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Análise: Sdorica Sunset (Android/iOS) esbanja arte combinando RPG e puzzle

O novo game da desenvolvedora japonesa Rayark Inc. é um show de traços artísticos e trilha sonora.

Jogos próprios para smarthphones e tablets tem ganho cada vez mais destaque na indústria. Mesmo com uma enxurrada de jogos medianos ou ruins, cada vez mais temos a oportunidade de ter ótimas experiências com jogos dessas novas plataformas. Um bom exemplo disso é Sdorica Sunset (Android/iOS) que chegou este mês na Google Play e na App Store.


O game, desenvolvido pela empresa japonesa Rayark Inc., chama atenção principalmente por sua arte visual. Aparentemente todo trabalhado com traços que lembram pinturas e artes conceituais, o jogo é um RPG com combates baseados em puzzles que encaixam muito bem na dinâmica que utilizamos para jogar em celulares.

Enredo episódico com profundidade

Em Sdorica Sunset, somos os chamados Watchers, uma espécie de mago que invoca campeões e acompanha a história de alguns deles em seu mundo de fantasia. Nesse mundo existem diversos reinos e raças, com várias ligações entre eles. Mesmo que no início acompanhemos a história de três personagens específicos, com o desenrolar do jogo vamos conhecendo cada vez mais personagens e mais histórias paralelas.

O bacana é que isso faz com que o jogo tenha um modo singleplayer muito divertido. Isso porque ao longo de diversos capítulos de história, onde várias submissões existem para serem vencidas, temos a oportunidade de acompanhar diálogos muito bem construídos entre personagens muito distintos. Ao longo da jogatina, inclusive, várias dessas histórias paralelas vão se cruzando, tornando a ambientação do jogo cada vez mais rica e complexa.



Um ponto interessante para um jogo mobile lançado no ocidente, é que o audio dele é todo em japonês. Seus textos, traduzidos para o inglês, são suficientemente bons para a compreensão de quem tem um conhecimento básico da língua, mas para quem curte a cultura japonesa, vai ser bem legal também ouvir expressões nesse idioma.

Tom artístico de primeira

Como falamos no início do texto, o visual do jogo é lindíssimo. Mesmo que opte por algumas soluções mais simples principalmente para a estética dos personagens em luta, o resultado final é muitíssimo agradável aos olhos. O cuidado com os traços e detalhes do jogo é facilmente perceptível, vendo como o game não manteve os “fins comerciais” como carro chefe no processo de desenvolvimento.



Junto com traços coloridos e de leveza invejável, Sdorica Sunset também apresenta uma trilha sonora estupenda! Com músicas que variam de tons calmos até ritmos épicos para combates, todas as músicas do jogo são orquestradas, o que remete a franquias de games japoneses clássicas como Final Fantasy e The Legend of Zelda.

Combates lineares, mas divertidos

O ritmo do jogo é bem linear, com narrativas interessantes combinadas com batalhas constantes. Essas batalhas possuem um nível de desafio que cresce bem paulatinamente, mas são divertidas. Os puzzles que envolvem as habilidades de cada personagem só deixam a experiência ainda mais simples e divertida, principalmente para se jogar em celulares.



Mesmo que esse esquema seja simples, a diferenciação entre cada campeão do jogo existe e influencia o suficiente os combates. Tanto heróis como criaturas possuem habilidades próprias que podem ajudar ou atrapalhar durante a luta. Tudo isso é apreendido pelo jogador de forma instintiva realmente ao experimentar cada habilidade distinta. Isso torna a experiência ainda mais cativante, sem aquela tonelada de textos, setas e tutoriais entregando tudo de bandeja.

As batalhas não são diretamente afetadas pelas microtransações, que ainda existem no jogo. Possivelmente, essas transações influenciarão mais a situação de jogo muito avançada, com jogadores alcançando níveis 40 ou superiores. Pois parte dos itens disponíveis ajudam a encantar seus personagens. Mas estes itens não são exclusivos de microtransações, o que torna a coisa um pouco mais justa.


Falta um pouco de otimização

Mesmo que o jogo tenha pontos excelentes de qualidade, alguns deslizes ainda são sentidos. O principal deles, sem dúvidas, é o peso desnecessário que algumas opções do menu possuem. Às vezes é preciso esperar até 5 segundos para passar de um menu para o outro, ou então para receber uma recompensa diária. Isso atrapalha um pouco a experiência do game em sua interface, que é belíssima.

Além disso, algumas mecânicas de jogo ainda são subutilizadas. O próprio sistema de guildas, por exemplo, ainda não possui uma justificativa clara para existir dentro do game. Ao mesmo tempo, os chamados eventos (missões para além do modo história do jogo) não tem como foco os jogadores de nível mais baixo. Dessa forma, é preciso jogar bastante até começar a ter acesso aos eventos mais interessantes, o que também pode ser frustrante.


Um carisma excelente!

Independente de qualquer coisa, Sdorica Sunset (Android/iOS) possui um carisma incrível. Pegando ótimos elementos de jogos japoneses, mesclando com uma arte belíssima e mecânicas de jogo não inovadoras, mas adequadas para o meio mobile, o game vale a pena ao menos pela experiência que proporciona.

Além disso, usa pouco a internet após instalado e possui um modo single player bem rico, o que é um pouco raro em jogos das plataformas mobile. Com isso, Sdorica é mais um bom exemplo de que é possível fazer jogos interessantes para mobile, um mercado que cresce mais a cada dia que passa.


Prós

  • Visual belíssimo;
  • Trilha sonora orquestrada muito boa;
  • Personagens carismáticos;
  • Histórias interessantes e bem contadas;
  • Bastante conteúdo singleplayer;
  • Jogo diverte mesmo com microtransações;
  • Puzzle de batalha adequado para um mobile;
  • Mecânicas de combate muito divertidas.

Contras

  • Menus muito pesados;
  • Linearidade pode incomodar alguns;
  • Poucos eventos para níveis baixos;
  • Sistema de guilda ainda desinteressante.
Sdoric Sunset  — Android/iOS —  Nota: 8
Versão utilizada para análise: Android
Análise produzida por conta do próprio redator.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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