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Análise: Ski Hard Lorsbruck 1978 (PC) é simples, básico e desafiante

A nova criação da Odd Chamber poderia ser melhor trabalhada, mas é eficaz em seus desafios.

Jogos de esportes radicais não estão tão em alta como já estiveram na década passada. Entretanto, alguns títulos conseguem nos prender por um tempo, enquanto outros, mesmo não sendo tão complexos, servem como uma boa distração. Ski Hard Lorsbruck 1978 (PC) se encaixa muito bem nesse último grupo. Com uma simplicidade que chega a incomodar em alguns momentos, o game não é uma obra prima, mas serve para matar o tempo por um breve período de tédio.

De volta à década de 1990 (ou 70?)

Quem jogou SkiFree (PC) nos computadores com Windows 95, ou anteriores, vão se sentir num túnel do tempo em Ski Hard Lorsbruck. Isso porque o jogo, em resumo, lembra bastante o ritmo que SkiFree tinha lá em 1991. É certo que não temos o abominável homem das neves como no jogo estilo arcade dos antigos computadores, mas o resto lembra bastante.



Seu visual 3D é ótimo mesmo sendo minimalista. É possível ter um bom vislumbre da descida das montanhas e até de parte do percurso que iremos fazer. Além disso, seus obstáculos são praticamente os mesmos do clássico jogo de Windows, o que causa uma falsa nostalgia no título que o deixa agradável. Entretanto, a fórmula do jogo de 1991 é vista de forma muito literal em moldes um pouco mais modernos.

Seus menus são muito simples e resumidos, o que torna a navegação por estes muito precárias. Existe uma tabela aparentemente global dos melhores tempos efetuados em cada pista do jogo, mas, mesmo que isso motive o jogador a experimentar a pista mais uma ou duas vezes, logo a fórmula se torna obsolete. O layout pobre dos menus do jogo ajudam nisso.



Com isso, seja para o bem ou para o mal, o jogo mais lembra um remake de algo do passado, ao repetir várias fórmulas que causam uma boa sensação de nostalgia, mas também traz outras que são um tanto quanto obsoletas para um game de 2018, como seus menus pobres, movimentação dificultada e poucos efeitos visuais.

Simplicidade desafiante

Um ponto muito marcante ao se jogar Ski Hard Lorsbruck 1978 é a sua simplicidade. De início, ela já é sentida em seus controles. Com movimentos básicos de esquerda, direita e aceleração o jogo consegue tornar a experiência bastante desafiante. Sua velocidade não desafia com movimentos rápidos e reflexos, mas sim com preparação. 



Isso porque você acompanha os obstáculos e caminhos chegando de grandes distâncias. Mas sua preparação para eles é essencial. Por conta da suposta velocidade na qual o esquiador está, uma mera curva na hora de saltar, por exemplo, pode mudar completamente a direção para a qual ele irá no ar.

Isso é interessante pois o jogo se apoia em aspectos bem simples para dar o tom de desafio, bem no estilo dos arcades antigos mesmo. Entretanto, falta um pouco de sofisticação em seu layout para que isso se torne uma qualidade mais marcante. Marcadores chamativos de velocidade, efeitos visuais que indiquem um aumento da velocidade e até efeitos de contato com a neve, por exemplo, poderiam resolver este problema.


Os problemas de um jogo “cru”

Ski Hard Lorsbruck 1978 tem o problema de parecer inacabado, isso para início de conversa. Como já falamos em outros pontos aqui, sua simplicidade incomoda em alguns momentos. Um deles é a sensação de movimento sob a neve. Por ser simplista demais, o mapa se torna confuso em alguns momentos de forma um tanto frustrante. 

Claro que parte do desafio encontra-se também em traçar o caminho correto pela neve em momentos em que a superfície super branca das montanhas causam ilusão de ótica. Entretanto, essa ilusão não é vista como uma característica de fato do ambiente, mas sim como uma falta de detalhismo do próprio jogo. Seria possível, por exemplo, manter seu visual simplificado, mas abusar um pouquinho mais de efeitos de iluminação e partículas para tornar a experiência mais cativante e imersiva.



Outro ponto problemático é a sua trilha sonora que é excessivamente repetitiva. No início a trilha até agrada e, tal como games de arcade de duas décadas atrás, é agradável. Porém, ela não tem exatamente uma “personalidade”. Isso faz com que ao invés dela grudar na sua cabeça como em TETRIS (Multi), ela se torne entediante.

Dominação por tentativa e erro

Jogos de arcade se tornaram um nicho interessante atualmente, principalmente por conta de plataformas que abrem espaço para desenvolvedores independentes, como o Steam. Porém, é preciso reinventar constantemente o gênero e não simplesmente repetir o que já foi feito. Ski Hard Lorsbruck 1978 (PC) não chega a repetir ofensivamente o que já foi feito, mas parece ter preguiça de inovar.



Sua simplicidade pode servir um pouco como carisma para que amantes de arcade curtam o jogo. Porém, a pobreza de sua interface pode afastar rapidamente esses mesmo jogadores. Se uma coisa prende todos nós em Ski Hard é, de fato, seu senso de evolução. Por fim, o pilar principal dos games de arcade ele conseguiu alcançar com qualidade: o fato de sua mecânica ser fácil de aprender, mas quase impossível de ser dominada. 

Prós

  • Controles simples e fáceis;
  • Nível de desafio se apoia em aspectos interessantes;
  • Simplicidade pode atrair alguns;
  • Senso de evolução por prática e insistência.

Contras

  • Layout pobre demais;
  • Música repetitiva e entediante;
  • Simplicidade do mapa pode confundir em alguns momentos;
  • Falta personalidade no jogo.
Ski Hard Lorsbruck 1978   PC — Nota: 5
Revisão: Diogo Mendes
Análise feita com cópia digital cedida pela Odd Chamber
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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