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Análise: 39 Days to Mars (PC) é uma bela jornada de lordes

Jogo foca no “cooperativo de sofá” com aventura leve e interessante.

Desde os primórdios da civilização humana, a exploração pelo desconhecido sempre nos acompanhou. Das épocas dos antigos povos até a corrida espacial que vivemos atualmente, a curiosidade em desvendar mistérios desconhecidos nunca parou. E claro que tal característica se reflete na obras culturais criadas ao longo dos séculos.


Uma dessas obras é 39 Days to Mars, desenvolvido pela It’s Anedoctal, estúdio de um homem só, no caso o desenvolvedor Philip Buchanan. Além da temática que nos lembra do livro Volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne, o game também se destaca por ter seu principal modo de jogo voltado ao cooperativo local.


Tudo começa com um bom chá

Ambientado no século XIX, 39 Days to Mars nos traz duas figuras tipicamente inglesas: os nobres Albert Wickes e seu amigos Clarence Baxter. Um belo dia eles resolvem usar a nave criada por eles mesmos, a HMS Temível, para chegar a Marte. Simples assim.

Desde o primeiro momento o jogo já exige a interação entre os dois jogadores. Todos os puzzles são pensados na interação entre ambos e devo dizer que todos são bem divertidos e diferenciados. Sempre trazendo mecânicas próprias, cada novo desafio é uma nova descoberta, obrigando a dupla a pensar como resolver o problema.

O game não tem modo online, mas para aqueles que não quiserem ou puderem ter um parceiro de jogo, existe um modo single-player. Embora a descrição do jogo diga que é uma inteligência artificial, na prática é você que irá controlar Wickes e seu gato de estimação. Como curiosidade até vale conferir, mas definitivamente 39 Days to Mars deve ser aproveitado em dupla.


39 Days to Mars é um jogo bem curto, pode ser terminado tranquilamente menos do que duas horas. Os puzzles do jogo, embora possam ter respostas diferentes, mantém a mesma mecânica sempre. Esses dois pontos acabam matando uma eventual “rejogabilidade”, a menos que você queira mostrar o game para outras pessoas. Mas de modo geral esse pequeno escopo não é um problema.

Mesmo sendo um jogo de uma campanha só, 39 Days é muito bem lapidado e faz bem tudo que se propõe a fazer. Lembrando também que ele foi desenvolvido por uma pessoa só. Um projeto simples mas bem feito.


Consigo ver a Terra daqui!

O cuidado com a parte técnica é notório e muito bem executado. Os gráficos trazem um estilo de arte que condiz com a temática ambientada na Inglaterra Vitoriana. São visuais limpos e com uma boa riqueza de detalhes.

A parte sonora também merece elogios. Todas as músicas são extremamente agradáveis e se encaixam com a proposta do título. Embora não tenha inúmeras falas, todas elas são dubladas no bom e velho inglês britânico. Os textos sempre trazem um humor também tipicamente britânico. Vale dizer que menus e textos foram traduzidos para nove idiomas, incluindo português.


Vamos para Marte

39 Days to Mars é uma aventura bem curta mas extremamente simpática e bem feita. Traz puzzles com mecânicas interessantes e uma ambientação muito bacana. Por ter sido um projeto pequeno, a atenção aos mínimos detalhes é uma constante no game.

Mesmo com todas essas qualidades, a grande força do título é o fato de ser pensado como um “cooperativo de sofá”. Sua execução é fantástica, sendo perfeito para dividir alguns momentos com alguém. Talvez seu único “defeito” seja seu pequeno tamanho, mas é algo completamente compreensível. Isso não impede de ser uma grande experiência para se jogar com outra pessoa e passar alguns agradáveis momentos.

Prós

  • Puzzles inteligentes;
  • Ótima aventura para se jogar de dois;
  • Bela direção de arte;
  • Boas músicas e dublagem;
  • Traduzido pro português.

Contras

  • Talvez pudesse ser um pouco mais longo;
39 Days to Mars  — PC —  Nota: 8.5
Revisão: Diogo Mendes
Cópia digital cedida pela desenvolvedora It’s Anedoctal

Flávio Augusto Priori é formado em design de jogos e tenta ganhar a vida com esse negócio chamado video game. Para ele Metal Gear é a melhor série já feita e ainda acredita na volta da SEGA. Escrevia para o saudoso Minha Tia Joga LoL e hoje pode ser achado no Facebook e no Twitter.

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