Blast from the Past

SoulCalibur V (PS3/X360), inovação e tradição em caminhos opostos

História fraca e a ausência de personagens icônicos marcaram o quinto título da história principal da série Soul.

Com um histórico de jogos que aumentaram paulatinamente a qualidade técnica, gráfica e narrativa da série Soul, o quinto título da franquia de luta SoulCalibur V (PS3/X360), da Project Soul, lançado em 2012, tinha todos os motivos e expectativas para ser um dos melhores games da série. Contudo, o avanço aconteceu em alguns pontos enquanto outras características essenciais de SoulCalibur foram deixadas para trás, resultando em jogo que agradou muito menos do que se esperava.

Descendentes de guerreiros

A história de SoulCalibur V se passa 17 anos depois dos eventos de SoulCalibur IV (PS3/X360), em 1607. Com a morte de Nightmare pelas mãos de Siegfried, o novo protagonista é Patroklos Alexander, filho de Sophitia Alexandra e Rothion Alexander e irmão caçula de Pyrrha Alexandra, uma das novas personagens jogáveis de SoulCalibur V.

Os irmãos gêmeos percorrem a Europa em busca de uma cura para Pyrrha, contaminada pelo malfestation, maldição que atinge quem entra em contato com a espada maligna Soul Edge. A dupla de novatos foi extremamente mal recebida pelos fãs da franquia, principalmente porque o título não trouxe personagens icônicos da série Soul como Taki, Sophitia, Cassandra, Talim, Yun-seong, Setsuka, Zasalamel, Seong Mi-na, Rock, Amy e Xianghua.


História ruim e heróis questionáveis

Dentre as inúmeras críticas recebidas por SoulCalibur V, os principais eixos de reclamações giravam em torno do modo história e os novos personagens, além da já citada ausência de lutadores clássicos da franquia Soul. Desenvolvido em parceria com a produtora japonesa CyberConnect2, conhecida pelas séries .hack e Naruto: Ultimate Ninja Storm, o modo história de SoulCalibur V almejava ser quatro vezes maior do que o normal, contudo a falta de tempo para conclusão do objetivo fez com que a Project Soul cortasse a maior parte dos enredos da trama.

O título também trouxe uma lista de 10 novos lutadores: Patroklos, Pyrrha, Natsu, Z.W.E.I., Yan Leixia, Viola, Xiba, Elysium e a Patroklos e Pyrrha O, ambas novas versões dos irmãos Patroklos e Pyrrha. A maioria dos personagens foi mal recebida pela comunidade de fãs devido à falta de uma história profunda e inteligente que servisse de base para os novos guerreiros.


Além do enredo fraco para introdução dos novos lutadores, o mais criticado e odiado pelos fãs foi o próprio protagonista de SoulCalibur V, Patroklos Alexander. O "herói" comete uma série de crimes contra pessoas inocentes e sua personalidade arrogante embasada em motivações medíocres o assemelham mais a um vilão do que um herói da série Soul.

Reciclagem de estilos e aperfeiçoamento discreto

Outro fator de discórdia entre os fãs foi o reaproveitamento de estilos de combate de personagens clássicos nos novos lutadores. Enquanto 10 guerreiros icônicos foram deixados de lado, os novos 10 personagens utilizam um sistema de combate parecido ou idêntico ao dos lutadores deixados de fora do título. Algo que fez com que muitos jogadores reprovassem os personagens mimics de SoulCalibur V.


Independentemente de todo mal-estar ocasionado pelo jogo, SoulCalibur V teve melhorias técnicas relevantes, mas que foram ofuscadas pelo péssimo modo história e os novos personagens genéricos e sem personalidade. Dentre as inovações, SoulCalibur V possui o melhor sistema de criação de personagem da série Soul, é o primeiro título com cenários infinitos e o conjunto de Multi-Tier stages. Porém o fracasso em história e novos lutadores, mostraram que gráficos não são tudo o que os jogadores esperam de um bom game.
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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