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Análise: Heir of Light (Android/iOS) tem ação, estratégia e ótimas mecânicas

Desenvolvido pela Gamevil, o novo game mobile tem visual de primeira e mecânicas de jogo muito completas.

Todos os dias as lojas online tanto da Google como da Apple recebem jogos e mais jogos de diversos gêneros e com as mais variadas qualidades. A maioria, infelizmente, ainda está bem aquém do nível de qualidade dos maiores jogos de PC, consoles ou portáteis, mas a cada dia vemos mais e mais pérolas que surpreendem em qualidade, otimização e mecânicas criativas para o mercado mobile. Para o panteão dessas pérolas temos agora Heir of Light (Android/iOS), um jogo de ação e estratégia com aspectos de RPG muito interessantes.


O jogo conta com uma coletânea considerável de heróis para serem treinados no bom e velho estilo de Pokémon, mas com uma roupagem de fantasia medieval mais sombria que dá uma identidade própria para o título bem bacana. Com uma linha de evolução interessante, atualizações constantes e grande extensão de mecânicas solo e multiplayer, Heir of Light pode ser uma boa opção para se jogar pelo celular.


Invocados contra o mal

O jogo possui uma história relativamente rica, mesmo que use de alguns clichês do gênero para se sustentar. Aqui, o mundo está sendo dominado por uma força maligna e somos invocados como um dos herdeiros da luz, um campeão responsável por trazer de volta a paz ao mundo. Com a ajuda de nossa invocadora, começamos a chefiar uma legião de heróis prontos para combater todas as ameaças possíveis, desbravando o mundo com o intuito de encontrar e acabar de vez com as forças sombrias.

A história do jogo é bem interessante, mas muito exaustiva principalmente em seu início, quando uma sequência desnecessariamente longa de diálogos e cinemáticas tentam ensinar o jogador as mecânicas básicas do título. Entretanto, mesmo que funcione algumas vezes, essa fórmula é longa demais e prende muito o jogador, fazendo alguns até desistirem de jogar antes do tutorial terminar.



Porém, passado esse tutorial invasivo, o jogo mostra finalmente a quê veio e proporciona bastante diversão mesclando colecionismo, ação e estratégia com combates muito bem bolados e uma excelente trilha sonora.

Combates automáticos, mas com muita estratégia

A principal mecânica do jogo, sem dúvidas, são os seus combates. Com golpes básicos automáticos, muitos podem pensar que o jogo é mais um daqueles títulos onde somente administramos personagens com microtransações e, na hora real dos combates, não fazemos basicamente nada. Mas Heir of Light tem bem mais conteúdo do que isso.



Os combates funcionam através de grupos de três ou quatro personagens contra inimigos em dungeons (geralmente um por luta) ou então em partidas PVP de 3 contra 3. Cada herói possui até três habilidades especiais que carregam vagarosamente com o decorrer da luta, sendo o tempo de carregamento entre uma e outra o mesmo para todos os personagens. É possível também escolher a ordem de até três dessas habilidades para que elas sejam lançadas como o jogador preferir.

Nesses combates, é possível deixar o uso das habilidades totalmente automático, semi-automático (onde o jogador pode escolher a ordem ou então, caso não escolha, o computador escolhe por ele) ou então totalmente manual. Além disso existem também três velocidades de combate, podendo mantê-los mais lentos, para ter mais tempo de pensar, ou então o mais rápido possível para a experiência ser mais dinâmica.



Essa gama extensa de possibilidades faz com que o jogo se torne muito adaptável ao estilo de jogo de cada um. Como se trata de um game próprio para celulares, nada melhor do que ele se adequar à realidade de cada jogador e de cada perfil. Entretanto, não será sempre que as batalhas totalmente automatizadas vão garantir vitórias, principalmente contra as criaturas mais fortes. Nesses momentos a estratégia será cobrada em peso, o que é uma ótima coisa.

Cinco cores em guerra

Os heróis de Heir of Light são organizados entre cinco cores distintas que representam elementos: azul para água, vermelho para fogo, verde para floresta, amarelo para luz e roxo para trevas. Essas cores possuem relação entre si de vantagens e resistências, lembrando bastante uma mistura de Magic The Gathering e Pokémon TCG.



Esse sistema de cores obriga o jogador a administrar diversos heróis ao mesmo tempo, bem mais do que os quatro que normalmente ele usa nas batalhas básicas. Isso porque a exploração do mundo do jogo gira em torno de batalhas em dungeons. Logo após o primeiro arco da história, recebemos missões específicas que nos levam para regiões onde uma determinada cor é dominante, forçando o jogador a combater inimigos de todas as cores cada vez mais fortes. 

