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Prévia: Ni no Kuni II: Revenant Kingdom (PS4/PC) promete mais aventuras em um mundo mágico

A continuação da série colaborativa entre Level-5 e Studio Ghibli será bem diferente do jogo anterior.


Ni no Kuni: Wrath of the White Witch surpreendeu a todos quando foi lançado para o PlayStation 3 em 2013, principalmente por conta do envolvimento do famoso estúdio de animação Studio Ghibli. O resultado foi um jogo com visual e ambientação excepcionais, ótima história e vários sistemas complexos, como é costume de um bom JRPG. A continuação Ni no Kuni II: Revenant Kingdom, que chegará ao PlayStation 4 e PC no final de março de 2018, promete revisitar o mundo do título anterior e introduzir várias novas mecânicas. Tudo aponta que a nova aventura terá tudo para ser empolgante e imersiva.

Um rei vítima de um golpe de estado

A trama de Revenant Kingdom acontece centenas de anos depois dos fatos de Wrath of the White Witch e tem como foco inicial um conflito entre a tribo dos ratos e a dos gatos na cidade de Ding Dong Dell. O protagonista é Evan Pettiwhisker Tildrum, rei da tribo dos felinos, que perde o trono por conta de um golpe de estado por parte dos roedores. Diante o surgimento de forças sombrias capazes de ameaçar a paz, Evan decide partir em uma jornada para fundar um novo reino  — a tarefa não será fácil, porém essa parece ser a única maneira de proteger todos. Para isso, o rei conta com a ajuda de Roland, um viajante de outro mundo, e Tani, uma garota membro de um grupo de piratas aéreos.


Mesmo se passando no mesmo universo, Revenant Kingdom tem uma direção bem diferente do anterior, com trama direcionada um pouco mais para jovens adultos. Dessa vez, o foco da história é a construção de um reino, abordando também os laços entre os personagens e como eles amadurecem ao conhecer mais pessoas. Além disso, a direção de arte mudou para combinar com o novo foco: os cenários têm visual um pouco mais realistas, enquanto os personagens continuam a apresentar traço de anime por meio da técnica cell shading. Por conta da trama independente, a Level-5 afirma que será um jogo perfeito para quem não conhece a série, já veteranos poderão perceber ligações sutis entre os títulos com a presença de easter eggs e localidades familiares.
Ao contrário do primeiro jogo, Revenant Kingdom não é uma colaboração com o Studio Ghibli. Porém, o jogo conta com a participação de alguns membros do estúdio que trabalharam no título anterior. Yoshiyuki Momose, ex membro do Studio Ghibli, é responsável pelo design dos personagens. Já a música é responsabilidade de Joe Hisaishi, compositor do primeiro jogo e responsável pela trilha sonora de vários filmes produzidos pelo Ghibli.

Construindo um reino

Na essência, Revenant Kingdom segue as regras de JRPGs clássicos, o que significa explorar calabouços e cidades, conversar com pessoas, resolver problemas e enfrentar monstros.

Durante a exploração, Evan e seus amigos precisam solucionar puzzles para prosseguir, normalmente envolvendo algum obstáculo. No primeiro jogo, o protagonista tinha à disposição vários feitiços para alterar o cenário, dessa vez contamos com a ajuda de criaturas elementais chamadas Higgledies — monstrinhos cuja aparência lembra os kodamas do filme Princesa Mononoke. Em um momento, por exemplo, Evan precisa usar um Higgledie de vento capaz de controlar um tornado para alcançar um ponto alto do cenário. Muitas dessas criaturas serão opcionais, logo será importante vasculhar os locais para encontrá-las.

Evan está construindo um novo reino, logo nada mais natural que a inclusão de mecânicas de jogo para retratar essas ações. É no “Kingdom Mode” que administramos o império do rei dos gatos. Nessa modalidade, poderemos expandir o território, construir estruturas e lojas, pesquisar tecnologias, e assim por diante. Cada uma dessas construções precisa de um responsável, sendo assim uma das tarefas é procurar pessoas capazes pelo mundo e convidá-las para ajudar na administração do reino. Todas essas atividades são opcionais, porém há várias recompensas pelos esforços, como itens e armas.

