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Análise: FOX n FORESTS (Multi) — jogabilidade sólida em roupagem duvidosa

Não é um clássico instantâneo, mas sua diversão é genuína.


FOX n FORESTS (Multi) é um projeto da Bonus Level Entertainment financiado através do Kickstarter. A ideia era trazer um jogo de plataforma estiloso que remetesse à era dos consoles 16-bits, com visual estilizado e jogabilidade simples e desafiadora. Em certos aspectos, FOX n FORESTS se mostra eficiente, mas deixa a desejar em outros que podem acabar afastando olhos curiosos que procuram um jogo novo nas lojinhas virtuais.

As quatro estações

A história de FOX n FORESTS tem como protagonista a raposa Rick. Prestes a cometer a atrocidade de devorar Patty, uma ave da floresta onde vive, a raposa é confrontada pelo próprio pássaro e incumbida de uma tarefa: recuperar os galhos mágicos da Árvore das Estações, salvando-a de criaturas do mal que buscam estabelecer uma quinta estação, alterado a natureza em sua essência e equilíbrio. Em troca de seus favores, a raposa receberá recompensas e tesouros. Ganancioso que só, Rick parte em uma aventura munida de seu desejo de ficar rico e uma besta capaz de alterar as estações instantaneamente.

Não há nada de especial na história de FOX, com os diálogos ocorrendo em caixas e cheios de trocadilhos que não são exatamente divertidos ou engraçados. Falta carisma em basicamente todos os personagens, mas a grande verdade é que, aqui, a história é o que menos pesa no valor do jogo.

Divertido de jogar e esquisito de se ver

Mecanicamente falando, FOX n FORESTS é simples mesmo na maior habilidade especial do protagonista, a troca de estações. O game é dividido em “mundos”, cada um representando uma das quatro estações, e suas fases são repletas de segredos como sementes e pedras mágicas, que servem para comprar melhorias. Tais itens ficam espalhados em locais diversos nas fases, alguns muito bem escondidos, exigindo exploração e olhar atento do jogador. Certos locais só podem ser acessados mediante o uso de habilidades específicas, que são adquiridas conforme o jogador progride na história, tornando importante revisitar fases já concluídas.



Há uma bela quantidade de inimigos, indo de simples insetos e morcegos à javalis selvagens e sátiros maléficos. Derrotá-los concede moedas, que por sua vez podem ser usadas na compra de melhorias para Rick, como novos corações, aumento da barra de mana e novos ataques. O sistema de checkpoints do game também utiliza dinheiro, exigindo uma pequena quantia de moedas para que o jogador o ative. Quanto mais avançado for o checkpoint na fase, mais caro ele será. O uso é completamente opcional e a forma como o sistema é implementado ajuda a ajustar o desafio do game em tempo real.

A troca de estações oferece situações interessantes de exploração e enfrentamento de inimigos. O conceito é simples, e com o pressionar de um botão, trocamos para uma estação diferente da que estamos. Quer atravessar um lago? Troque de estação e veja o frio do inverno congelar as águas. Esse sistema é muito bem utilizado nas lutas contra chefes, criando encontros únicos e satisfatórios. Infelizmente, a troca de estações é pré-determinada, ou seja, alternamos entre duas estações definidas para cada fase. Para expandir a mecânica, seria interessante poder escolher qual estação queremos, mas não caberia com a proposta simples do jogo.



O visual em 16-bits traz um misto de sensações. Os cenários são muito bonitos, com cores vivas durante a primavera e o verão e momentos mais sóbrios e frios com o outono e o inverno. Há diversas locações, desde florestas densas à fortalezas cheias de armadilhas, e todas elas são muito bem produzidas, com segredos espalhados e desafios oferecidos não apenas pelos inimigos, mas também por armadilhas do cenário. As animações dos personagens são bem feitas, especialmente do protagonista e dos chefes. Já o design deles é algo por vezes normal demais, por vezes medonho. Rick não possui nenhuma característica que o faça ser lembrado como protagonista de nada. Os inimigos, especialmente os chefes, possuem um “pé na realidade” muito forte, com criaturas fortemente modeladas sem qualquer charme.

FOX n FORESTS (Multi) não é um clássico instantâneo, mas é competente em sua proposta de trazer o sentimento de se estar jogando um game 16 bits da década de 1990. Seu protagonista não será lembrado para sempre e nem sua trilha sonora é ma-cante a ponto de ser memorizada e cantarolada, mas os controles precisos, os combates, especialmente contra chefes, e a exploração das fases para se completar 100% de progresso criam uma experiência divertida e que vale a pena, principalmente por ter uma duração curta e ideal.

Prós

  • Visual dos cenários;
  • Mecânica de alternar estações;
  • Sistema de checkpoints bem implementado;
  • Lutas contra chefes;
  • Controles simples e precisos.

Contras

  • Personagens sem carisma;
  • Visual do protagonista é sem inspiração;
  • Visual dos inimigos (principalmente os chefes) não possui charme;
  • Trilha sonora esquecível.
FOX n FORESTS — PS4/XBO/PC — Nota: 6.0

Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bonus Level Entertainment 
Francisco Camilo é formado em Serviço Social pela PUC-MG e até hoje não entende a verdadeira razão de ter feito tal curso. Apaixonado pelo mundo dos jogos eletrônicos, tem em sua mente um futuro ideal cuja existência é incerta e o leva a questionar se o que imagina é parte de um sonho ou ilusão. Pode ser encontrado aqui principalmente em análises e buscando troféus na PlayStation Network.

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