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Análise: Guns, Gore & Cannoli (Multi) é o hilário confronto entre a máfia italiana e zumbis

Participe de tiroteios frenéticos contra zumbis e mafiosos na década de 1920.

A cultura pop é repleta de grupos e sujeitos que ocupam o imaginário dos fãs. A concepção atual de zumbi deriva do trabalho do cineasta estadunidense George A. Romero no filme de terror A Noite dos Mortos-Vivos (George A. Romero, 1968). Enquanto isso, a versão romantizada da máfia italiana tem como maior influência a produção cinematográfica O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972). Todavia, e se juntássemos essas duas coisas amadas pelos fãs? Certamente teríamos Guns, Gore & Cannoli (Multi), da Crazy Monkey Studio e Claeysbrothers.

A Lei Seca em Thugtown

O jogo de plataforma 2D Guns, Gore & Cannoli se passa em 1925, momento da Lei Seca (1920-1933) nos Estados Unidos. Nesse cenário em que a venda e fabricação de bebidas alcoólicas eram proibidas, o jogador assume o comando do mafioso Vinnie Cannoli. O protagonista é enviado para a fictícia cidade de Thugtown (um trocadilho no inglês para "cidade dos bandidos") para encontrar e resgatar outro mafioso. Contudo, ao desembarcar na cidade, ele percebe que ela está tomada por zumbis.

O enredo do jogo mescla história com ficção para justificar a transformação da população em zumbis. Porém, como a explicação sobre o vírus zumbi é uma das revelações-chaves da trama, não poderemos discuti-la mais a fundo. Basta dizer que foi uma maneira bem criativa para fundamentar a existência de zumbis em plena década de 1920. Os monstros cadavéricos não são colocamos sem contexto ou meramente atrelados ao fator de humor, há toda uma trama que levou ao incidente de Thugtown.


Juntamente com a história, Guns, Gore & Cannoli também traz um humor regado a trocadilhos e paródias dos principais representantes do gênero. Por exemplo, um dos personagens do jogo é uma clara referência ao icônico Don Vito Corleone, interpretado pelo ator estadunidense Marlon Brando, inclusive com direito a imitação da voz e gestos do ator no filme de Coppola. O próprio protagonista da obra leva o sobrenome Cannoli, a famosa sobremesa siciliana. Há vários momentos de fanservice bem executados, sem exagerar na quantidade ou fazendo uso de temas não ligados aos assuntos do jogo.

A morte é colorida

A arte de Guns, Gore & Cannoli é no estilo cartoon. O visual colorido traz diversos personagens que são praticamente caricaturas do visual clássico dos mafiosos no cinema, bem como agrega um valor a mais referente a comédia. Neste estilo, o jogo explora caretas e gestos cômicos que se alinham aos diálogos divertidos e dublados de forma excelente pelo elenco, que reproduz um sotaque italiano com perfeição.


O anti-herói Vinnie Cannoli faz comentários hilários ou sarcásticos sobre diversas situações e inimigos. A personalidade agressiva e impaciente do protagonista rende ótimas gargalhadas com suas atitudes petulantes frente aos inimigos ou comentários politicamente incorretos ao longo do gameplay, tornando cada batalha mais divertida do que a anterior.

No quesito jogabilidade, Guns, Gore & Cannoli traz um gameplay desafiador e compatível para até quatro jogadores no cooperativo local. Os comandos são leves e rápidos, mas falham quando há fases com zumbis ou mafiosos inimigos demais (o que é bem comum), frustrando o jogador que não tem suas ações correspondidas na mesma velocidade ou com os efeitos desejados no personagem.


O jogo também falha no nivelamento de dificuldade para jogadores que optarem em fazer a campanha no modo solo ou com menos de quatro jogadores. O título possui fases e inimigos adaptados para mais de um jogador, todavia deveria haver uma opção que permitisse a jogadores single player realizarem a campanha com uma quantidade de inimigos adequada para seu modo de jogo.

Apesar dos problemas com lag e nível de desafio, o gameplay de Guns, Gore & Cannoli oferece o que se espera de uma obra de plataforma 2D cujo foco é a ação frenética. Hordas de zumbis são recorrentes, bem como inimigos mafiosos pertencentes a famílias rivais a de Cannoli. A ação é contínua na campanha, com parada apenas nas cinemáticas, que por sinal carecem de qualidade. Quando o jogo transmite as cutscenes, é perceptível a queda de qualidade gráfica do gameplay para cinemática, quando na maioria das vezes é o inverso que ocorre.


A máfia como você nunca viu

Guns, Gore & Cannoli é muito criativo e divertido. Apesar de seus problemas técnicos, a obra merece um lugar na biblioteca dos jogadores. Agradável visualmente, com uma ótima dublagem e uma história que consegue conectar zumbis à Lei Seca, o jogo de plataforma é a receita certa para aqueles que buscam um título engraçado, mas repleto de ação.

Prós

  • Campanha com muita ação;
  • Contextualização do conflito entre mafiosos e zumbis;
  • Fanservice na medida certa;
  • História divertida e criativa.

Contras

  • Cinemáticas com baixa qualidade;
  • Desnivelamento de dificuldade para jogadores que não optam pelo cooperativo;
  • Lag em fases com muitos inimigos.
Guns, Gore & Cannoli — PC/PS4/XBO — 8.0
Versão usada para análise: PC
Revisão: João Pedro Boaventura
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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