Isso é interessante pois faz com que o jogador continue sempre em busca de novos personagens e fortaleça seus heróis de todas as cores, para que seu arsenal seja o mais versátil e mutável possível. O colecionismo ainda é reforçado por um catálogo com todos os heróis que você já teve, sendo possível ter acesso aos dados básicos de todos eles, como se fosse uma “Pokédex”


Evolução cheia de detalhes

Com quase 100 heróis para colecionar, o jogo usa um sistema de evolução bem variado e complexo. As microtransações existem e estas podem desagradar alguns jogadores por conta do acesso facilitado a runas de níveis mais altos ou até a possibilidade de invocar heróis mais fortes de forma mais “fácil”. Entretanto, nenhum desses elementos é exclusivamente pago, o que é um bom ponto.

Para além das microtransações, o jogo conta com habilidades dos heróis principais para serem melhoradas (chamados de “main” dentro do game), além também de runas que podem ser equipadas e melhoradas em cada um dos personagens, com bônus para aquelas da mesma classe. Existe também a capacidade de melhorar a porcentagem de atributos como resistência, dano e vida dos heróis pelas cores, aumentando assim os status de todos daquela cor.



Como se não bastasse tantos pontos de evolução, também existe o nível básico de cada personagem, que funciona como qualquer RPG tradicional, crescendo com base na experiência adquirida através dos combates, mas também os pontos de experiência da sua conta como um todo, adquiridos completando missões diárias e da história do jogo. Temos também a classificação dos heróis em estrelas (de uma a cinco) com a possibilidade de evolução do herói através das estrelas chegando ao nível despertado (Awakening).

Tantas opções distintas de evolução confundem bastante no início do jogo, sendo várias dessas nem se quer percebidas pelo jogador num primeiro momento. Entretanto, com o passar dos níveis vai se tornando mais natural administrar tantos pontos diferentes, fazendo inclusive com que a permanência no jogo seja aumentada e não somente focada nos combates, mas também em todo o preparo para eles.


Missões variadas até contra jogadores

A exploração do mundo do jogo, como já citamos, se dá através do embate contra monstros das cinco cores em dungeons que variam entre três e seis inimigos sequenciados. Mas para além dessas missões tradicionais, existem também algumas opções que diminuem um pouco a repetitividade do título. Uma das opções são as torres de PVP que surgem no decorrer do mapa, com partidas ranqueadas contra times de outros jogadores.

Essas partidas ao serem vencidas aumentam a colocação global da sua conta, ou então as diminuem, caso seja derrotado pela IA de outro jogador. Além disso existem eventos de invasão abertos por um determinado período e bosses que, ao serem derrotados, garantem cristais necessários para a evolução dos personagens para o nível “despertado”.


Som e imagem de primeira

O visual do jogo surpreende bastante já no início. Com uma boa gama de configurações, o jogo consegue rodar sem problemas de travamento até em celulares menos robustos, como o Moto G4 Play, da Motorola, ou outros de configuração semelhante. Com uma estética que lembra um pouco o estilo gótico de Dark Souls (Multi) e Bloodborne (PS4), mas ao mesmo tempo com referências japonesas que lembram MMORPG clássicos como Line Age II (PC), o jogo é bem colorido e, ao mesmo tempo, bastante denso em suas texturas.

Efeitos de golpes, especiais e iluminações só acrescentam ainda mais qualidade ao visual do jogo, combinando perfeitamente com seu outro pilar invejável: sua trilha sonora. Tanto os efeitos de combates e magias como a trilha sonora em si são muito bons, sendo Heir of Light um caso raro onde o jogador vai até preferir jogar com o som ligado às vezes. Músicas épicas orquestradas permeiam todos os combates fazendo um bom pano de fundo para a estética do jogo.


Diversão que combina estratégia e ação

Heir of Light (Android/iOS) foi um anúncio um tanto quanto silencioso da Gamevil, mas que possivelmente vai fazer um grande barulho dependendo de como as atualizações seguirão. Se eventos com personagens novos e até missões novas forem acrescentados aos poucos, a longevidade do título está garantida. 

Claro que existem problemas de jogos iniciantes como algumas falhas críticas de servidor que obrigam o jogo a ser aberto do zero novamente, mas nada que demande muito tempo ou que atrapalhe completamente a diversão. Mas claro, são pontos que precisam ainda serem melhorados para o jogo alcançar ainda mais público. No mais, é uma das melhores opções para os amantes de RPG e combate com um mínimo de estratégia, mas que não tem tempo de ficar horas a fio na frente do console ou PC.


Prós

  • Visual de primeira muito bem otimizado;
  • Batalhas que combinam muito bem ação e estratégia;
  • Evolução de personagens rica em detalhes;
  • Boa variedade de personagens e inimigos;
  • Mapa extenso e com muitas missões a serem feitas;
  • Esquema de cores acrescenta ainda mais à estratégia;
  • Não possui aspectos exclusivamente adquiridos por microtransações;
  • Trilha sonora épica combina bastante com o jogo.

Contras

  • História prende demais a jogatina no início;
  • Quantidade de opções de evolução podem confundir alguns jogadores;
  • Microtransações facilitam demais alguns pontos do jogo;
  • Raras quedas de servidor que obrigam a abrir o jogo novamente.
Heir of Light — Android/iOS — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Android
Análise feita com cópia adquirida por conta do próprio redator.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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