tem pontos a melhorar. Estes estão relacionados principalmente aos seus controles e nível de dificuldade. Em muitos momentos, inclusive, parece que estamos apenas vivenciando a história, sem exatamente um desafio a ser superado. Entretanto, a história e a forma como ela é contada são os pontos altos do game, tão altos que fazem a experiência valer a pena, mesmo com defeitos de comandos e combates.



Contar histórias em videogames não é uma tarefa simples. Não é simplesmente colocar textos falados por personagens enquanto o protagonista sai matando inimigos a cada esquina. Para que uma história realmente seja contada por um jogo, é preciso que ela esteja não só nos textos, mas no visual, nos sons e, principalmente, nas mecânicas presentes no jogo. Mesmo que tenha falhas, o principal Omensight faz muito bem: contar uma história, não como um livro faz, mas como um jogo de videogame deve fazer.

Prós

  • Estética diferenciada muito agradável;
  • História criativa e instigante motiva a jogatina;
  • Trilha sonora complementa a experiência;
  • Mecânicas de memórias auxiliam a história de modo excelente;
  • Combates ágeis podem divertir.

Contras

  • Problemas de precisão nos controles;
  • Muito mal adaptado para o teclado do PC;
  • Nível de dificuldade baixo pode afastar jogadores.

Omensight - PC/PS4 - Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC

Análise feita com cópia digital cedida pela Spearhead Games
Revisão: Renata Bottiglia
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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