Naturalmente, os outros reinos não gostam das ações de Evan e vão fazer o máximo para atrapalhar o desenvolvimento de seu reino. Nesse momento acontecem batalhas táticas em que controlamos exércitos em missões. Essas investidas são estratégicas e precisamos montar grupos balanceados para vencer. Além de diferentes unidades, estarão disponíveis comandantes distintos, cada qual com habilidades especiais únicas. Esses combates acontecem no mapa múndi, cujo visual conta com proporções diferentes, lembrando uma pequena maquete — nesses locais, os personagens aparecem no formato chibi, ou seja, com corpo pequeno e cabeça bem grande.

Essas novas mecânicas reforçam a temática da história de construção de um novo reino e prometem trazer identidade à Ni no Kuni II.


Ação, estratégia e magia nos combates

Pelo caminho, há vários inimigos a serem derrotados em batalha. O sistema de combate de Ni no Kuni II foi amplamente modificado em relação ao do antecessor e tem foco maior na ação. Os heróis são o núcleo dos embates e eles contam com a ajuda dos Higgledies — o sistema de capturar e treinar monstros do primeiro jogo não está presente na continuação.

Durante os embates, controlamos diretamente um dos heróis em tempo real, enquanto os outros aliados são guiados pelo computador. Os personagens têm à disposição golpes físicos, ataques à distância, feitiços e técnicas especiais. Cada aliado tem características únicas: Evan é balanceado e consegue desferir magias com seu cajado, Roland dispara balas com uma pistola e ataca rapidamente com uma espada, já Tani utiliza uma lança e um arco com flechas. É possível trocar de personagem a qualquer momento, uma ação necessária, pois inimigos apresentam fraquezas a diferentes tipos de ataques.


O diferencial do combate é a atuação das criaturinhas Higgledies. Os pequenos espíritos ficam espalhados pelo campo de batalha e é possível comandá-los para ajudar nos ataques. Em uma situação, por exemplo, Evan pode ordenar que os Higgledies segurem um inimigo, impedindo a execução de algum golpe devastador. O uso mais significativo é utilizar as criaturas para fortalecer e modificar as técnicas especiais. Para isso, é necessário ir até o local do campo de batalha em que os Higgledies estão concentrados e, em seguida, desferir algum ataque. Espíritos de fogo, por exemplo, imbuem as armas com chamas, aumentando o poder do ataque e eficiência elemental. Já criaturas de defesa podem criar barreiras mágicas. É possível escolher até quatro tipos de Higgledies para participar dos combates, o que traz muitas possibilidades de estratégia.

Dominar todas essas nuances do combate será de extrema importância, principalmente ao enfrentar alguns oponentes importantes da trama. Para formar seu reino, Evan precisa derrotar os Kingmakers, grandes bestas protetoras dos países do mundo de Ni no Kuni II — uma nação só é reconhecida como legítima com o consentimento dessas criaturas. Essas batalhas prometem ser intensas e difíceis, pois os Kingmakers são imensos e muito poderosos. Nesses momentos, a estratégia será essencial para vencer.


Uma jornada mágica

Com alterações em várias áreas, Ni no Kuni II: Revenant Kingdom tem tudo para ser um ótimo JRPG. Fora um grande e belo mundo para explorar, o jogo promete ser uma experiência imersiva com as mecânicas de construção de reino e sistema de combate retrabalhado. Só nos resta esperar para acompanhar Evan em sua jornada para construir um reino e para salvar o mundo.
Ni no Kuni II: Revenant Kingdom - PS4/PC
Desenvolvimento: Level-5
Gênero: RPG
Lançamento: 23 de março de 2018
Expectativa: 4/5
Revisão: Diogo Mendes
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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